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Crítica | Destacamento Blood

por Luiz Santiago
979 views (a partir de agosto de 2020)

Das muitas maneiras possíveis que existe para se trabalhar o trauma de uma guerra em uma produção ficcional, talvez a mais frequente seja a tentativa de readequação de um soldado a um mundo que nunca mais será o mesmo para ele. O trauma, no entanto, opera de maneira diferente para diferentes pessoas, com algumas conseguindo conviver de modo menos doloroso ou menos agressivo com as memórias ou perturbações de um evento que lhe feriu a humanidade. O tipo de ferida que não importa o que se faça, jamais se curará. E é nessa eterna marca que Spike Lee toca em Destacamento Blood (2020), primeira produção do diretor realizada diretamente para a Netflix.

No roteiro, o cruzamento de dois tempos para mostrar a amizade de um grupo de soldados negros que, na atualidade, retornam ao Vietnã com o objetivo de encontrar e retornar para casa o corpo de um dos membros do destacamento, morto em ação. Existe também um outro motivo, o elemento que dará um sabor… digamos… tarantinesco a determinadas cenas, mas com um critério de pensamento crítico, racial e sociológico que não nega a identidade do diretor da obra. A viagem, todavia, acaba tendo alguns encadeamentos que não foram inicialmente planejados, e eles vão da camada psicológica desse retorno (como uma espécie de terapia de choque não intencional) até o ajuste de contas dentro do grupo de amigos e também com a família, sendo esta a camada que o roteiro usa para puxar linhas de identificação com a atualidade.

Como a mudança de percepção aqui é muito importante para destacar os sentimentos e a óbvia tentativa de deslocamento de atmosfera, chamando a atenção para o anacronismo de parte da abordagem, vemos já nos primeiros minutos as alterações na razão de aspecto e no tipo de lente utilizada a cada grupo de cenas, dando aos espaços a sua “prisão” ou “liberdade” momentânea e também fazendo uma agradável escolha de representação a partir de formatos coerentes com a necessidade do tempo histórico ou daquilo que o diretor queria que espectador visse com mais intensidade na tela. Isso em vez de depositar todas as fichas de mudanças na fotografia aliada ao desenho de produção, como frequentemente se faz.

Como a essência do filme tem a ver com a memória histórica e emocional da Guerra do Vietnã, o texto não se ressente em nenhum momento em escancarar um bom número de debates em decorrência dessa memória, passando por dívida histórica, pelo grande perigo do identitarismo, pelo abraço ideológico que indivíduos oprimidos fazem aos planos de seus opressores (make America great again) e pelas diversas contradições que encontramos em todos os grupos humanos, sendo o recorte aqui realizado para a comunidade negra dos EUA e para os vietnamitas. As divergências ideológicas entre os amigos, a difícil relação entre pai e filho, a paranoia e a dor do personagem de Delroy Lindo (que está incrível no papel, especialmente após a entrada do grupo na selva) e a questão capitalista, que abala ainda mais essas relações, são coroadas por elementos críticos, praticamente servindo de material humano sincrônico e diacrônico a fim de que o diretor nos mostre impactos da guerra; decisões e consequências que só pioraram a realidade social, econômica, cultural e mental de milhares de indivíduos.

Talvez para reforçar as memórias de guerra e tecer linhas muito claras com o presente é que o cineasta tenha caído no didatismo, mostrando fotografias de personagens históricos que não havia necessidade de mostrar (principalmente no começo) e intercalando alguns vídeos ou fotos de contexto que nem sempre funcionam. Outro ponto que pareceu cruzar a linha da insistência desnecessária foi o boné MAGA, que num primeiro momento serve para marcar o terreno de disparidade ideológica entre esses camaradas de guerra, mas depois serve como um “lembrete sociopolítico” que é óbvio demais. Tenho dúvidas se a intenção geral aqui era a comédia em torno do ridículo que isso representa… ou se o diretor estava utilizando o boné como uma marcação irônica diante de cada nova tragédia, a cara da “Grande América“, que na verdade é uma cópia da América assassina, discriminadora e desigual que mandou seus filhos negros para servirem de bucha de canhão em mais uma tentativa dos Estados Unidos em dilacerar um país em nome do que eles acreditam ser a democracia, a paz, os bons valores, a liberdade.

