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Crítica | Deadpool (Game, 2013)

por Anthonio Delbon
316 views (a partir de agosto de 2020)

Deadpool completa 25 anos de idade em fevereiro de 2016, contando sua primeira aparição na edição 98 dos Novos Mutantes, em 1991. Se há algum herói/anti-herói que cresceu em popularidade nos últimos anos, sem dúvida se tratará do mercenário tagarela. É nesse sentido que o game que leva seu nome, lançado em 2013, tentou aproveitar o início da “moda Deadpool” para emplacar, o que só contribuiu para mais uma adição à prateleira de games fracos, sem criatividade e extremamente cansativos, direcionados para um público específico e não muito exigente no que diz respeito ao entretenimento servido.

Desde os menus cômicos, ao humor negro de piadas envolvendo inúmeros X-Men, o jogo trata, felizmente, de mostrar um personagem fiel ao dos quadrinhos, o que pode ter ajudado, ainda que pouco, em um renascimento da figura ao grande público, o mesmo acostumado com a aberração de X-Men Origens: Wolverine. Se você é fã de Wade Wilson, o jogo será, no máximo, razoável. Se você nem sequer conhece, talvez o jogo até seja melhor, mais longevo, pelo menos, devido ao tempo maior em que se suportará as piadas infames. Mas é só. Deadpool é um game de início de Playstation 2 feito para os últimos anos de Playstation 3. É triste.

A partir do momento em que as piadas – que até soam naturais e abusam da variedade de besteiras vistas nas HQs – se tornam repetitivas, nada te fará continuar jogando esse limitadíssimo beat’em up em terceira pessoa. A ideia de que as espadas e as armas de Wade dariam certo em um gameplay são simplesmente ridículas. Nenhum gamer aguenta mais um jogo sem dificuldade, com combos tão artificiais quanto os cenários e o level design. Dá enjoo apenas de lembrar… passou-se muita vista grossa à época de seu lançamento, muito porque o aspecto cool de anti-herói, por destoar tanto do universo dos super-heróis, traz instantaneamente um sorriso no rosto de quem o vê pela primeira vez. A quebra da quarta parede é cômica, sim, principalmente nas interações com o enfadonho Cable. Por tirar sarro do próprio gênero de games – a piada com o pulo duplo é genial –  do qual faz parte, Deadpool merece reconhecimento. Mas esse reconhecimento para aqui.

As piadas certamente seriam melhor se o próprio game não incidisse na piada feita – a de um jogo de ação ruim com clichês aos montes. Passa-se uma sensação de tentativa de esperteza, de uma piada bem pensada, mas extremamente mal realizada. Uma história poderia salvar, mas isso é sério demais para um game “tão” engraçado. Nolan North, um dos maiores atores de voz da indústria, faz trabalho memorável, mas pouco consegue fazer em um contexto geral.

A boa notícia é que o game dura de três a quatro horas. A trilha sonora permeada de rock também consegue te levar por esse tempo, ainda que passada a primeira hora um verdadeiro martírio parece se iniciar. Encher a tela de inimigos com precária inteligência artificial e apostar em controles simplórios são táticas extremamente ultrapassadas para passar alguma adrenalina em jogos de ação. É, sem dúvida, lamentável ver personagens de um universo tão rico como o dos X-Men tendo suas melhores participações em games nos últimos anos em um jogo tão previsível e constrangedor, por tanto tentar disfarçar suas falhas em um humor de um personagem cult que, definitivamente, foi elevado à um patamar acima do que realmente é – de todos os da Marvel, o que se quer ver é realmente um game solo de Deadpool??

Desperdício de tempo é o que alguns games parecem tentar trazer como novidade para o mercado. Genéricos, como Deadpool, se sustentam em uma mídia que deifica um personagem medíocre, com muitos mais pontos baixos do que altos ao longo de sua história. E o pior: desperdiçam uma oportunidade de fazer uma obra marcante, ainda que fosse apenas pelo humor negro empregado, como foi o ótimo South Park: The Stick Of Truth, aliando tudo o que um game precisa para ficar na memória. Ninguém pede outro clássico contemporâneo como Batman: Arkham. Custa, todavia, fazer algo decente?

*Algo decente parece pedir muito para a High Moon Studios, vinculada com a Activision e desenvolvedora do jogo, que trouxe para o mercado, vejam só, três jogos de Transformers no início da década. Tá explicado…

Deadpool
Desenvolvedora: High Moon Studios
Lançamento: 25 de junho de 2013
Gênero: Ação
Disponível para: PS3,PS4, Xbox 360, Xbox One e PC

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