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Crítica | Dampyr – Vol. 10: Casa de Sangue

Enfrentando um tormento arquitetônico.

por Luiz Santiago
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É a primeira vez de Harlan Draka em Paris. O dampiro foi atraído para esta cidade por um pensamento que ele não sabia muito bem como definir, mas que se revelaria uma missão de salvamento, não apenas de uma pacífica criatura da noite, mas de indivíduos inocentes que simplesmente se perdiam nos cômodos da Casa de Sangue do título, ou, como deve ser melhor definida, a Maison Enfer. Nesta história, Maurizio Colombo nos apresenta dois vampiros importantes, a adormecida Araxe — o fato de ela entrar em um estado de hibernação/letargia por muitas e muitas décadas, para não ter que se alimentar de sangue humano, já nos dá mais informações do poder dos vampiros que não tínhamos na série até o momento — e Verdier, um outro Ser da noite… não tão simpático.

Confesso que a “mudança de assunto” do restante da história em relação à sua cena de abertura me frustrou um pouco. Eu achei a primeira cena de Casa de Sangue imensamente poderosa e interessante, com um garotinho que vê desenhos amedrontadores nas paredes do quarto querendo atacá-lo; ou um prédio inteiro povoado por criaturas capazes de devorar pessoas. Me lembrou um pouco AHS: Hotel ou diversas outras tramas que exploram espaços amaldiçoados, capazes de atormentar e trazer o fim para as pessoas em seu interior. Confesso que se a ventura seguisse por esse caminho, o resultado seria bem mais interessante para mim. Especialmente se o ponto de vista continuasse sendo o do garotinho.

É verdade, porém, que não existe uma fuga de tema. Entendo que a intenção do escritor foi fazer uma apresentação forte do espaço que dá título ao drama e, a partir dessa situação inicial, desenvolver algo que ligasse o Dampyr ao local. Mas há uma grande diferença no caráter dessas duas histórias, daí vem a minha maior frustração. De todo modo, pude aproveitar com gosto esse encontro de Harlan com a vampira Araxe e deixo como destaque a fantástica luta final entre o protagonista e a casa, que simplesmente mostra-se em todo o seu horror vivo, representado de modo afinadíssimo pela arte de Alessandro Baggi.

O lado amoroso entre a vampira adormecida e Victor, um velho parisiense, também não me atraiu muito, apesar de não ser um aspecto ruim da história. Nessas aventuras, já estou acostumado com Harlan encontrando uma espécie de guia local e, com ele, conhecendo uma faceta diferente da humanidade, bem como de sua relação com alguma criatura sobrenatural. Victor é um romântico fora de seu tempo, salvo do suicídio por Araxe e completamente devotado a ela (ou ao seu espírito, espectro, projeção). É uma existência um tantinho patética, mas é um status de servidão que já presenciamos em algumas histórias de vampiros na literatura e no cinema, então, nada de novo. Fica no ar, todavia, a perspectiva de um encontro futuro entre Draka e Araxe, que, até onde tudo indica, não presente acordar e sair sugando sangue humano de novo… ou causar problemas para o Dampyr. Vamos ver se essa postura irá se manter no futuro.

Dampyr – Vol. 10: Casa de Sangue (Casa di Sangue) — Itália, janeiro de 2001
Editora original: 
Sergio Bonelli Editore
No Brasil: 
Editora 85 (2019)
Roteiro: Maurizio Colombo
Arte: Alessandro Baggi
Capa: Enea Riboldi
100 páginas

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