Ainda assim, essa insistência no boné me pareceu chateante, pois a mensagem é bastante clara e a opinião do diretor para este tema também. O resultado desse lado mais político-ideológico da fita, no entanto, é perfeitamente coerente com a proposta geral da obra, ou seja, utilizar uma busca por restos mortais (a desculpa pessoal) para na verdade buscar ouro (recorrência na política externa dos Estados Unidos, não importa de qual “ouro” estamos falando) e, no meio de tudo, encontrar uma tardia maturidade ou alguma paz de espírito confrontando um horror do passado. Juntamente com tudo isso, o filme insere discussões sobre a presença do povo negro nesse tipo de conflito, opondo os diferentes pensamentos sobre a guerra e a forma como cada um recebeu e viveu essas ideias ao longo dos anos.

Destacamento Blood é um filme sobre as lutas que acontecem em diferentes camadas de uma mesma comunidade, de uma mesma classe social, tentando apontar uma justificativa para o por quê de ser tão difícil unir sofredores em momentos fora do desespero completo. Um filme sobre como homens feridos podem reagir quando confrontados com o motivo de seu sofrimento. Não é uma obra fácil, nem delicada e não segura críticas, seja para os engajados na luta do black lives matter, seja para os que, décadas antes, eram vistos de duas formas: ou como assassinos de inocentes ou como vítimas estigmatizadas de uma pátria assassina. Coisas que a guerra, mesmo distante do front, é capaz de fazer. E coisas que nenhum ser humano consegue suportar sem ser irremediavelmente abalado.

Destacamento Blood (Da 5 Bloods) — EUA, 2020
Direção: Spike Lee
Roteiro: Danny Bilson, Paul De Meo, Kevin Willmott, Spike Lee
Elenco: Chadwick Boseman, Jean Reno, Paul Walter Hauser, Delroy Lindo, Jasper Pääkkönen, Mélanie Thierry, Van Veronica Ngo, Jonathan Majors, Clarke Peters, Isiah Whitlock Jr., Norm Lewis, Rick Shuster, Casey Clark, Alexander Winters, Mav Kang
Duração: 154 min.

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77 comentários

Diogo Maia 15 de julho de 2020 - 00:39

Destacamento Blood é uma sucessão de escolhas erradas na direção, roteiro, trilha sonora e edição. Não adianta o Spike Lee quer fazer uma série de ponderações, observações e críticas, mesmo que legítimas, se elas são jogadas nas bocas do personagens e não se encaixam organicamente com o contexto em que ocorrem. É fundamental pensar na abordagem como são passadas, pois senão vão parecer desconectadas ao longo da história. O Spike Lee é um autor engajado e seu estilo nunca foi conhecido pela sutileza e discrição, mas é necessário que ele repense o método com que estabelece seus manifestos, que estão cada vez mais didáticos e menos dispostos a incentivar a reflexão e o pensamento do espectador.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de julho de 2020 - 03:12

Exceto a parte sobre o engajamento, que é um fato, discordo de todo o restante aí.

