Crítica | Dead of Summer – A Série Completa

Com a estreia da nona temporada de American Horror Story, o subgênero slasher comprovou mais uma vez ser um dos mais rentáveis da indústria audiovisual contemporânea. A cada geração, psicopatas novos, motivados por questões diversas, pululam na televisão e nas telas dos cinemas. Nos meandros televisivos, por exemplo, são vários os programas que se dedicaram na aposta do slasher como centralidade narrativa, mesmo quando traços de outros estilos surgem mixados. Dead of Summer, programa de apenas uma temporada, investiu na temática, tendo como traços gravitacionais alguns elementos sobrenaturais.

O resultado, infelizmente, ficou bem abaixo do esperado, pois a série foi vendida como uma versão turbinada da franquia slasher mais popular da história recente do cinema, isto é, a saga de Jason em Sexta-Feira 13. O clima de acampamento, os personagens incautos, o lago misterioso e as frondosas e misteriosas florestas indicavam uma releitura de tudo que já havíamos visto antes. No entanto, os realizadores perderam a mão e entregaram uma série conduzida por eventos insossos, excessos de subtramas resolvidas sem esmero, personagens pouco carismáticos e, o pior de todos os seus pecados, a falta de ritmo para que pudéssemos ficar conectados.

Os acontecimentos entre um episódio e outro parecem uma eternidade. Quando uma reviravolta surge, já estamos pouco interessados. Com episódios dirigidos por Mick Garris, Ron Underwood e Steve Miner, a série criada por Ian Goldberg, Adam Horowitz e Edward Kitsis aborda um retorno nostálgico ao clima slasher dos anos 1980. Na trama, o acampamento Still Water é reaberto por Deb Carpenter (Elizabeth Mitchell) alguns anos após o seu fechamento. Para a nova empreitada, vários monitores são chamados para desenvolver trabalhos, em especial, a novata Amy (Elizabeth Lail), alguém que tal como Deb, parece ter muitos segredos obscuros.

No dia que antecede a chegada das crianças, o corpo de um dos funcionários aparece no lago. Quem ou o que matou? O que está por detrás do assassinato? Pelo visto, o passado traumático do local, envolto numa nebulosa história sobre suicídio em massa ocorrido durante a permanência de Holyoke (Tony Todd) como líder de um culto satânico do século XIX, voltou com toda força em 1989, ano que demarca o ponto de partida da série. Na condução musical de Joseph Trapanese, a textura percussiva cumpre bem o seu trabalho, somada ao excesso de jumpscare.

Os figurinos de Alissa Swanson emulam adequadamente a década em questão, juntamente com o design de produção assinado por Michael Joy e Tony Wohlgemuth. Os cenários de Mark Lane e a direção de arte cuidadosa de Megan Ross também cumprem bem as suas funções, mas fazem muito pouco diante dos problemas de ordem dramática. Tony Mirza faz um bom trabalho na captação de imagens e na condução da câmera pelos espaços, mas tal como os demais setores, a direção de fotografia não consegue driblar desordens vibrantes do próprio texto que mistura exorcismo, tábua ouija, assassinatos em série e outros elementos do terror.

Exibida entre 28 de junho e 30 de agosto de 2016, Dead of Summer peca por seu excesso de subtramas e mescla indigesta de gêneros. É a velha fórmula que tenta agradar grande quantidade de pessoas, mas acaba naufragando em suas intenções. Numa pegada Acampamento Sinistro, o último episódio foi dirigido por Steve Miner, responsável por Sexta-Feira 13 Parte 2 e Parte 3, além do dinâmico Halloween H20 – Vinte Anos Depois, cineasta consciente da força de sua experiência no subgênero que marcou a sua carreira mediana. Mesmo com o seu empenho, o desfecho não consegue salvar as promessas não atendidas do conjunto.

Dead of Summer – A Série Completa – EUA, 28 de junho e 30 de agosto de 2016
Showrunners: Ian Goldberg, Adam Horowitz , Edward Kitsis
Direção: Mick Garris, Ron Underwood , Steve Miner
Roteiro: Ian Goldberg, Adam Horowitz , Edward Kitsis
Elenco: Elizabeth Mitchell, Tony Todd, Elizabeth Lail, Amber Coney, Alberto Frezza, Eli Goree, Ronen Rubinstein, Paulina Singer, Zelda Williams, Charles Mesure
Duração:  45 min (cada episódio – 10 episódios no total)

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.