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Crítica | Curtas do James Wan

por Iann Jeliel
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James Wan

No seguinte compilado, falarei dos dois curtas dirigidos por James Wan em sua carreira. Além desses, o cineasta possui curtas relacionados as suas obras que foram desconsiderados para análise por não ter envolvimento direto de sua pessoa, mas que ganharão uma menção especial.

São eles: Jogos Mortais: O Renascimento (2005), The Scott Tibbs Documentary (2006), Saw: Heritage (2016) e She’s Here (2017). Os três primeiros fazem parte da franquia Jogos Mortais, sendo dois canônicos e lançados direto para DVD como material bônus e o terceiro um fanfilm não pertencente a cronologia da série. Já o último, faz parte da mitologia da franquia Sobrenatural, não sendo canônico também. Por fim, vale mencionar o curta Hot and Cold (2011), também desconsiderado para a análise, mas que tem envolvimento do Wan na equipe de edição de som.
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Jogos Mortais 0.5 (2003)

James Wan

Poucos sabem, mas o primeiro Jogos Mortais é um curta. Uma espécie de experimentação da dupla de idealizadores James Wan e Leigh Whannell que chamou bastante atenção em festivais, motivando-os a fazer o longa fenômeno em sequência, no seguinte. A trama é basicamente o mesmo recorte do primeiro jogo de Jigsaw, com a clássica “armadilha de urso invertida”, só que ao invés de Amanda, é o personagem de Leigh Whannell a primeira vítima do serial killer.

Pensando na proposta de ser um curta, inicialmente, não gosto tanto do fato de já mostrar o personagem vivo e sendo entrevistado por uma autoridade, onde só depois, retroativamente simular em flashback o que aconteceu para deixá-lo tão traumatizado, pois o pressuposto de sua sobrevivência diminui a tensão do momento em tememos pela sua vida, diante de bizarra circunstância. Se essa escolha parece errônea por não se  beneficiar da falta de contextualização para amplificar o terror, James Wan sabe maturá-lo perfeitamente enquanto executa imagética, criando uma iconolatria misteriosa ao boneco ditando as regras e pavor psicológico sobre consequências físicas e morais daquele jogo mortal.

No filme, os entrecortes entre a narração e emulação dos eventos contados Amanda tinha justamente esse intuito, fornece uma tensão mais pela figura do que pela situação do personagem, que lá dentro do núcleo investigativo, funcionava para ser utilizado na potencialização do mistério no outro que era o principal jogo. Aqui, este é jogo principal, logo, o recurso fica disperso, embora se aglutine muito bem no fechamento climático do emocional desamparado do protagonista, martirizado ao ter sido forçado a matar ao invés de morrer, naquele momento, desejando ter sido o contrário. A reatividade arrependida, é onde localiza o terror funcional do curta, em que a motivação do serial killer era querer e conseguir provar a imoralidade natural do ser humano quando colocado em situação extrema.

É algo honestamente meio genérico, mas que dentro de um mistério provocado pela estilização e caracterização memorável de cenários e elementos cênicos, empolgam especialmente considerando que a proposta, como todo grande curta, não ficaria restrita somente para ele. Ademais, apesar do estilo de Wan ainda pouco visto, a identidade da franquia estava praticamente formada numa base com enorme potencial e que felizmente aproveitou-o quando expandido para longa-metragem.

Jogos Mortais (Saw | EUA, 2003)
Direção:
James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Leigh Whannell, Paul Moder, Katrina Mathers, Dean Francis
Duração: 9 minutos
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Doggie Heaven (2008)

James Wan

O segundo curta encabeçado por James Wan e Leigh Whannell, creio eu, se caracteriza como uma experimentação também, assim como o primeiro Jogos Mortais, para uma outra vertente de seus estilos, voltado para o humor ácido meio infantil em cenário surreal. A bizarra história desse curta, acompanha Leigh Whannell como um homem que foi parar no céu errado, o céu dos cachorros, após atropelar um e ser morto pela senhorinha dona deles. Lá, ele interage com alguns dos animais, divide ração, é estuprado por um deles (?) e tenta ser transferido para o “paraíso” certo.

Diante dessa sinopse, dá para ver o quanto foi bom a dupla não ter investido em comédia dark em outros momentos da carreira. Aleatório, sem critério e de mal gosto, Doggie Heaven não é engraçado, até prende com a tamanha bizarrice estética, mas não propõem nada com nenhuma reflexão, sátira ou provocação temática minimamente substancial.

Doggie Heaven (Woof!) | EUA, 2008
Direção:
James Wan
Roteiro: Leigh Whannell, James Wan
Elenco: Leigh Whannell, Lin Shaye, Megahn Perry, Heather Tocquigny, Tina Ivlev, Aracelis Hechavarria, Jessyca Phichit
Duração: 9 minutos

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