Responder
Diogo Maia 15 de julho de 2020 - 12:30

Faz parte, mas você não acha que as críticas nos filmes dele estão cada vez mais redundantes? Veja bem, o Spike Lee já conseguiu se manifestar de maneira mais reflexiva como, por exemplo, no final de Bamboozled, em que ele faz uma montagem com dezenas de piadas e situações envolvendo estereótipos racistas no cinema e na TV dos Estados Unidos, levando quem assiste a repensar a questão da construção do preconceito contra o negro na América por meio do entretenimento, o que muitas vezes pode ser considerado algo inofensivo por certas pessoas (aquelas que defendem o ”politicamente incorreto”, o que para elas significa ofender minorias que não possuem espaço na grande mídia e nas esferas políticas burguesas). Além disso, no que diz respeito à edição, à trilha, ao roteiro e à direção ele errou feio em Destacamento Blood. As cenas de ação são confusas; em determinadas sequências ele não percebe a hora de cortar (a descoberta do ouro, por exemplo, que se estende por vários minutos); as músicas que acompanham as situações muitas vezes passam a ideia de algo grandioso, mas isso não é refletido na imagem, quero dizer, há pomposidade em excesso na trilha, lembrando filmes épicos de guerra, algo que não combina com o estilo desta obra específica, que tem um recorte mais sucinto sobre a guerra; o roteiro se utiliza de várias conveniências (novamente a descoberta do tesouro, em que o David vai “passar um fax” e mete a pá justamente onde ficava uma barra de ouro); a escolha equivocada do diretor em apresentar vários elementos que não são desenvolvidos ou mal aplicados, como a filha de um dos veteranos, o uso constante do boné do Trump, a introdução de um remédio (talvez para falar sobre o vício em determinadas substâncias que acomete os ex-militares) que não leva a lugar algum, assim como o menino no início do filme pedindo dinheiro e depois “revidando” com bombinhas, etc; todos os dilemas da sociedade vietnamita expostos em diálogos rasos e que não apresentam as consequências na prática (”os Estados Unidos separaram famílias durante a guerra” por exemplo); a mudança repentina de comportamento de certos personagens (num momento um dos cinco diz que precisava da grana porque estava falido e no momento seguinte ele faz um discurso culpando o ouro pelos conflitos dentro do grupo, antes de morrer por conta de uma mina) e o próprio fato de um dos cinco saber que existe uma espécie de ONG antibombas que estava desarmando explosivos escondidos no Vietnã e não contar nada para os outros companheiros de equipe e, além disso, a obra simplesmente esquece convenientemente que quatro dos protagonistas eram experientes em guerras e, mesmo assim, são tão descuidados em relação a esse assunto, caminhando na mata como se não houvesse tamanho perigo abaixo dos pés.

Desculpe-me pelo textão, mas gosto muito do trabalho do Spike Lee. Ele é uma voz destoante no mercado cinematográfico americano, mas tenho receio de que ele vire uma caricatura de si mesmo. Um grande abraço e agradeço pela paciência.

Responder
Diogo Maia 15 de julho de 2020 - 13:35

Faz parte, mas você não acha que as críticas nos filmes dele estão cada vez mais redundantes? Veja bem, o Spike Lee já conseguiu se manifestar de maneira mais reflexiva como, por exemplo, no final de Bamboozled, em que ele faz uma montagem com dezenas de piadas e situações envolvendo estereótipos racistas no cinema e na TV dos Estados Unidos, levando quem assiste a repensar a questão da construção do preconceito contra o negro na América por meio do entretenimento, o que muitas vezes pode ser considerado algo inofensivo por certas pessoas (aquelas que defendem o ”politicamente incorreto”, o que para elas significa ofender minorias que não possuem espaço na grande mídia e nas esferas políticas burguesas). Além disso, no que diz respeito à edição, à trilha, ao roteiro e à direção ele errou feio em Destacamento Blood. As cenas de ação são confusas; em determinadas sequências ele não percebe a hora de cortar (a descoberta do ouro, por exemplo, que se estende por vários minutos); as músicas que acompanham as situações muitas vezes passam a ideia de algo grandioso, mas isso não é refletido na imagem, quero dizer, há pomposidade em excesso na trilha, lembrando filmes épicos de guerra, algo que não combina com o estilo desta obra específica, que tem um recorte mais sucinto sobre a guerra; o roteiro se utiliza de várias conveniências (novamente a descoberta do tesouro, em que o David vai “passar um fax” e mete a pá justamente onde ficava uma barra de ouro); a escolha equivocada do diretor em apresentar vários elementos que não são desenvolvidos ou mal aplicados, como a filha de um dos veteranos, o uso constante do boné do Trump, a introdução de um remédio (talvez para falar sobre o vício em determinadas substâncias que acomete os ex-militares) que não leva a lugar algum, assim como o menino no início do filme pedindo dinheiro e depois “revidando” com bombinhas, etc; todos os dilemas da sociedade vietnamita expostos em diálogos rasos e que não apresentam as consequências na prática (”os Estados Unidos separaram famílias durante a guerra” por exemplo); a mudança repentina de comportamento de certos personagens (num momento um dos cinco diz que precisava da grana porque estava falido e no momento seguinte ele faz um discurso culpando o ouro pelos conflitos dentro do grupo, antes de morrer por conta de uma mina) e o próprio fato de um dos cinco saber que existe uma espécie de ONG antibombas que estava desarmando explosivos escondidos no Vietnã e não contar nada para os outros companheiros de equipe e, além disso, a obra simplesmente esquece convenientemente que quatro dos protagonistas eram experientes em guerras e, mesmo assim, são tão descuidados em relação a esse assunto, caminhando na mata como se não houvesse tamanho perigo abaixo dos pés.

