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Crítica | Curtas Pixar – Parte 2 (2000 a 2009)

por Ritter Fan
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  • Acesse aqui nossas críticas sobre os outros curtas da Pixar.

Depois de assombrar o mundo com seus curtas em computação gráfica durante os anos 80 e 90, que pavimentaram o caminho para a criação de seus famosos longas, a Pixar continuou sua tradição, casando um curta com cada grande longa. Abaixo, os leitores encontrarão as críticas individualizadas de cada curta não baseado em propriedade intelectual pré-existente da Pixar, entre os anos 2000 e 2009.
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Coisas de Pássaros / For the Birds (2000)

For the Birds, que rendeu o terceiro Oscar de Melhor Curta-Metragem da Pixar (depois de Tin Toy e Geri’s Game), é a hilária versão audiovisual do ditado “quem ri por último, ri melhor”. Com um roteiro inteligente que usa imagens e sons à perfeição, desde o design dos dois diferentes tipos de pássaros (os bullies rechonchudos e o bobalhão desengonçado), a paisagem simples, mas linda e os detalhados efeitos sonoros que remetem e muito aos cartuns do Looney Tunes, tudo é absolutamente engajante em cada segundo dos 207 deste curta.

Estamos falando de 2000, quando o curta foi colocado à frente de Monstros S.A., e é perfeitamente possível ver a técnica que animaria os pelos de Sully nas penas independentes dos pássaros que brilham com a iluminação ampla do curta dirigido e escrito por Ralph  Eggleston. Para a época, ele foi deslumbrante e, mesmo para os padrões atuais, seu vanguardismo técnico é acachapante. Basta o leitor tentar encontrar animações atuais de outras produtoras com o mesmo nível de detalhe para ver como For the Birds estava além de seu tempo.

E isso tudo alia-se à uma narrativa sem diálogos simples, mas perfeitamente fluida e eficientíssima em arrancar risos e gargalhadas do espectador, além de deixar evidente sua lição de moral anti-bullying e sobre diversidade. Uma pequena pérola que merece lugar cativo no panteão das grandes animações.

Direção: Ralph Eggleston
Roteiro: Ralph Eggleston
Duração: 3: 27 min.
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Pular / Boundin’ (2003)

Boundin’ foi o primeiro curta da Pixar não baseado em seus longas a conter narração e diálogo, ambos por Bud Luckey, que também escreveu e co-dirigiu o filme. Contando em forma semi-musical country a história de uma ovelha orgulhosa por sua lã perfeita e por sua dança que é apreciada por diversos animais que um dia é levada por fazendeiros e tem seu pelo tosado. Perdendo sua verve, o pequeno animal sofre até que chega um jackalope (um animal da mitologia do oeste americano, mistura de lebre com antílope) benevolente para ajudá-la.

O curta é puro nonsense ritmado. Há um perfeito senso de cadência narrativa aqui, que casa bem tanto com a narração quanto com os diálogos de Luckey. No entanto, os personagens não criam rapport com os espectadores, talvez devido justamente à distância que é criada pela narração e, com isso, o curta perde um pouco de sua “mágica Pixar”.

Sem uma ligação grande com a ovelha e sem ser efetivamente uma obra de humor como substancialmente todas as anteriores, Boundin’, que concorreu ao Oscar de Melhor Curta de Animação, é um desbunde visual que simplesmente não é tão memorável assim.

Direção: Bud Luckey, Roger L. Gould
Roteiro: Bud Luckey
Elenco (voz): Bud Luckey
Duração: 5 min.
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A Banda de Um Homem Só / One Man Band (2005)

Desde os detalhes do vilarejo italiano onde se passa One Man Band, passando pela música de Michael Giacchino que comanda o curta, até a extremamente expressiva menininha com sua moeda de ouro, esta obra da Pixar é de se aplaudir de pé. O curta lida com a rivalidade entre dois artistas de rua, dois “homens de uma banda só”, disputando a moeda da menina em uma vila deserta.

A criatividade do desenho em relação aos dois homens e seus aparatos musicais complexos já mereceria uma análise quadro-a-quadro. A complexidade cômica e a impossibilidade física dos instrumentos e gadgets de cada um são um show à parte e, combinados com as reações de admiração, surpresa e, depois, raiva da menininha da moeda, a narrativa é uma sucessão perfeita de ritmo, assombro e comicidade.

One Man Band, que também concorreu ao Oscar de Melhor Curta de Animação, acerta em todos os alvos em que mira ao trazer uma complexa simplicidade e ao contar uma história completa, redonda e absolutamente cativante em menos de cinco minutos.

