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Crítica | Demolidor: Renascido – 2X01: O Northern Star

Será que finalmente o Demolidor vai renascer de verdade?

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores e das demais aparições do personagem na televisão.

Talvez ainda seja cedo demais para festejar, pelo que não encarem o que vou dizer como algum tipo de festa, apenas como um sinal de esperança, mas quer parecer que, apesar da decepcionante primeira temporada de Demolidor: Renascido, Dario Scardapane conseguiu fazer do limão uma proverbial limonada, pegando toda a bagunça que foi espalhada ao longo dos episódios frankensteinianos do ano passado e criando um começo de segunda temporada coeso, lógico, que pinça os elementos centrais pregressos para dar contexto para essa nova fase do Homem Sem Medo, dessa vez vestindo um vistoso traje preto com o famoso “DD” no peito, apesar de eu não entender muito bem o porquê da necessidade disso para além de vender mais bonequinhos e agradar os fãs que talvez se agarrem um tantinho demais ao material original, para lutar contra uma Nova York sob a lei marcial de Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio). Talvez finalmente tenhamos o Demolidor renascido da maneira correta, ainda que muito provavelmente longe da qualidade da trilogia original de temporadas do tempo da parceria Marvel-Netflix.

O Northern Star utiliza-se de um salto temporal – seja ele da duração que for – para já nos apresentar a um ainda aparentemente pequeno, mas consistente, movimento contra Fisk capitaneado pelo Demolidor ao lado de Karen Page (Deborah Ann Woll), Cherry (Clark Johnson) e BB Urich (Genneya Walton), esta última fazendo jogo duplo, além de outros revoltosos inominados que dão a entender que existe uma rede secreta à la Resistência Francesa nas sombras da cidade, com parte do jogo sendo a sabotagem dos negócios espúrios do Rei do Crime, como é o caso do navio com toneladas de armas contrabandeadas sendo abordado pelo Demolidor e afundado por seu capitão e imediato cipriotas como parte de ordens prévias. Mexer no bolso dos poderosos é sempre uma estratégia eficiente, mas fica evidente, ao final do episódio, em que o herói está prestes a ser desmascarado pela Força Tarefa Anti-Vigilantes que mais ajuda, de preferência mortal, se faz necessária, ainda que confiar mesmo relutantemente no Mercenário – que é o que parece estar pintando – provavelmente seja uma faca de dois gumes.

Como todo começo de temporada, mesmo uma que venha bem rapidamente após a primeira, o episódio tem como objetivo colocar as peças no lugar e preparar o tabuleiro, algo que o roteiro de Scardapane faz muito bem ao dar peso à mudança de personalidade de Heather Gleen (Margarita Levieva) por meio do uso de visões perturbadoras do Muso, ao colocar tanto Jack Duquesne (Tony Dalton), vulgo Espadachim, quanto Kirsten McDuffie (Nikki M. James), a sócia de Matt Murdock muito mal utilizada anteriormente, em posições frágeis diante do poder sem restrição de Fisk e de seus minions e ao acrescentar o misterioso e eficiente Sr. Charles (Matthew Lillard) ao time do Rei do Crime, como uma espécie de “resolvedor de problemas” tipo Ray Donovan, mas sem a mesma complexidade. Por outro lado, tenho receio que o personagem de Lillard seja a encarnação da conveniência narrativa, sempre com contatos e saídas para toda sorte de situação. E, sinceramente, não gostei da maneira como ele parece ter ascendência sobre os Fisks, com D’Onofrio, na cena em que os três estão à mesa, parecendo fraco e até amedrontado por quem o Sr. Charles representa, algo que é muito, mas muito distante do que vimos do poderoso chefão do crime em Nova York tanto na temporada anterior e mais ainda na saudosa fase anterior.

O que se destaca no episódio em termos macro é o quanto ele é focado em um assunto só, ou seja, o conflito aberto entre o Demolidor e Wilson Fisk. Tudo parte disso e converge para isso, o que é exatamente tudo o que a temporada anterior não foi. Mesmo que seja visível uma certa economia em cenários e até mesmo na pancadaria, tenho para mim que isso não realmente importa quando há consistência narrativa, justamente o que O Northern Star mostra que tem de sobra. Resta-nos, agora, torcer para que esse início não seja uma exceção na temporada e que tudo continue nessa mesma direção, apenas, talvez, com D’Onofrio voltando a nos brindar com aquelas expressões sociopatas assustadoras que só ele é capaz de fazer e não seja “substituído” pelo ator que teve o Salsicha como ápice de sua carreira.

Obs: É triste constatar que o esquadrão anti-vigilante e todo o controle fascista do Rei do Crime em Nova York tenha previsto o uso do ICE pelo governo Trump no começo de 2025 e, ato contínuo, tenha sido ultrapassado de longe pela realidade dos fatos que acompanhamos desde então até os dias de hoje, sem nenhum sinal de arrefecimento…

Demolidor: Renascido – 2X01: O Northern Star (Daredevil: Born Again 2X01: Straight to Hell – EUA, 15 de abril de 2025)
Showrunner: Dario Scardapane
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Dario Scardapane
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Arty Froushan, Nikki M. James, Ayelet Zurer, Michael Gandolfini, Zabryna Guevara, Clark Johnson, Deborah Ann Woll, Genneya Walton, Hamish Allan-Headley, Matthew Lillard, Ty Jones, Tony Dalton, John Benjamin Hickey, Thomas Cokenias, Yorgos Karamihos, Annie Parisse
Duração: 54 min.

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