Desculpe-me pelo textão, mas gosto muito do trabalho do Spike Lee. Ele é uma voz destoante no mercado cinematográfico americano, mas tenho receio de que ele vire uma caricatura de si mesmo. Um grande abraço e agradeço pela paciência.

Responder
Diogo Maia 15 de julho de 2020 - 10:12

Faz parte, mas você não acha que as críticas nos filmes dele estão cada vez mais redundantes? Veja bem, o Spike Lee já conseguiu se manifestar de maneira mais reflexiva como, por exemplo, no final de Bamboozled, em que ele faz uma montagem com dezenas de piadas e situações envolvendo estereótipos racistas no cinema e na TV dos Estados Unidos, levando quem assiste a repensar a questão da construção do preconceito contra o negro na América por meio do entretenimento, o que muitas vezes pode ser considerado algo inofensivo por certas pessoas (aquelas que defendem o ”politicamente incorreto”, o que para elas significa ofender minorias que não possuem espaço na grande mídia e nas esferas políticas burguesas). Além disso, no que diz respeito à edição, à trilha, ao roteiro e à direção ele errou feio em Destacamento Blood. As cenas de ação são confusas; em determinadas sequências ele não percebe a hora de cortar (a descoberta do ouro, por exemplo, que se estende por vários minutos); as músicas que acompanham as situações muitas vezes passam a ideia de algo grandioso, mas isso não é refletido na imagem, quero dizer, há pomposidade em excesso na trilha, lembrando filmes épicos de guerra, algo que não combina com o estilo desta obra específica, que tem um recorte mais sucinto sobre a guerra; o roteiro se utiliza de várias conveniências (novamente a descoberta do tesouro, em que o David vai “passar um fax” e mete a pá justamente onde ficava uma barra de ouro); a escolha equivocada do diretor em apresentar vários elementos que não são desenvolvidos ou mal aplicados, como a filha de um dos veteranos, o uso constante do boné do Trump, a introdução de um remédio (talvez para falar sobre o vício em determinadas substâncias que acomete os ex-militares) que não leva a lugar algum, assim como o menino no início do filme pedindo dinheiro e depois “revidando” com bombinhas, etc; todos os dilemas da sociedade vietnamita expostos em diálogos rasos e que não apresentam as consequências na prática (”os Estados Unidos separaram famílias durante a guerra” por exemplo); a mudança repentina de comportamento de certos personagens (num momento um dos cinco diz que precisava da grana porque estava falido e no momento seguinte ele faz um discurso culpando o ouro pelos conflitos dentro do grupo, antes de morrer por conta de uma mina) e o próprio fato de um dos cinco saber que existe uma espécie de ONG antibombas que estava desarmando explosivos escondidos no Vietnã e não contar nada para os outros companheiros de equipe e, além disso, a obra simplesmente esquece convenientemente que quatro dos protagonistas eram experientes em guerras e, mesmo assim, são tão descuidados em relação a esse assunto, caminhando na mata como se não houvesse tamanho perigo abaixo dos pés.

Desculpe-me pelo textão, mas gosto muito do trabalho do Spike Lee. Ele é uma voz destoante no mercado cinematográfico americano, mas tenho receio de que ele vire uma caricatura de si mesmo. Um grande abraço e agradeço pela paciência.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de julho de 2020 - 10:32

Pô, parceiro, pode escrever à vontade! É sempre bom ver comentários ponderados de leitores que sabem, sem picuinhas e choro beligerante, fazer um bom contraste de visão em relação às obras. Isso é engrandecedor para mim, porque acrescenta novidade ao diálogo e à minha leitura crítica da obra, mas tenho certeza que será para futuros leitores que aparecerem por aqui também.

