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Crítica | Curtas Baseados nos Filmes da Pixar – Parte 1

por Iann Jeliel e Davi Lima
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  • Acesse aqui nossas críticas sobre os outros curtas da Pixar.

Começaremos aqui uma jornada em quatro partes para cobrir todos os curtas da Pixar baseados em seus filmes originais. Nesta primeira, falaremos dos 3 curtas com os personagens de Monstros S.A (escritos por Davi Lima) e dos 3 curtas com os personagens de Os Incríveis (escritos por Iann Jeliel).
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Charades

Um curta que na verdade é um trailer, embora seja conteúdo inédito. Essa é a charada, um bom trailer é sempre uma charada que dar um gostinho para quem vai ver o filme, mas também não revela a trama. Essa é a graça entre os personagens Mike Wazowski e Sulley Sullivan, os monstros que tentam fazer jogo de adivinhação com formato de um trailer.

Quando no primeiro plano, após o logo da Pixar, aparece a mão de Sully pegando vários papeizinhos para ele ler e encenar algo para que Mike adivinhasse, todo o curta se dinamiza na relação única de movimento dos dois num plano fixo, ou na reação à dificuldade de Mike acertar, pois assim o trailer soa como uma surpresa, por vezes sem título, apenas na expectativa do público entender o que se passa nas imagens. Mesmo que hoje os trailers tenham outro formato, com uma publicidade muito mais apegada ao impacto de uma geração desatenta, o curta também se vale de um Sully experiente que acerta toda encenação incompleta de Mike quando o jogo inverte, porque quando já se sabe que o curta se trata do filme Monstros S.A, não há mais dúvida ou surpresa. 

Em geral, de maneira objetiva a linguagem de marketing se torna cinematográfica, em que a dinâmica amigável entre os protagonistas é o reflexo divertido da experiência de ver trailers, bons trailers que não revelam a obra, apenas informam de maneira inteligente que o filme se trata na apresentação de um vídeo na internet ou no cinema.

Charades (Charades) – EUA, 2001
Trailer Exclusivo para o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas
Elenco: Billy Crystal, John Goodman
Duração: 2 minutos
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O Novo Carro de Mike

A comédia dinâmica dos dois monstros enfrentando a monstruosidade que pode ser o desconhecimento tecnológico de um carro. O mais divertido e criativo do universo Monstros S.A é como visualmente os monstros se diferenciam, como Sullivan e Mike, o grandalhão calmo e o baixinho nervoso, e o medo vem dos desafios tanto de aspectos normalizadores desse mundo como associados ao que acontece no mundo real. 

Diante disso, pode-se observar como o humor é na base dos movimentos mais sutis dos protagonistas dentro de um carro por consequência de um plano de imagem fixo, frontal ao carro de Mike, que enfatiza como eles experimentam o carro e reagem um ao outro. Quebra muito a expectativa o fato da já conhecida relação antagônica dos personagens estarem diante de um objeto tecnológico que se torna desafiante por causa dessa relação entre Mike e Sullivan. A análise dos dois sobre como eles se estreitam dentro do carro, ou como as diferenças físicas entre eles limitam o que eles podem fazer, na verdade aumenta as possibilidades de humor físico. Fica difícil não rir, até porque é uma situação muito verossimilhante, com toda a mixagem de som das tecnologias de um automóvel e a dificuldade mínima de engrenar a tecnologia.

Apesar dessas boas qualidades humorísticas, termina-se em desgaste, mesmo dentro de um curta. A piada final, a verbal, esfria toda a construção do humor físico, pois a conclusão não soa compreensiva da monstruosidade da tecnologia para aqueles monstros, e sim como uma melancolia engraçadinha, com deformação da imagem no físico circular de Mike para centralizar na sua última frase de que o mais importante é seu carro antigo. Fica naquela, ou a piada é sobre o moderno ou sobre como a tecnologia automobilística é o monstro do curta.

O Novo Carro do Mike (Mike’s New Car | EUA, 2002)
Direção: Pete Docter, Roger Gould
Roteiro: Pete Docter, Jeff Pidgeon, Roger Gould, Rob Gibbs
Elenco: Billy Crystal, John Goodman
Duração: 4 minutos
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Central da Festa

A intenção de retratar o ambiente universitário nas festas de grupos, como diversões que acontecem nos centros acadêmicos da cultura universitária, alcança a loucura representativa ao transportar definitivamente todos os componentes de uma calourada por dois closets de um quarto de casal. Mas o excesso de perigo consta disso, sem nenhum adendo que faça a diversão universitária não se render a um curta humorado limitado pelo contexto e público-alvo.

Como sempre no mundo de Monstros S.A, os protagonistas Sully e Mike mudam todo o sistema, quebrando as leis de usar as portas que os monstros usam para acesso aos quartos dos humanos como armadilha de transporte de uma festa para outra nada animada do grupo excluído que os dois participam. O intermédio ousado é a interface bem-relacionada com o tema universitário, porque essa narrativa simples de vários monstros passarem na frente de um casal dormindo no quarto é o suspiro constante, diante do barulho e do descuido da passagem no quarto. Nisso, o que se representa é uma verossimilhança da cultura universitária das comuns festas permitidas e entretidas do ambiente, mas também o resultado disso dar um tiro único que gasta as balas de novas ousadias no curta.

No fim, o aspecto moral vem à tona como uma piadinha, em que os pais, seja a mãe tradicional ou o casal do quarto, radicalizam-se em inconsequência e insegurança, respectivamente. Logo, limita-se a calourada à busca de transformar os pais que descobrem a festa universitária, perdendo o realismo para infantilizar um contexto bem jovial.

