Crítica | Dani Futuro: Expedição Perdida, Cyborg, Tubarão Assassino e Destino – Amanhã

Carlos Gimenez - Dani Futuro #1 (de 7) - plano critico

Dani Futuro é o apelido de Daniel Blancor, um herói adolescente dos quadrinhos espanhóis criado por Victor Mora e Carlos Giménez, com estreia na Gaceta Junior #63, de 25 d dezembro de 1969, tendo depois outros periódicos de publicação, sendo o mais icônico deles, a revista Tintim. Filho de um cientista do século XX, Dani sofreu um acidente com o hidroplano que o levava para visitar o pai no ártico, em 1970. Ele caiu em uma gruta no mar e. por motivos misteriosos (há aqui inspiração em Capitão América, embora qualquer semelhança com o bandeiroso termine aqui) foi congelado em um bloco de gelo, sendo acordado pelo famoso cientista Dosian, 135 anos depois.

Em Destino: Amanhã (Destino, Mañana), temos a história de origem do personagem, que se inicia no momento do embarque no hidroavião e termina com ele já no ano de 2105, onde a humanidade domina longas viagens espaciais, faz conferências na Lua e onde a medicina e a ciência chegaram a um nível em que é possível reviver corpos congelados (embora nessa história o texto indique um “sono” de Dani, algo como uma “animação suspensa” dele no gelo).

Apesar de a história ser interessante e nos mostrar a confusão de um garoto que acorda mais de um século à frente de seu tempo, o grande destaque, sem dúvida, é a sensacional arte de Carlos Giménez, que representa em diversos níveis de finalização os primeiros momentos de Dani neste “novo mundo”. Apesar da marcação de “fim do episódio”, a história não termina e infelizmente tem um caminho final muitíssimo abrupto com um chamado urgente de Iris para Dani, ligando-se diretamente à aventura seguinte, O Tubarão Assassino.

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A história O Tubarão Assassino (El Tiburón Asesino) se dá logo na sequência de Destino: Amanhã, quando Iris leva Dani para conhecer os golfinhos treinados para entender a linguagem humana e falar algumas sílabas. A trama não é, a rigor, sobre o “tubarão assassino” do título, mas infelizmente esta parte torna o enredo bem menos interessante. Isso porque, mesmo que esta sociedade do futuro não mate mais animais para comer — o que faz sentido dentro dos valores estabelecidos na saga — é absurdo cobrar esse comportamento dos animais, de modo que a ação com o tubarão aqui só se salva pela arte de Giménez.

A segunda parte, com a ida de Dani e Iris para a Lua, é que realmente salta aos olhos, não só pelos maravilhosos desenhos, mas também pela forma como nos introduz às muitas possibilidades desse futuro da Terra, tanto em tecnologia quanto em alcance de valores morais e éticos. Uma pena que a trama seja muito curta nesta segunda parte. Poderíamos continuar com coisas bem mais relevantes do que a “crítica” a um tubarão chamado de assassino só porque que estava pescando o almoço…

Cyborg é a única história deste bloco escrita por um roteirista que não Victor Mora. Um pouco maior que as outras e com um projeto interessante de colonização, interação entre espécies diferentes e o mito do bom selvagem, esta aventura de Luis Vigil García coloca Dani, Iris e os exploradores da nave Galaktos II em órbita do Asteroide NGS-83736, onde os adolescentes, após autorização do tio da garota, saem para explorar e encontram vida humanoide, com seres muito pequenos, de olhinhos grandes e rosto peculiar.

A aventura gira em torno do referido Cyborg e avança por caminhos um pouco fáceis demais, algo que entendemos perfeitamente pelo fato de esta ser uma aventura infanto-juvenil. Este é um caso em que não havia necessidade de uma trama tão grande, pois os problemas em cena tendem a ser exagerados apenas para marcar um ato heroico que não é tão heroico assim, ainda mais considerando que a ideia vem de um adolescente de mais de um século antes, isso diante de uma equipe de cientistas do ano 2035! É no mínimo incoerente, mas não é ruim. Há um charme muito grande na história, a maior parte dele novamente conseguido pela excelente arte de Giménez.

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Encerrando esta antologia temos A Expedição Perdida (La Expedición Perdida), quando um amigo do Dr. Dosian, o Capitão Repolho chega à ilha onde estão Dani e Isis e diz ter captado um sinal de SOS vindo de uma expedição perdida há quinze anos. A história é claramente inspirada em O Senhor das Moscas, mas não tem o caráter exatamente crítico e forte que tem aquela história. Existem claras referências ao canibalismo aqui, assim como ideias sobre distintos modos de civilização, considerando crianças vindas de uma sociedade, posteriormente isoladas e criando modos opostos de desenvolvimento de grupo. A história é curta e a aventura na selva do planeta, onde o resgate é feito, ganha total atenção, embora não haja nada demais na sequência ou estrutura dos fatos. Mais uma vez destaca-se com louvor apenas a arte de Carlos Giménez.

Dani Futuro apresenta elementos de ficção científica para o público infanto-juvenil da forma mais atraente possível, trabalhando com muita suspensão da descrença, visitas a diversos lugares e presença de personagens bizarros que chamarão a atenção de diferentes grupos (o robô-caseiro Jorge é um exemplo fora dos personagens humanos). Um marco da banda desenhada europeia e um dos mais icônicos quadrinhos espanhóis.

Dani Futuro (Espanha, 1969 – 1970)
Compilado: Dani Futuro #1: 4 Histórias Completas (Planeta De Agostini, Argentina, 1998)
Roteiro: Victor Mora (todas, exceto Cyborg), Luis Vigil García (apenas em Cyborg)
Arte: Carlos Giménez
51 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.