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Crítica | Curtas Baseados nos Filmes da Pixar – Parte 2

por Iann Jeliel e Davi Lima
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  • Acesse aqui nossas críticas sobre os outros curtas da Pixar.

Segunda parte de nossa jornada para cobrir todos os curtas da Pixar baseados em seus filmes originais. Dessa vez, falaremos do curta baseado na duologia de Procurando Nemo (escrito por Iann Jeliel), dos 2 curtas – em filme – com os personagens da trilogia Carros (escritos por Davi Lima) e dos 2 curtas com os personagens de Up (O primeiro escrito por Davi, o segundo por Iann).

Marine Life Interviews

O único curta do maravilhoso universo marinho de Procurando Nemo da Pixar, é esse, feito apenas em 2016 para compor os extras de Procurando Dory. A ideia é ótima, trazer uma estruturação de entrevista para perguntar aos personagens do filme o que acharam de conhecer a excentricidade de peixe que é a Dory, após os eventos do filme.

Lamento apenas que seja, literalmente, tão curto e limitado somente a personagens da continuidade, sem expandir para outros presentes como duologia. É verdade que se assumisse nesse formato, o risco de perder o timing da grande piada que se revela ser a proposta era maior. Contudo, a Dory é uma personagem com um humor bem característico e singular, tipo Chaves, praticamente nunca perde a graça. Se escolhessem expandir, a piada final do esquecimento seria a cereja do bolo de ver muitas outras reações divertidas dos outros personagens que a conheceram. Sem dúvidas, a melhor participação é a do Polvo Hank, novamente fazendo uma alusão cômica a casca de frágil masculinidade que foi um dos pontos altos do filme.

As demais participações de Bailey, Fluke & Rudder e Destiny, são aquelas repetições cômicas que funcionam somente numa primeira vez e não tanto em uma segunda. No fim das contas é um curta aconchegante, mas que podia ser bem mais divertido.

Marine Life Interviews (EUA, 2016)
Direção:
Ross Stevenson
Roteiro: Ross Stevenson
Elenco: Ed O’Neill, Dominic West, Ellen DeGeneres, Idris Elba, Kaitlin Olson, Ty Burrell
Duração: 2 minutos
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Mate e a Luz Fantasma

O diretor John Lasseter, que nominalmente dirige esse curta, parece não entender como tratar a comédia do antes coadjuvante e agora protagonista Mate sem torná-lo inconveniente. O curta parece se basear na punição disso, em que o personagem incomoda os habitantes de Radiator Springs com sustos, mas a brincadeira aterrorizante se baseia na percepção de Mate, se baseia em você acompanhar ele, não o suposto incômodo dos habitantes. Além disso, rir de uma punição, mesmo com aspecto lúdico é um negócio que pode se tornar inconveniente também, por isso o curta é tão sem graça.

Acaba que a comédia e o terror cômico que o diretor tenta criar se torna vazio por não pertencer a nenhum dos personagens, no máximo a uma cena ou outra na base de interação dos cidadãos de Radiator, já conhecida do filme Carros. O que sempre se fez no longa-metragem de Carros para ele ser intrigante foi a interação entre os tão diferentes carros. Mas quando essa interação se torna motivada por uma inconveniência de Mate a interação contrária começa a ser problemática quando sempre se parte para a comédia, em que sempre há o alívio que torna tudo ainda mais falso. Não nem um trabalho real de tensão, tudo é aliviado e ainda iniciado com base numa chatice de brincadeira que tem com base a personalidade de Mate. 

Não há terror, não há comédia, só há um fruto diferenciado do mundo de Carros que dar para valorizar ainda, pois mantém-se a maneira Pixar de criar universos, mesmo centralizando a narrativa em outro personagem que precisa de mais esmero para ser protagonista.

Mate e a Luz Fantasma (Mater And The Ghostlight | EUA, 2006)
Direção:
John Lasseter, Dan Scanlon
Roteiro: John Lasseter, Dan Scanlon, Joe Ranft
Elenco: Larry the Cable Guy, Bonnie Hunt, Cheech Marin, Michael Wallis, Owen Wilson, Paul Dooley, Paul Newman
Duração: 8 minutos
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Escola de Corrida da Maria Busão

Um contexto muito específico do filme Carros 3 é trazido como uma história própria, uma espécie de propaganda dentro do longa que pode ter sido recortada na montagem da obra de 2017. Nesse curta é necessário lembrar do contexto que eles, os protagonistas Relâmpago Mcqueen e Cruz Ramirez, se sujam numa semelhante “luta livre” de carros em lama.  A diversão de criar mais história, o descascar de um universo de Carros, é que traz internalizações mais verossímeis. O esquema de propaganda é um auge de verossimilhança. 