Central da Festa (Party Central) – EUA, 2014
Direção: Kelsey Mann
Roteiro: Kelsey Mann
Elenco: Lori Alan, Carlos Alazraqui, Billy Crystal, Charlie Day, John Goodman, Nathan Fillion, Dave Foley, Kim Donovan
Duração: 5 minutos

 

O Ataque de Zezé

Uma solução tão criativa quanto foi a do final de Os Incríveis, onde Zezé (Jack Jack), o bebê da família incrível, seria o responsável por vencer a batalha final contra o Síndrome com uma série de poderes diferentes, o que definitivamente merecia um curta-metragem para se explorar mais.

Fato é que o longa-metragem não precisa dele, somente pelas ligações de Karen, aquela solução se torna plausível, mas sem dúvidas acompanhar o processo que fez isso acontecer mais de perto é um deleite. Brad Bird parece que tinha elaborado o curta antes mesmo do filme, ou no mínimo de forma síncrona, porque o paralelismo é cirúrgico sobre os acontecimentos e a construção deixa muito claro nos gadgets do humor, da funcionalidade aleatória dos poderes do Zezé, de acordo com seus impulsos inocentes. É divertidíssimo acompanhar as possibilidades do poder da criança, enquanto a babá sofre para conseguir cuidado.

E o legal é que serve como complementador também, se no filme deixar o bebê com o Síndrome parece estranho, mesmo diante do que testemunhamos na cena do avião, agora fica muito claro que tudo que Karen queria era se livrar daquele capetinha maravilhoso o mais rápido possível. O flashback da babá contando para Ricardo a história, pouco antes dela perder a memória para manter a identidade secreta dos personagens, fecha perfeitamente a mini história.

O Ataque de Zezé (Jack-Jack Attack | EUA, 2005)
Direção: Brad Bird
Roteiro: Brad Bird, Teddy Newton, Mark Andrews, Rob Gibbs, Bosco Ng
Elenco: Bret Parker, Bud Luckey, Eli Fucile, Jason Lee
Duração: 5 minutos
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Mr. Incredible and Pals

(Para ambas as versões)

É um curta de duas versões. A primeira e oficial é apenas a animada, que consta nessa mini aventura do Senhor Incrível – em seus tempos de uniforme azul – com o Gelado e um coelho – Mister Skipperdoo – que nunca havia aparecido, contra as forças de Lady Lightbug que ameaçou a cidade derrubando uma de suas pontes.

A segunda versão – e bem melhor – é essa mesma animação narrada por Senhor Incrivel e Gelado a assistindo e depois discutindo sobre o papel de cada um. Tudo bem que desde a primeira, trata-se de uma nítida paródia aos desenhos dos anos 50-60, mas o problema talvez seja justamente esse. Na ironia de ser paródia, acaba que o desenho deprecia seus próprios personagens, a exemplo do coelho que está ali literalmente para nada. Poderia ter sido mais criativo na composição gráfica também, assumir um lado mais quadrinesco, com onomatopeias e outros elementos que deixassem a comédia fluir da paródia mais naturalmente.

Por isso que, igualmente engraçada, essa segunda versão também não funciona tanto, pois depende da expositividade de seus personagens para concretizar o humor. Fora que essa está com a animação inacabada, tanto do Senhor Incrível quanto do Gelado, apesar de terem as vozes originais de Craig T. Nelson e Samuel L. Jackson que juntas geram novamente ótimos momentos. No fim, é um curta sem graça, mas que vale conhecer.

Mr. Incredible and Pals (EUA | 2005)
Direção:
Roger L. Gould
Roteiro:
Roger L. Gould
Elenco:
Roger Jackson, Pete Docter, Michael Asberry, Celia Shuman, Craig T. Nelson, Samuel L. Jackson
Duração: 
4 minutos
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Tia Edna

Surge da mesma ideia que O Ataque de Zezé, mas desta vez com elemento Edna para interagir com o bebê, sabendo “sofrer” – digamos assim – com ele para elaborar sua roupa de proteção que é de fundamental importância no segundo filme.

Diferente do primeiro curta, esse não serve tanto como fator de complemento à história e está muito mais interligado a uma questão nostálgica do que à expansão das possibilidades de Zezé enquanto personagem. Não culpo Ted Mathot em replicar Brad Bird, afinal foram 14 anos de espera, então o melhor caminho era o confortável, de um bônus que todo mundo queria ver. Bird não dirige, mas até por ser a voz da Edna, todo o curta é reflexo de sua mente criativa, não à toa as semelhanças com o primeiro, estruturalmente falando. O curta até adiciona mais poderes ao Zezé, vários deles que não estavam no filme. Alguns são bem divertidos, outros forçam um pouco o surto de criatividade que o bebê tem em sua mentalidade. Talvez por estarem aglomerados em um curto espaço de tempo não têm o mesmo efeito de ser uma solução tirada da cartola no meio do filme, como acontece em Incríveis 2.

Contudo, é aquele mais do mesmo gostoso de assistir. A Edna colabora muito com isso, que personagem! É aquilo, juntar dois dos melhores alívios cômicos da Pixar em um lugar só, não tem como errar.

Tia Edna (Auntie Edna | EUA, 2018) 
Direção: Ted Mathot
Roteiro: Ted Mathot
Elenco: Brad Bird, Craig T. Nelson, Eli Fucile, Nicholas Bird, Maeve Andrews, Noelle Zuber
Duração: 5 minutos

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