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Crítica | Demolidor: Renascido – 2X02 e 03: Mirar na Lua / A Balança e a Espada

Fuga de Red Hook.

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores e das demais aparições do personagem na televisão.

A primeira temporada de Demolidor: Renascido começou com dois episódios e, na semana seguinte, teve um. Como padrão, aparentemente, é para os fracos, o Disney+ começou a segunda temporada com um episódio e, na semana seguinte, soltou dois de uma vez. Fazer o que? Vamos lá então para as críticas de cada um deles, com a crítica do episódio 2X02 tendo sido feita antes de o 2X03 ser conferido para manter a “pureza” de opinião:

2X02
Mirar na Lua

Com mesmos diretores e mesmo roteirista do primeiro episódio, Mirar na Lua deveria ter sido lançado juntamente com o anterior se a vontade do Disney+ era lançar dois episódios de uma vez. É evidente que, narrativamente, ele faz dobradinha com O Northern Star e, quando vistos em conjunto, eles fornecem um quadro muito mais completo e detalhado da Nova York sob a lei marcial do Rei do Crime (eu sempre gostei do conceito de o Rei do Crime ser um político, pois políticos são, todos eles, reis, rainhas, príncipes e princesas do crime…), quadro esse que, no capítulo inicial, é apresentado de forma mais monolítica a favor do prefeito, mas que ganha nuanças no segundo que, claro, traz rachaduras nessa aparência invencível tornada possível pelo uso da máquina do governo. E não é exatamente a presença do Mercenário – de uniforme tudo – matando policiais da AVTF ou o contra-ataque online de BB Urich que representam essas rachaduras, mas sim o próprio tom da fotografia e das escolhas de sequências que minam essa imagem de “limpeza” original e que, claro, converge para a sequência do assalto à loja de conveniência em que seu dono e uma cliente (ninguém menos do que Soledad (Ashley Marie Ortiz), esposa do finado Tigre Branco e tia de Angela del Toro (Camila Rodriguez), que testemunha tudo com horror. Existem bastidores de pura ebulição contra a política repressiva de Wilson Fisk e ele é mostrado aqui.

Se o surgimento de uma nova heroína está nos planos – acho Angela muito jovem demais para usar o amuleto, mas vamos ver no que dá -, é certamente bem mais interessante trabalhar com o que já está servido na mesa e é isso que Mirar na Lua faz em essência. Fisk, sempre diversas jogadas a frente e sem a presença do Sr. Charles para atrapalhar o comando de cena de Vincent D’Onofrio, usa a notoriedade do advogado Matt Murdock como forma de fazer com que ele seja procurado por toda a Nova York por seus habitantes, com sua versão mascarada e ilegal continuando a ser caçado pela AVTF, o que acaba levando à sequência final nas ruínas da Josie’s em uma sequência boa em termos de ação, mas que faltou construção. Afinal, o que levou a AVTF até lá agora somente? E, mais ainda: porque diabos Murdock estaria escondido em lugar tão óbvio assim considerando que o Rei do Crime sabe sobre seu segredo e que Foggy morrera na porta do lugar? Foi como ver uma sequência que já havia sido filmada e que foi reaproveitada no episódio, o que não é de forma alguma algo que tenha estragado a experiência, especialmente com a revelação de que Karen Page, mais badass do que o Mercenário e o Demolidor juntos, não só derrotou um dos policiais da AVTF, como o capturou com o objetivo de usá-lo como moeda de troca. Talvez esteja na hora de uma Demolidora aparecer, não é mesmo?

Sobre o Mercenário, gostei muito do uniforme dele, mesmo que ele seja sem dúvida bem mais tumultuado que o dos quadrinhos e contenha detalhes extravagantes como aquela faca no torso que me lembraram a “arte” de Rob Liefeld nos anos 90. Achei interessante, também, Poindexter aparecer na igreja perguntado sobre a mãe de Murdock, ainda que a ausência prolongada dela tenha me deixado na dúvida sobre seu propósito. Já sobre a fotografia azul para quando ele aparece, com até mesmo a rosa de Vanessa Fisk tornando-se azul na sequência onírica que deixa ainda mais evidente sua obsessão e talvez medo do assassino. Será interessante ver como as linhas narrativas de Vanessa, Mercenário e Demolidor convergem, mesmo que, no momento, haja uma neblina que nos impeça de ver mais claramente o que está sendo construído aí.

Mirar na Lua complementa e amplia o episódio inicial, mantendo a qualidade do conjunto de episódios que abre a segunda temporada de Demolidor: Renascido. Quer realmente parecer que, dessa vez, o retorno do Demolidor à telinha será conduzido com eficiência, sem as consequências de escolhas feitas em fase de produção que descarrilaram a ideia inicial, mas que não levaram a mudanças profundas o suficiente para evitar que a primeira temporada sofresse profundamente com isso.

Demolidor: Renascido – 2X02: Mirar na Lua (Daredevil: Born Again 2X02: Shoot the Moon – EUA, 31 de março de 2026)
Showrunner: Dario Scardapane
Direção: Aaron Moorhead, Justin Benson
Roteiro: Dario Scardapane
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Arty Froushan, Nikki M. James, Ayelet Zurer, Michael Gandolfini, Zabryna Guevara, Clark Johnson, Deborah Ann Woll, Genneya Walton, Hamish Allan-Headley, Wilson Bethel, Camila Rodriguez, Susan Varon, Ashley Marie Ortiz
Duração: 49 min.

