Crítica | Demolidor: Medo e Delírio na Latvéria

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estrelas 5

UAU!!! Este arco composto pelas edições #12 a 18 de Daredevil Vol.3 (EUA, 2012), e lançado aqui no Brasil pela Panini, num encadernado intitulado Medo e Delírio na Latvéria, é realmente uma obra inesquecível de Mark Waid. Depois de um caminho impreciso percorrido em Os Amigões da Vizinhança, o autor pegou firme nas consequência que o Disco Ômega poderia trazer para o Demolidor e para Matt Murdock, desenvolvendo, a partir daí, uma cadeia eletrizante de eventos, com participação dos Vingadores, do Doutor Destino e de pessoas (ou de uma pessoa especificamente) que com certeza deixou muitos leitores de queixo caído.

A história começa aparentemente sem muitas pretensões. Temos Matt e a promotora Kirsten McDuffie em um passeio no parque e o Clarim Diário dando algumas notícias que contextualiza o momento. O Espectro Negro havia acabado de ser desmascarado pelo Demolidor e as outras facções do Megacrime estavam tensas, esperando o novo movimento do Homem Sem Medo. Essa introdução interessante coloca não só um muitíssimo bem vindo lado pessoal/humano de Matt — que nessa fase de Waid é majoritariamente sombrio, mas não perde a oportunidade de fazer gracinhas — frente às dificuldades que enfrentava.

Nesse ponto, o leitor mais atento começa a fazer ligações com pistas já lançadas em Um Novo Começo e que agora visitam o herói e seu amigo Foggy, cujo relacionamento fraterno e sociedade serão alvos de mais uma ruptura. Não só a história tem um bem arquitetado plano de fundo (é até possível entender as inconstâncias do encadernado anterior) como também um aprofundamento na vida de Murdock é realizado ao longo de toda a revista.

Três páginas de momentos diferentes da revista, só pra dar o gostinho...

Três páginas de momentos diferentes da revista, só pra dar o gostinho…

Um ponto a ser destacado é a ligação entre cada bloco de eventos que Mark Waid realiza. Ele não passa muito tempo falando de uma coisa só e também não cai na estúpida modinha de juntar histórias sem muito sentido mas de caráter bombástico apenas para chamar a atenção dos leitores. Seu ritmo textual é ágil e preciso, as histórias se adequam perfeitamente umas às outras e não há momentos gratuitos de um ponto a outro.

Se levarmos em consideração tudo o que é tratado aqui, inclusive o notável mergulho no passado do herói e seus muitos fantasmas, chegamos à conclusão de que Mark Waid aprendeu bastante com a fase de Frank Miller à frente da revista do Demolidor. Cada um a seu modo conseguiu imprimir um conceito de novidade ao herói e colocá-lo em situações massacrantes sem perder a linha narrativa para uma estrada de lamentos e discursos patéticos de auto-ajuda.

Mesmo que Chris Samnee seja o principal artista de todo o arco, ele divide algumas edições com outros desenhistas e arte-finalistas, o que não é uma coisa ruim. Cada bloco de histórias é desenhado com grande cuidado e finalizado dentro de uma mesma perspectiva dramática — mesmo que haja diferenças estéticas entre Chris Samnee, Tom Palmer e Mike Allred, responsáveis pela arte-final de diferentes edições, não há mudança de padrão geral para toda a história narrada, um acerto artístico não muito frequente de se ver.

Com notável deixa para o arco seguinte, Mark Waid planta uma grande dúvida e uma tremenda curiosidade em seu público. O Demolidor, mais uma vez, se encontra numa situação onde é uma ameaça para e para os outros. Os grandes sofrimentos de sua vida pessoal e de herói parecem não ter fim.

Demolidor Vol. 3 – #12 a 18 (EUA, 2012)
No Brasil: Demolidor #3: Medo e Delírio na Latvéria (2013)
Roteiro: Mark Waid
Arte: Chris Samnee, Khoi Pham, Mike Allred
Arte-final: Chris Samnee, Tom Palmer, Mike Allred
Cores: Javier Rodriguez e Laura Allred (apenas na edição #17)
148 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.