Direção: Andrew Jimenez, Mark Andrews
Roteiro: Andrew Jimenez, Mark Andrews
Duração: 4:33 min.
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Quase Abduzido / Lifted (2006)

Já imaginou a complexidade que é para alienígenas abduzirem terráqueos desavisados? Tirá-los de suas casas e transportá-los até a nave espacial mais próxima exige habilidade e precisão e, em Lifted, a Pixar nos ensina o passo-a-passo desta técnica ao focar em um alienígena sendo treinado em abdução terráquea sob a vigilância de um instrutor com seu caderninho para anotar cada problema na operação.

Só a brincadeira temática com filmes e relatos de abdução extraterrestre já merece aplausos. E essa visão “intimista” da coisa gera momentos mais do que hilários, com o aprendiz de abdutor errando absolutamente tudo diante de seu nervosismo e da quantidade de botões que ele tem para controlar. É como se estivéssemos assistindo Contatos Imediatos do Terceiro Grau enfocado pelo lado de lá e tendo como estrela o Mr. Bean ou, talvez, o Inspetor Clouseau ou até mesmo o Monsieur Hulot.

Com uma animação em computação gráfica que tenta não chamar atenção para si mesma ao escolher cenários simples e designs de personagens não muito extravantes, mas sempre eficientes, Lifted é diversão garantida.

Direção: Gary Rydstrom
Roteiro: Gary Rydstrom
Duração: 5 min.
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Presto (2008)

Desde os créditos deixando evidente sua estética Looney Tunes, cartuns objeto desta homenagem, Presto é um curta encantador sobre um coelho de um mágico da velha guarda que só quer comer sua cenoura. Em tendo seu alimento negado pela pressa do mágico em entrar no palco, o simpático animalzinho prega todo tipo de peça com seu “mestre”, por intermédio do uso de cartola e chapéu mágicos e comunicantes.

Desde a música – por  Scot Stafford – até o estilo do desenho, até a narrativa cheia de amorosa “pancadaria”, com direito a choques elétricos e pianos na cabeça, Presto é uma versão atualizada dos clássicos de Chuck Jones e que lembra muito o curta inserido como uma espécie de abertura no já clássico Uma Cilada para Roger Rabbit. E o divertido é que Doug Sweetland, na direção e roteiro, sabe cadenciar a narrativa dando atenção ao pleito do coelhinho na mesma medida que ao mágico desesperado para fazer seus truques funcionarem. Existe uma dinâmica de dupla – ainda que apartada fisicamente – que é de se tirar o chapéu (ou a cartola) e que eleva Presto acima do mero lugar comum.

Quarto curta seguido da Pixar a concorrer ao Oscar em sua categoria e oitavo no geral da produtora (uma impressionante marca considerando-se que este é o décimo curta original da empresa), Presto é mais um ponto alto de uma filmografia pontuada de pontos altos.

Direção: Doug Sweetland
Roteiro: Doug Sweetland
Duração: 5:17 min.
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Parcialmente Nublado / Partly Cloudy (2009)

Todo mundo sabe que os bebês e filhotes são entregues pelas cegonhas, não é mesmo? Mas a Pixar vai além e revela toda a mecânica por trás, mostrando que os pequenos são “fabricados” por  nuvens rechonchudas espalhadas por todo o céu. Mas e os filhotes de animais selvagens, como ficam?

Parcialmente Nublado não se esquiva desta pergunta inquietante e foca na nuvem semi-nublada responsável pela criação de pequenos e fofos jacarés, tubarões e outros bichinhos simpáticos dessa natureza que também precisam ser entregues aos respectivos pais. O problema fica justamente na entrega, sempre ao encargo de uma pobre cegonha que fica à mercê da selvageria dos filhotinhos.

Hilário em sua proposta e belíssimo em sua execução, o curta é mais um triunfo da Pixar capaz de arrancar suspiros de fofura dos espectadores mais durões.

Direção: Peter Sohn
Roteiro: Peter Sohn
Duração: 5:45 min.

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4 comentários

William O. Costa 6 de julho de 2019 - 05:10

Realmente mais uma grande sequência de curtas! A experiência de se assistir a eles consecutivamente é ótima, e torna impossível não admirar o trabalho da Pixar que segue padrão tão alto quanto nos longas. Ótimas críticas, justamente os melhores pontos são muito bem abordados.

Responder
planocritico 8 de julho de 2019 - 15:10

É perfeitamente possível notar a evolução da Pixar na medida em que vemos esses curtas seguidamente.

Abs,
Ritter.

Responder
William O. Costa 8 de julho de 2019 - 18:19

Exatamente! Foi uma ótima experiência. E acabou que a Pixar se tornou o único estúdio de cinema do qual posso dizer que já vi todos os longas e curtas, já que assisti também aos curtas paralelos aos longas, e vários são ótimos por si só, como Party Central e meu favorito dentre esses não-originais, Burn-E.

Responder
planocritico 9 de julho de 2019 - 18:20

Burn-E é excelente!

Abs,
Ritter.

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