Crítica | Curtas Toy Story (2011-2012)

Os três curtas de Toy Story que compõem esse compilado são parte da série Toy Story Toons. Entre 2011 e 2012, a Pixar Animation Studios produziu animações da franquia para serem distribuídas em exibições cinematográficas de longas-metragens da Disney. No caso, o primeiro acompanhou Carros 2, o segundo o lançamento de Os Muppets, e o terceiro, que encerra a série até o momento, o relançamento em 3-D de Procurando Nemo. Os curtas Toy Story: Esquecidos Pelo Tempo e Toy Story de Terror não possuem a ver com essa série, tendo sido lançados como especiais de televisão.

Férias no Havaí

O primeiro curta distribuído por essa série é também o mais intimista. O que temos é basicamente uma história de amor, enquanto Barbie (Jodi Benson) e Ken (Michael Keaton) se preparam para dar o seu primeiro beijo – depois de um tempão já estando juntos. Eles querem ir para o Havaí com Bonnie, portanto, se escondem na sua mochila. Esse plano, contudo, dá errado quando a garota não leva a mochila consigo, deixando-a em casa com os demais brinquedos. Se as próximas animações deste compilado trariam conceitos novos acerca de tal universo de brinquedos, Férias no Havaí, no entanto, não possui estas características, o que não é necessariamente um demérito.

Em contrapartida, Gary Rydstrom, juntamente com os roteiristas, optam por enfocar num caráter mais gracioso – certamente é o curta mais sensível dentre os três. Woody (Tom Hanks) e os outros personagens emulam o Havaí para Barbie e Ken sentirem-se em casa, o que traz um senso cômico inerente, mas também engrandece os brinquedos por serem tão compreensíveis. Ao passo que isso acontece, o protagonismo de Barbie e Ken revigora os propósitos. O que ganhamos de inédito, consequentemente, é meramente a caracterização havaiana que o curta-metragem origina. É engraçado ver a Sra. Cabeça de Batata (Estelle Harris) usando sandálias e óculos, por exemplo.

Férias no Havaí (Hawaiian Vacation) – EUA, 2011
Direção: Gary Rydstrom
Roteiro: Erik Benson, Christian Roman, Gary Rydstrom, Jason Katz
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Don Rickles, Estelle Harris, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Blake Clark, Jeff Pidgeon, Jodi Benson, Michael Keaton, Timothy Dalton, Jeff Garlin, Kristen Schaal, Bonnie Hunt, Bud Luckey, Emily Hahn, Lori Alan, Zoe Levin, Angus MacLane, Axel Geddes, Javier Fernandez Pena, Frank Welker
Duração: 6 min.

Um Pequeno Grande Erro
(Small Fry)

Ao menos teoricamente, Um Pequeno Grande Erro possuiria o potencial de ser o mais importante entre os curtas-metragens da série Toy Story Toons. A animação, em termos conceituais, introduz ao universo de brinquedos os populares brindes de redes de restaurantes, uma das máximas do capitalismo a todo vapor. Entretanto, embora o drama do Mini-Buzz Lightyear (Teddy Newton) seja sentido em sua própria jornada, escapando da vitrine onde nunca conseguiria ser brincado, a animação traz uma impessoalidade, para trabalhar com os problemas dos personagens, que soa inconsistente ao costume da franquia em ter mais coração. Quando chega no quarto de Bonnie, a sua recepção é obviamente negativa, questionado onde está o verdadeiro. Porém, a trama nunca realmente encaminha-se para a sensibilidade, mesmo os últimos segundos tentando alcançar isso.

De certa maneira, Um Pequeno Grande Erro é como um primo longínquo de Toy Story 2, mas sem aquele mesmo charme, tanto por tratar dos brinquedos enquanto marcas e não apenas peças únicas, mas também por retomar a narrativa do Buzz Lightyear (Tim Allen) trocado por um outro. Aqui, a comédia que impera. E, em razão disso, o resultado permanece engraçado à sua própria maneira, especialmente por ser parte de um mundo que soa naturalmente engraçado – os tantos brindes encontrados pelo patrulheiro especial parecem guardar passados particulares. Mas, em suma, o curta soa ser mais parecido com o caráter capitalista de Carros 2, que deveria ser o longa-metragem a o suceder na sua estreia nos cinemas. A uma animação que existe mais para vender produtos que conquistar corações, um curta que se aproxima, em essência, dessa superficialidade.

Um Pequeno Grande Erro (Small Fry) – EUA, 2011
Direção: Angus McLane
Roteiro: Angus McLane, Josh Cooley, John Lasseter
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Estelle Harris, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Teddy Newton, Angus MacLane, Jane Lynch, Timothy Dalton, Peter Sohn, Emily Hahn, Lori Alan, Josh Cooley, Jess Harnell, Bret ‘Brook’ Parker, Emily Forbes, Kitt Hirasaki, Carlos Alazraqui, Bob Bergen, Jason Topolski, Jim Ward, John Cygan
Duração: 7 min.

Festa-Sauro Rex
(Partysaurus Rex)

O último curta-metragem dentre estes três, fora os tais especiais televisivos, é também o seu mais engraçado. O pretexto nem tanto, pois a pequena participação de Don Rickles, interpretando o Sr. Cabeça de Batata, serve apenas para criticar o comportamento de Rex (Wallace Shawn) de uma maneira bobinha demais. Don Rickles sabia destroçar verbalmente as pessoas com mais graça, sem precisar necessariamente as chamar apenas de estraga-festas. Ao menos, nisso, a animação mantém-se correta em não tentar impulsionar um arco realmente mais sério. Portanto, nasce a jornada de superação do brinquedo, querendo provar que não é um Estraga-Sauro Rex, mas um Festa-Sauro Rex, incorrigível na pista de dança. Sem grandes nuances, as qualidades do curta terminam proporcionadas pela sua aderência em ser um entretenimento que só é muito engraçado.

Mas essa não é uma obra vazia em propostas, pois a animação traz uma expansão de universo que é tão criativa quanto coesa ao objetivo “minimalista” em originar sete minutos puramente hilários. É que, no curta, temos Rex provando ser um bom festeiro ao comandar uma rave eletrônica – e com muitas cores bombardeando os cenários – no banheiro da casa de Bonnie. Uma das missões mais interessantes para as crianças, ora, é a de conseguir transbordar uma banheira. Festa-Sauro Rex, nesse sentido, conquista a proeza de criar todo um universo à parte que é combinado ao traço cômico da animação organicamente. Cenas como a dos brinquedos que não conseguem boiar encantam e a animação torna-se um emaranhado de momentos malucos emaranhados a outros, criando um conjunto absurdo e, ao mesmo tempo, absurdamente divertido.

Festa-Sauro Rex (Partysaurus Rex) – EUA, 2012
Direção: Mark A. Walsh
Roteiro: Mark A. Walsh, John Lasseter
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Wallace Shawn, Corey Burton, Tony Cox, Donald Fullilove, Emily Hahn, Don Rickles, Lori Alan, Estelle Harris, John Ratzenberger, Mark A. Walsh, Timothy Dalton, Joan Cusack, Sherry Lynn, Lori Richardson
Duração: 7 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.