2X03
A Balança e a Espada

Eu nunca nutri esperanças de que o retorno do Homem Sem Medo para as telinhas conseguisse arranhar a qualidade do que a série do Demolidor durante a parceria Netflix/Marvel, mesmo quando Demolidor: Renascido sequer havia começado sua produção. Descontando a decepcionante primeira temporada da nova série, que já nasceu fadada a ser o que foi, o começo sólido da segunda me deu esperanças de que o problemas pelo menos não seria repetido e que o herói renasceria apropriadamente. Chegando ao terceiro episódio do segundo ano, continuo com a certeza de que a glória do passado já remoto não retornará, mas que a temporada é claramente bem superior à primeira. Por outro lado, ficou claro o que ainda falta, o que a impede de merecer sequer ser comparada com a era anterior: a falta de brutalidade.

Não falo aqui de violência gratuita, cenas intermináveis de pancadaria, sangue para todo lado ou coisas do gênero. Nada disso. O que me espantou na trilogia original de Demolidor era como cada luta era um esforço gigantesco para Matt Murdock, algo que o deixava exausto ao final, sem forças de sequer se levantar. O realismo era impressionante e ia muito além de o herói ficar sem fôlego depois de espancar bandidos, que é a única coisa que vemos acontecer repetidas vezes em Renascido para marcar fadiga a ponto de ser levemente engraçado. A sequência final de ação de A Balança e a Espada é vistosa, bem coreografada, com um plano sequência falso muito bem conduzido e montado, mas esse Demolidor é o Demolidor super-herói dos quadrinhos que volta e meia esquece que ele é um homem fisicamente normal com poderes de sonar e não o Demolidor da série anterior, que se arrebentava todo em todas as lutas. A brutalidade que falo não é a da dor infligida nos vilões, mas sim da dor e do esforço sentidos pelo flagelo desse vilões. Isso é algo que, arriscaria dizer, nunca mais voltará, seja aqui ou em qualquer outra série do Universo Cinematográfico Marvel e, sendo ainda mais franco, em qualquer outra série de bonequinho. Essa época foi curta e ela já acabou.

E, muito sinceramente, traçar o comparativo é injusto demais. Demolidor: Renascido precisa ser encarada por seus próprios méritos e é inegável que há mérito no trabalho de Dario Scardapane nessa segunda temporada. A Balança e a Espada não exatamente melhora o que vimos nos dois episódios anteriores, mas o ritmo e a qualidade são mantidos, com uma boa – ainda que talvez conveniente e rápida demais – história de origem para a Tigresa Branca e um ótimo uso de Karen Page, muito claramente caminhando para deixar seu lado sombrio tomar o controle. Cheguei, por alguns segundos, a achar que seria Karen a assumir o manto de Hector Ayala, mas, em retrospecto, isso seria forçar demais a barra, pois Page funciona mais como a personagem sem poderes que pode ser corrompida por toda a violência e injustiça ao seu redor, deixando de acreditar na balança de Matt e passando a preferir a espada de Frank, só para fazer uso do título do episódio.

Faltou sutileza na forma como o julgamento às pressas de Jack Duquesne foi conduzido, com violações tão grandes ao devido processo legal que tudo soou artificial demais, mesmo que a juíza estivesse muito claramente incomodada. Igualmente, foi um tanto quanto didática toda a sequência de visita de McDuffie a Duquesne, construída unicamente para que ela passasse todas as informações – que nenhum ser humano normal, naquelas circunstâncias lembraria ou teria prestado atenção, mas sei que é série de super-herói, então ok – ao Demolidor e todo aquele diálogo entre Buck Cashman e Daniel Blake me pareceu perdido. Por outro lado, tenho gostado muito que a série não se esqueceu da terapeuta e ex-namorada de Matt, criando contexto para a forma como ela passa, sem titubear, para o lado de Fisk e talvez até dando pistas de que ela assumirá o manto do Muso, o que pode ser interessante. A condução do cliffhanger com o policial capturado por Karen tira a força da captura em si, mas introduz outra rachadura na fortaleza de Wilson Fisk, mesmo que tudo acabe resultando na explosão do navio e assassinato de todos os trabalhadores ali, um atentado que, obviamente, será usado contra o Demolidor.

A única coisa que eu não gostaria que acontecesse é que os demais super-heróis de rua que fizeram parte da era Netflix-Marvel aparecessem de surpresa no final para resolver tudo. Considerando que são apenas oito episódios, ou eles começam a aparecer já no próximo para realmente fazerem parte da Resistência, ou é melhor que eles nem deem as caras e depois seja revelado que eles estavam de férias no Caribe ou algo do gênero e que tudo chegue ao devido fim pelos esforços de Karen e Matt ao lado da população em geral, com ajuda, claro, do Espadachim, da Tigresa Branca e talvez até mesmo do Mercenário. Reunião de amiguinhos poderosos aos 45 minutos do segundo tempo será um demérito enorme para uma temporada que tem conseguido se manter de pé com bastante firmeza.

Demolidor: Renascido – 2X03: A Balança e a Espada (Daredevil: Born Again 2X03: The Scales & the Sword – EUA, 31 de março de 2026)
Showrunner: Dario Scardapane
Direção: Solvan “Slick” Naim
Roteiro: Heather Bellson
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Arty Froushan, Nikki M. James, Ayelet Zurer, Michael Gandolfini, Zabryna Guevara, Clark Johnson, Deborah Ann Woll, Genneya Walton, Hamish Allan-Headley, Wilson Bethel, Camila Rodriguez, Ashley Marie Ortiz,
Duração: 50 min.

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