Crítica | Dalek Empire – Big Finish Mensal #7, 11, 15 e 32

estrelas 3

O arco Dalek Empire começou a ser publicado pela Big Finish em maio de 2000 e seguiu até maio de 2002, com a publicação da 4ª e última história, The Time of the Daleks, uma aventura protagonizada pelo 8º Doutor.

É muito importante que o leitor não confunda este arco com a série spin-off da Big Finish que tem o mesmo nome. Abaixo, colocarei em ordem a sequência correta para se conferir as publicações da BF relacionadas ao Império Dalek. Ressalto que não é necessário nenhum conhecimento prévio para conferir as histórias, nem precisa ser nesta ordem. O que não aconselho é misturar as séries. Comece e termine uma para dar início a outra. Segue a sequência.

1. Dalek Empire – Arco (publicado nas edições mensais da Big Finish)

Arco composto por 4 partes/episódios (The Genocide Machine, The Apocalypse Element, The Mutant Phase, The Time of the Daleks), lançados entre maio de 2000 e maio de 2002. Este arco é o objeto da presente crítica.
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2. Dalek Empire I (ou 1ª Temporada) – Série spin-off da Big Finish

Temporada composta por 4 episódios (Invasion of the Daleks, The Human Factor, “Death to the Daleks!”, Project Infinity), lançados entre junho de 2001 e janeiro de 2002.
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3. Dalek Empire II: Dalek War (ou 2ª Temporada) – Série spin-off da Big Finish

Temporada composta por 4 partes (Chapter One, Two, Three, Four), lançadas entre janeiro e abril de 2003.
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4. Dalek Empire III (ou 3ª Temporada) – Série spin-off da Big Finish

Temporada composta por 6 episódios (The Exterminators, The Healers, The Survivors, The Demons, The Warriors, The Future), lançados entre maio e outubro de 2004.
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5. Dalek Empire: Short Trips – Antologia de contos

Livro com 10 contos lançados em 22/12/2006.
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6. Return of the Daleks

Lançado pela Big Finish como episódio especial, este capítulo acontece entre os episódios The Human Factor e “Death to the Daleks!”, da 1ª Temporada de Dalek Empire.
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7. Dalek Empire IV: The Fearless (ou 4ª Temporada) – Série spin-off da Big Finish

Temporada composta por 4 episódios (Partes 1 a 4), lançados entre outubro de 2007 e janeiro de 2008.
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A presente análise mostra a visão de todo o evento do arco Dalek Empire, embora eu faça citações específicas de cada uma das 4 partes e siga a ordem cronológica de lançamento dos episódios como linha-base de organização dos fatos.

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Dalek Empire – Parte 1

O arco Império Dalek, espalhado pelas edições #7 (The Genocide Machine), #11 (The Apocalypse Element), #15 (The Mutant Phase) e #32 (The Time of the Daleks) da Doctor Who Mensal, na Big Finish, funciona mais como um “enquanto isso…” em relação à série spin-off do que como uma aventura independente e autossuficiente. Todas as 4 histórias foram dirigidas por Nicholas Briggs, que também escreveu o roteiro de The Mutant Phase, mas não vemos nenhuma relação orgânica entre as tramas ou mesmo a tentativa de criar um elemento importante mostrando a conquista do Universo pelos vilões e a formação do tal “Império” do título.

Com essa falha relação entre os roteiros, entendemos o Império Dalek apenas a partir de suas influências na linha do tempo de alguns Doutores, tornando a sequência de aventuras mais um “caso do mês” para ser resolvido, algo que funciona bem como concepção nas edições mensais da Big Finish mas não deveria ser vista em um arco sobre um tema tão importante.

Dalek Empire – Parte 2

A conquista do espaço e do tempo pelos Daleks é uma questão antiga em Doctor Who, talvez manifestada de forma clara pela primeira vez em The Dalek Invasion of Earth. Ainda nos primeiros anos da série vimos eventos como os de The Chase e The Daleks’ Master Plan que nos mostram as tentativas desses vilões em firmarem seu domínio no Universo, às vezes com um interesse particular pela Terra.

Mas em Império Dalek não vemos explorada nenhuma dessas questões e, para piorar as coisas, a aventura termina com uma história localizada numa timeline alternativa da Terra, onde os Daleks (percebam a estupidez!) sequestram William Shakespeare ainda criança e tentam forçar o 8º Doutor a realizar parte de um grande experimento. Nem é preciso dizer que esta The Time of the Daleks não é só a pior história do arco como também uma das tramas mais vazias de significado e um grande desperdício de talento que a Big Finish já produziu. A questão técnica (exceção às vozes dos Daleks) é boa, e as atuações, especialmente de Paul McGann, são excelentes, mas o roteiro é uma afronta à inteligência do público.

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As outras três histórias mostram de maneira mais eficiente parte dessa conquista dos Daleks através do tempo e do espaço. Mesmo que não exista uma ligação orgânica entre elas, como já dissemos, pelo menos um elemento em comum ou uma intenção de caminho se faz ver, às vezes de maneira sutil, em cada uma delas, que, em termos de qualidade, acaba tendo The Mutant Phase como sua principal, além de ser uma interessante história de terror, mais ou menos no estilo de O Senhor das Moscas e trazendo à tona elementos vistos anteriormente em The Land of the Dead.

A despeito do péssimo fechamento, Império Dalek conserva uma boa dose de humor e conteúdo em suas três primeiras histórias, o que faz com que o arco não se perca de todo. A Big Finish exagerou ao denominar tais eventos como parte de um único bloco, mas pelo menos em seu início conseguiu realizá-lo de forma no mínimo interessante.

Dalek Empire – Parte 4 (Final)

Não existem aqui informações vitais ou mesmo avanços consideráveis na história dos Daleks e seu Império. O arco é mais uma sequência de “ações do meio o caminho” que aconteceram (ou acontecerão) enquanto os vilões empreendiam sua conquista do Universo. Se a história vale a pena? Em termos de curiosidade e entretenimento (no caso da tríade inicial), sim. Mas em termos canônicos e levando em consideração o arco como um todo, digamos que os whovians não irão morrer se nunca ouvirem essa saga…

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.