Crítica | Da Água Para o Vinho

estrelas 4,5

A expressão francesa “passer du coq à l’âne” (passar do galo ao asno), significa “mudar o rumo de um assunto ou de alguma coisa bruscamente”. E este é o título de um pequeno documentário dirigido por Anne Huet e Alain Bergala sobre a carreira documentarista da “mãe da Nouvelle Vague”, Agnès Varda. Em vinte minutos de encantador espetáculo, somos apresentados aos curtas, às dificuldades de produção e às motivações pelas quais a diretora passou durante a sua longa carreira, iniciada em 1954 com La Pointe Courte.

Du Coq à L’âne, já em seu formato, nos faz lembrar de algumas importantes preocupações de Varda em todos os seus filmes, ela, que também é fotógrafa: o ângulo exato, o impacto da imagem no público, o uso da imaginação para fazer o filme e as fotografias serem exibidos de maneira diferente e, claro, a perspectiva. A câmera em plongée foca uma mesa verde na qual são depositadas fotografias, cartões postais e objetos ligado à diretora, todos como motivo para a mudança brusca do assunto anterior. E intercalando esses momentos de conversa — o filme é um despreocupado triálogo entre Varda e os diretores, mas nunca vemos seus rostos, posto que a câmera nunca se move — são exibidas algumas cenas dos filmes da entrevistada.

Mas se possui uma forma simples e estática, o curta nos apresenta a composição dos quadros de modo muito eficiente e criativo. A montagem externa serve para nos indicar a passagem do tempo e, ao deslocar-se, o objeto que antes houvera sido o tema da conversa e o foco de nossa atenção muda, e eis que começa um novo ciclo, padrão que se desenvolve até o final da película. A mesma coisa se dá com a cor. Sobrepostos ao estático quadro verde — a mesa aqui assume o papel de segunda tela, já que entendemos os objetos postos ali como uma representação –, vemos desfilar uma gama de cores sobre a superfície, e então esquecemos por completo de sua existência.

Um exercício de cinema em vinte minutos, uma conversa sobre os filmes de um dos maiores nomes do cinema francês, um capricho metalinguístico, uma fotográfica homenagem a Angès Varda. Isso é Du Coq à L’Âne.

Da Água Para o Vinho (Du Coq à L’âne – Des mains et des objets (França, 2007)
Direção: Anne Huet e Alain Bergala
Roteiro: Anne Huet e Alain Bergala
Elenco: Agnès Varda, Anne Huet e Alain Bergala
Duração: 20min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.