A partir disso busca-se o alcance da comédia como propagandas eleitorais, em que cada participante dessa “luta livre”, dessa corrida suja, se apresenta em suas deformações e categorias sociais. Todos que estão se dispondo a se quebrar e lutar para ganhar dinheiro fazem marketing de suas antigas profissões, como o ônibus escolar, por exemplo. A única relação não aleatória, ou seja, a tentativa lógica de não tornar o curta uma mera comédia de apresentação de novos carros dentro do universo do filme, é que Cruz e Relâmpago participaram desse evento na lama. São eles assistindo isso na TV, talvez como memória eles parem para assistir, porém é realmente um contexto sem muita lógica para acontecer após Cruz vencer a Copa Pistão.

No fim o curta perde muito por essa tentativa de tornar algo explicativo para a propaganda dos carros acontecerem, como um contexto propício que houvesse os protagonistas vendo. A graça fatídica é a relação com o troféu, em que o efeito de trauma que a “luta livre” deixou com os protagonistas causa um acidente. Mas na realidade, talvez seja tanta verossimilhança que o problema do troféu é exatamente porque o mundo de Carros seja um dos que produz mais curtas tentando ser realista. Nisso a Pixar provoca muito bem com seu entretenimento.

Escola de Corrida da Maria Busão (Miss Fritter’s Racing Skoool | EUA, 2017)
Direção:
James Ford Murphy
Roteiro: James Ford Murphy
Elenco: Owen Wilson, Cristela Alonzo, Lea DeLaria, Jeremy Maxwell
Duração: 3 minutos
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A Missão Especial do Dug

Esse curta metragem dirigido pelo roteirista de Divertida Mente chamado Ronnie Del Carmen consegue se administra como prelúdio do filme Up e sustentação dramática própria. A comédia leve diante da impossibilidade do destino travar o protagonista Dug, mesmo que seus amigos cachorros criem situações que o tentem a colocar estático, causa humor contínuo pela diversidade de possibilidades de maneiras que as circunstâncias colocam Dug próximos dos cachorros que o querem afastar. É o aniversário dele, ele tem um desejo de servir ao seu mestre e capturar o pássaro, então tudo recorre ao seu anseio.

A conveniência da história é a própria graça de como ela vai acontecer. Mas o incrível surge no final, quando a virada do humor para o drama é tão intensa, em que Dug é acusado injustamente, que sua esperança aparecendo é o alívio imediato a sugestão dramática abrupta anterior. Se o desejo de todo cachorro é ter um mestre, ao menos em como a mentalidade de animais domésticos é estabelecido na sociedade, o aniversário de Dug é presenteado. 

Eis o prólogo que desenvolve o cachorro que o universo de Up criou. Por isso o apego, por isso a importância exagerada que Dug dava aos protagonistas no filme, Carl e Russel. Toda a sua emoção além na compreensão é o ponto que o fio do curta quer chegar. Só entrando na mente de um cachorro como Dug, especificamente Dug, como o curta faz, que cessa qualquer incômodo com o amor meloso do famoso cachorro do longa da Pixar.

A Missão Especial do Dug (Dug’s Special Mission | EUA, 2009)
Direção:
Ronnie del Carmen
Roteiro: Bob Peterson, Ronnie del Carmen
Elenco: Bob Peterson, Delroy Lindo, Edward Asner, Jerome Ranft, Jordan Nagai
Duração: 5 minutos
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George & A.J.

A maioria dos curtas da Pixar baseados em seus filmes se trata de uma piada com algum elemento presente no filme, geralmente um alívio cômico. Um dos grandes diferenciais desse em particular é de não surgir de um desses alívios cômicos do longa baseado, mas sim de outros personagens escanteados que pela condução precisa do curta, acabam por virar alívios cômicos até melhores do que os presentes na animação.

Confesso que Up não está entre minhas animações favoritas da Pixar, na verdade, muito pelo contrário. Um dos grandes motivos desse meu desgosto vem do princípio conceitual que soa exageradamente caricato para uma animação que se vende nos primeiros minutos quase como um drama realista. E por ter de sustentar esse lado, acaba que a aventura gera poucos estímulos e personagens secundários pouco carismáticos ou funcionais no humor. O que eu mais gosto aqui é como esse princípio de quebra ao encantamento do fantástico dentro dessa via dramática é sacaneado pelos personagens que simbolicamente representam burocrático do filme, no caso, os enfermeiros responsáveis em retirar Carl e dentre tantos outros velhinhos de suas casas.

É não só divertido, como inteligente, mostrar que a casa de Carl voando com os balões trouxe um efeito na terceira idade que se via na mesma situação e criaram novos meios de fugirem com suas casas, ironicamente também de George e A.J, os personagens do curta que só estavam cumprindo seu dever como burocráticos. Transformar ele em alívios cômicos dessa forma até completa o filme original dando mais verossimilhança a seu lado mais fantasioso que parecia somente protocolar para cobrir uma estética infantil. Aqui, é infantil e ponto. É cômico e ponto. E funciona muito mais, pra mim.

George & A.J. (EUA, 2009)
Direção:
Josh Cooley
Roteiro: Josh Cooley
Elenco: A. J. Riebli, Jason Topolski, Bob Peterson, Claire Munzer, Kim Donovan, Peter Sohn, Steve Purcell, Valerie LaPointe
Duração: 4 minutos

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