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Crítica | DC Versus Marvel / Marvel Versus DC

por Ritter Fan
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Houve uma época em que os chamados intercompany crossovers entre Marvel Comics e DC Comics foram razoavelmente comuns. Superman e Homem-Aranha, Batman e Hulk, Liga da Justiça e Vingadores e Novos Titãs e X-Men batalharam entre si e formaram alianças desde 1976, mas nunca os universos como um todo se cruzaram. Essa foi, portanto, a proposta de DC Versus Marvel/Marvel Versus DC, minissérie em quatro edições (cada duas com uma das editoras à frente do título), publicada em 1996.

Considerando a ambição de algo assim, chega a surpreender que Peter David e Ron Marz, que se revezaram no roteiro, tenham conseguindo comprimir tudo em pouquíssimas edições. Para conseguir isso, porém, eles tiveram que fazer sacrifícios e eles acabaram escolhendo reduzir o tempo das lutas, desapontando muito nesse quesito, já que elas, em sua grande maioria, não duram mais do que duas páginas, algumas menos. Claro que, à época, a brilhante ideia de deixar os leitores votarem nos ganhadores de metade dessas rinha de galo trouxe enorme atenção à história e talvez tenha contribuído para o pouco espaço que as pancadarias tiveram, mas teria sido muito mais interessante se eles tivessem ampliado a história para abrir espaço para o que realmente interessa.

Por outro lado, chega a surpreender o que David e Marz criaram como “desculpa” para permitir a fusão de universos. No lugar de arrumar uma razão que se originasse de dentro dos respectivos universos, os roteiristas foram ousados e criaram duas entidades cósmicas novas, cada uma representando um dos universos em quadrinhos. Pouco importa entender a hierarquia das duas em relação às entidades já estabelecidas, mas basta dizer que a reunião do Espectro com o Tribunal Vivo não foi suficiente para derrotar os dois irmãos que decidem colocar seus respectivos universos para lutar, com o resultado sendo que o perdedor desfaria seu universo.

Não satisfeito com isso, eles estabeleceram, ainda, a existência de humanos que servem de “ponte” entre universos, com especial destaque para um que acaba sendo batizado de Acesso. É por meio de suas atitudes, com os universos se fundindo desde a primeira página da minissérie, que os desdobramentos vão acontecendo, incluindo o famoso Universo Amálgama que, como o nome diz, consiste na fusão dos super-heróis de cada lado, como por exemplo Batman e Wolverine formando o Garra das Trevas, Dentes de Sabre e Coringa formando o Hiena, Superboy e Homem-Aranha (Ben Reilly) formando o Garoto-Aranha, Superman e Capitão América formando o Super-Soldado e assim por diante e que foram brindados com spin-offs divertidos muito na linha do que a Marvel fez recentemente como resultado de Guerras Infinitas.

Portanto, de certa maneira, a complexidade da origem da fusão entre universos compensa a falta de espaço para os grandes embates. Mas apenas de certa maneira, pois é inegável que uma luta titânica entre Superman e Hulk merecia mais do que alguns quadros em uma página. Pior ainda, cada luta dessas ganha um resultado relativizado pelo vencedor, na linha de “só ganhei porque ele foi nobre” ou “porque ele não usou todo o poder possível” e assim por diante, faltando um pouco de coragem para simplesmente ir até o fim nas lutas. E não, não estou falando em matar personagens, pois isso é completamente desnecessário, mas sim fazer as pancadarias ganharem os contornos épicos que mereciam, sem barreiras artificiais ou resultados que são racionalizados.

No lápis, Dan Jurgens e Claudio Castellini se revezaram, com o mesmo acontecendo nas tintas com Josef Rubinstein e Paul Neary. O resultado, apesar de muito tumultuado especialmente nas lutas, com os balões de fala interferindo na apreciação das páginas, é eficiente. Claro que temos que levar em consideração de que se trata de uma minissérie dos anos 90 e isso significa que o maldito estilo exagerado da época foi carregado para cá, com direito, claro, a Superman de cabelão e, pior do que tudo, Thor como aquele uniforme tenebroso de drag queen. Mas esse é o preço da época em que o crossover foi feito, pelo que não há muito jeito.

DC Versus Marvel teve ambição, mas não teve o espaço que merecia, o que levou ao sacrifício do principal: as lutas. Mas David e Marz surpreendentemente criaram entidades cósmicas interessantes que abrem a possibilidade para um repeteco no futuro. Seria sensacional voltar a ver os dois universos entrando em choque, mas, se isso acontecer novamente, tomara que não haja limites para a pancadaria.

DC Versus Marvel / Marvel Versus DC (Idem, EUA – 1996)
Contendo: DC Versus Marvel / Marvel Versus DC #1 a 4
Roteiro: Peter David, Ron Marz
Arte: Dan Jurgens, Claudio Castellini
Arte-final: Josef Rubinstein, Paul Neary
Letras: Bill Oakley
Cores: Gregory Wright
Editoria: Mike Carlin, Mark Gruenwald
Editora original: Marvel Comics, DC Comics
Data original de publicação: fevereiro a maio de 1996
Editora no Brasil: Editora Abril
Data de publicação no Brasil: março a abril de 1997
Páginas: 140

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