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Crítica | Dano Colateral

Quando um policial vira criminoso.

por Rodrigo Pereira
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Capitão Harun, protagonista de Dano Colateral, observando com semblante tenso.

Recém premiado como policial do ano e prestes a receber uma promoção, o capitão Harun (Yılmaz Erdoğan) se envolve em um incidente fatal logo após o jantar de comemoração com sua equipe. Com medo de como o acontecimento possa impactar em sua reputação e em sua inevitável ascensão no trabalho, ele não reporta a morte e torce para que o caso seja encerrado. O que o policial não esperava é que o corpo amanhecesse pendurado em um guindaste no meio da cidade de Istambul e em frente a delegacia. Os eventos de Dano Colateral começam a se desenrolar e mostram que Harun está no meio de uma trama muito mais complexa do que parece.

Dirigido por Türkan Derya, o filme turco é mais uma produção internacional da Netflix que tenta repetir o sucesso de outras obras de fora dos Estados Unidos, como a série sul-coreana Round 6 e o também turco Milagre na Cela 7. Para tanto, é preciso, além de todo o trabalho de divulgação, que haja qualidade na obra referida, algo escasso em Dano Colateral.

Se por um lado temos uma imprevisível reviravolta no final (e bastante interessante levando em conta como a direção constrói o núcleo do protagonista), logo na sequência de abertura fica evidente quem ocupará o posto de vilão no jogo da vingança. Não seria necessariamente um problema caso não houvesse a tentativa de criar um mistério em torno da previsível identidade da antagonista, que só seria revelada totalmente ao final do segundo ato do filme.

Outro ponto bastante incômodo, talvez o pior de toda a projeção, é a utilização da trilha sonora. Não bastasse a falta de criatividade na composição da trilha, que parece se repetir incansavelmente do início ao fim, seu uso é exagerado, sendo quase mais fácil contar em quantas cenas não há sua presença. O resultado disso é a tentativa falha de transformar momentos absolutamente comuns em algo grandioso. Ao se mostrar presente a todo instante, cria-se situações quase que constrangedoras, como o capitão Harun simplesmente olhando pela janela de seu escritório acompanhado de uma melodia tão intensa que chegamos a nos preparar para algum acontecimento perigoso, algo que nunca ocorre e a fita segue sem maiores preocupações.

Para não dizer que não há nada de positivo na obra, a forma como se constrói uma relação familiar entre Harun e sua equipe é elogiável. Toda a felicidade durante o jantar de comemoração, a forma de chamar uns aos outros de irmãos e filhos, os gestos de carinho e afeto e a preocupação mútua contribuem para uma atmosfera familiar bastante forte entre todos, ainda que haja um destaque maior para Yadigar (Rüzgar Aksoy) e Tuncay (Cem Yiğit Üzümoğlu) do que aos demais membros da equipe. Inclusive, é justamente essa atmosfera que torna os acontecimentos finais e decisivos da trama tão pesados e difíceis de encarar.

Dano Colateral não se encaixa como algo detestável, mas também pouco faz para receber mais elogios. Com uma premissa de vingança interessante, mas que acaba mal executada e estraga boa parte do suspense por conta de sua previsibilidade, é um filme que fica na zona da mediocridade. Nem tanto para lá ou para cá, simplesmente uma obra morna.

Dano Colateral (Kin/Grudge) – Turquia, 2021
Direção: Türkan Derya
Roteiro: Yılmaz Erdoğan
Elenco: Yılmaz Erdoğan, Ahmet Mümtaz Taylan, Cem Yiğit Üzümoğlu, Duygu Sarişin, Rüzgar Aksoy, Metehan Parıltı, Yosi Mizrahi, Elif Gizem Aykul, Ümit Belen
Duração: 104 min.

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