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Crítica | De Volta para o Futuro Parte III

por Ritter Fan
444 views (a partir de agosto de 2020)

Mas que coisa mais prazerosa é essa Trilogia De Volta para o Futuro. Circular, bem acabada, com ótimas atuações. Vista em seu conjunto é, facilmente, uma das melhores trilogias já feitas, ainda que a Parte II sofra com a velocidade vertiginosa de seu roteiro.

Na Parte III, filmada back-to-back com a Parte II e lançada nos cinemas apenas seis meses depois, Robert Zemeckis e Bob Gale fecham com chave de ouro a história de Marty McFly (Michael J. Fox) e Doc Brown (Christopher Lloyd) e suas aventuras temporais. Como visto no final do filme anterior, Doc Brown foi arremessado ao ano de 1885 e Marty fica preso em 1955, tendo que recorrer ao Doc Brown da época para ajudá-lo a ir mais ainda para o passado de maneira a salvar o doutor da morte certa pelas mãos do infame Buford “Mad Dog” Tannen (Thomas F. Wilson), antepassado, claro, do eterno vilão Biff.

O ritmo da história mantém uma cadência muito superior à da Parte II, com uma narrativa bem menos frenética e sem recortes com pulos temporais. É uma história substancialmente linear que, assim como o segundo filme, faz uso da familiaridade dos espectadores com a mitologia da franquia, além de brincar com os estereótipos do gênero Western. Novamente somos apresentados à Hill Valley e novamente passeamos pelos pontos mais característicos da cidade em formação. O grande ponto de convergência é o famoso relógio que, pela primeira vez, vemos fora da fatídica torre que seria atingida por um raio em 1955.

Mas somos apresentados, também, aos antepassados de Marty, os imigrantes irlandeses de bom coração Seamus McFly (o próprio Fox) e Maggie McFly (Lea Thompson reprisando seu papel) que acolhem Marty – ou Clint Eastwood, como preferir – em sua fazenda. As características da imigração irlandesa e a “conquista do Oeste” estão todas lá, com o casal lutando para manter a fazenda, não sendo aceito pelos habitantes locais e funcionando como o que esperamos de personagens assim em faroestes clássicos. Mad Dog Tannen também é o estereótipo do vilão de filmes do gênero, com seu enorme bigode, roupas escuras e pose de valentão. É impressionante como Gale e Zemeckis trabalham naturalmente cada personagem, reapresentando-os ao espectador sem qualquer solução de continuidade.

A novidade fica mesmo por conta da introdução da professora Clara Clayton (a bela Mary Steenburgen) na estrutura narrativa como interesse romântico de Doc Brown, que considera o amor ilógico. A interação entre os dois é excelente, com um Doc sem palavras e arrebatado pela moça que salva da morte, potencialmente mudando o futuro. O papel de Steenburgen na história é orgânico e verdadeiramente importante, dando o início a uma cadeia de eventos que deságua no epílogo da fita.

Dentro de um ambiente familiar como esse, tanto os atores quanto Zemeckis e Gale estão à vontade. Com isso, há espaço para muitas brincadeiras com o faroeste em geral. Há a reprodução da famosa sequência final de Por Um Puhado de Dólares, o primeiro filme da Trilogia dos Dólares de Sergio Leone, filme esse que é assistido pelo Biff do 1985 alternativo de De Volta para o Futuro Parte II em um belo foreshadowing. Há também a ótima sátira feita a westerns clássicos em que os heróis se vestiam em completo descompasso com a realidade, por intermédio da ridícula roupa rosa de cowboy que Mary veste.  Há nativos caçados pela cavalaria. É um deleite procurar as referências do gênero nessa ficção científica inigualável.

Se existe um defeito, ele fica circunscrito à sua duração, que poderia ser levemente mais curta, com cortes em sequências como a do trem em direção ao desfiladeiro e a do bar, com Doc Brown preparado para tomar um porre. Mas, muito sinceramente, trata-se de preciosismo, pois o resultado final equilibra ação com romance e com apuro visual de maneria tão eficiente quanto o clássico original.

De Volta para o Futuro Parte III é uma aula de como se fechar uma trilogia. Um prazer cinematográfico como poucos.

De Volta para o Futuro Parte III (Back to the Future Part III, EUA – 1990)
Diretor: Robert Zemeckis
Roteiro: Bob Gale
Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Mary SteenBurgen, Thomas F. Wilson, Lea Thompson, Elisabeth Shue, Matt Clark, Richard Dysart, Pat Buttram, Harry Carey Jr., Hugh Gillin, Donova Scott, Flea, J.J. Cohen, Ricky Dean Logan, Kale Henley, James Tolkan
Duração: 118 min.

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17 comentários

André 31 de agosto de 2020 - 23:41

Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, para mim foi a conclusão ideal para uma trilogia muito bem escrita e divertida.

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planocritico 1 de setembro de 2020 - 15:22

Um filmaço, sem dúvida alguma!

Abs,
Ritter.

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TriciaGuima 3 de fevereiro de 2019 - 01:29

Uma correção, o nome da tataravó de Marty não é Lorraine (esta é a mãe dele) e sim Maggie McFly. Adorei todas as críticas dos três filme, se senti falta de você falar do final, sobre o acidente que não ocorreu, mas o resto adorei

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planocritico 8 de fevereiro de 2019 - 16:27

Tem toda razão! Corrigido!

Abs,
Ritter.

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andre99249 . 5 de maio de 2017 - 01:47

Por que eu demorei tanto para assistir este terceiro depois dos dois primeiros nunca vou entender…se tornou meu favorito da trilogia só momentos icônicos…referências fantásticas aos Westerns e aquela cena de Taxi Driver hahaha..

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planocritico 5 de maio de 2017 - 11:53

@andre99249:disqus , é um filmaço mesmo! Você tinha visto os outros dois mas não esse?

Abs,
Ritter.

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Gabriel Carvalho 4 de março de 2017 - 15:28

Só vim para essa crítica para afirmar como eu amo esse filme. Faroeste e Ficção Científica em perfeita sintonia, como bem apontado.

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planocritico 4 de março de 2017 - 17:26

Registrado, @disqus_HrYi9xZvdi:disqus !

Essa trilogia toda é maravilhosa!

Abs,
Ritter.

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planocritico 4 de março de 2017 - 17:26

Registrado, @disqus_HrYi9xZvdi:disqus !

Essa trilogia toda é maravilhosa!

Abs,
Ritter.

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Dalmo Junior 27 de março de 2015 - 23:25

eu gostei mais do segundo que vi no video cassette(a globo anunciou depois junto com o 3º filme naquelas chamadas de filmes mais esperadas do inicio de ano)com os amigos e por isso me marcou bastante(e aquele skate voador).mas o terceiro também é bom como se fosse uma despedida dos personagens que aprendemos a gostar.

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planocritico 28 de março de 2015 - 04:27

Olá, @dalmojunior:disqus! Quando se tem uma experiência marcante dessas em algum momento da vida, a nostalgia sempre baterá mais forte. Se sua experiência com a Parte II teve esse “elemento agregado”, com certeza é essa parte que ficará para sempre no seu coração. Mas a trilogia toda é muito boa, um conjunto raro de se ver por aí.

Comente sempre!

Abs,
Ritter.

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Samara Luz 25 de março de 2015 - 19:55

Eu sinto muitas saudades dessa trilogia mas para mim nenhum supera o primeiro filme, com efeitos inovadores e incríveis para a época fiquei maravilhada com o que eu assisti e o jeito com que deixou nos espectadores um gostinho de quero mais.
mesmo eu não sendo desta época eu amo o universo do cinema antigo e dos clássicos, e esse é um dos filmes que comprova minha teoria sobre os filmes novos : Os filmes antigos sabiam colocar filmes com quadros de cenas em que todas eram necessárias para se entender os filmes.
Os da atualidade colocam cenas de sexo,desnecessárias e essa trilogia é a prova disto, que sexo é algo desnecessário nos filmes.

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planocritico 26 de março de 2015 - 11:30

@samaraluz:disqus, também tenho saudade dessa trilogia, mas o bom é que podemos ver sempre que quisermos. E sobre os filmes mais antigos, em geral, pelo menos para os chamados blockbusters, a forma de fazê-los realmente se tornou pasteurizada e simplista. Havia mais preocupação com os detalhes antes, um resquício de arte que hoje talvez não apareça com tanta frequência.

Abs,
Ritter.

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Augusto 20 de março de 2015 - 20:04

Não sei o porquê, mas esse é o filme que eu menos gosto da trilogia, eu não lembro dele direto e sempre que vejo acho um pouco cansativo (é um ótimo filme, mas não me marcou tanto quanto os outros). O primeiro De Volta para o Futuro ainda é meu favorito. E, como sempre, ótima crítica (por mais que eu não concorde com a nota, hehehe).

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planocritico 21 de março de 2015 - 20:31

Obrigado, @disqus_6btkJ6PNDF:disqus. Eu também acho o primeiro melhor. Mas o terceiro, por misturar tão bem ficção científica com faroeste, fica logo atrás. A nota é igual, pois a diferença é menor que meia estrela.

Abs,
Ritter.

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Kid Dracula 19 de março de 2015 - 20:10

Concordo em gênero , numero e grau com as três criticas aos referidos filmes.Claro que , meu fanboyzismo para com a trilogia torna minha opinião no minimo suspeita : D
Valeu Ritter, suas criticas são muito boas e fogem do lugar-comum.

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planocritico 20 de março de 2015 - 16:44

@disqus_6SXWHgvi1m:disqus, muito obrigado por seu elogio! São comentários assim que me dão energia para continuar com a quantidade de críticas que publico semanalmente! Valeu mesmo!

Sobre seu fanboyzimos, fique tranquilo pois De Volta para o Futuro merece todo o fanboyzismo do mundo. Que trilogia maravilhosa!

Abs,
Ritter.

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