Agora respondendo a sua pergunta com um contexto… Eu entendo parte da sua visão. Embora não concorde com a maioria do que você colocou como empecilho ou algo negativo vindo do diretor aqui, eu consigo enxergar a filmografia do Spike Lee com diversas lombadas ao longo dos anos e vejo desvios que poderiam ser impedidos até. Mas aí é que está, isso é para casos de filmes com problemas, não no sentido de ter críticas cada vez mais redundantes no escopo geral das obras, como você me perguntou.

De toda forma, é um problema que pode aparecer pontualmente, como eu abordo aqui no texto sobre o boné MAGA, algo que de fato podemos chamar de redundante, dentre outras coisas.

O bom é que ele é muito ativo, está sempre trazendo coias novas, o que faz a gente ampliar mais esse debate sobre sua obra e ativismo de tempos em tempos, né.

Responder
Diogo Maia 15 de julho de 2020 - 10:46

Sim, mas espero que ele repense certos métodos e abordagens. Só de ontem pra hoje eu pensei em várias outras sequências no filme que me desagradaram em seu prolongamento, por exemplo, como a cena do frango; aquela em que o Paul sai caminhando pela mata recitando uma passagem bíblica, se não me engano; a cena em que o Otis percebe que a menina que entra no apartamento é a filha dele, etc. Enfim, o mesmo problema que eu tive com Era Uma Vez em Hollywood eu tive com este filme: ambos os diretores, na minha humilde opinião, estão caindo numa mesmice preguiçosa em suas mais recentes obras.

Um abraço.

Luis Gustavo 11 de julho de 2020 - 04:49

Em um mundo ainda muito racista, temos que celebrar qualquer filme de Spike Lee.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 11 de julho de 2020 - 05:49

Com certeza!

Responder
Al_gostino 29 de junho de 2020 - 19:14

Caramba fui com uma baita expectativa e o filme não me agradou..achei tudo muito forçado, colocado de maneira gratuita…diálogos, trilha sonora, atuações…tudo legal, mas sei lá, achei mal usados/colocados em cena….

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de junho de 2020 - 19:35

Apesar de discordar de suas afirmações em relação ao enredo, entendo que não tenha gostado. Talvez pode ter sido a alta expectativa, ou talvez não tenha batido o santo mesmo. Acontece.

Responder
Al_gostino 29 de junho de 2020 - 20:27

Exato, pode ser isso, acontece..obrigado pelo retorno e parabéns pela análise…abraço

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 29 de junho de 2020 - 21:24

Abraço!

Responder
Diário de Rorschach 23 de junho de 2020 - 08:24

Ótimo texto, dei a mesma nota. Acha que Delroy Lindo pega uma indicação ao carecão?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 23 de junho de 2020 - 12:58

Eu torço para que sim, viu! Atuação dele aqui tá legal demais!

Responder
Diário de Rorschach 23 de junho de 2020 - 17:51

Mandou bem mesmo

Responder
TheKingCartmanReturns 22 de junho de 2020 - 02:14

Gostei do filme, mas alguns poucos pontos me incomodou. Toda a presença daqueles 3 ativistas foram arrastadas e sem propósito.
E os monologos quebrando a quarta parede na selva, achei um pouco redundante com o personagem verbalizando o que ele havia mostrando em ação, e o próprio texto desses monologos achei desinteressante.

Já pode chamar o Spike Lee pra dirigir o filme do Uncharted, o tiroteio final é igualzinho o jogo, chega os capanga de carro num templo e tiro atrás das pilastras.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 22 de junho de 2020 - 13:06

Eu percebi alguns momentos cansativos também, mas breves. Não tive problema com os monólogos, mas consigo entender perfeitamente de onde vem o teu incômodo.

Responder
Tatá 19 de junho de 2020 - 11:28

Concordo muito com o comentário do Periferia, existe todo um contexto histórico que tem ser respeitado, o filme esquece todas as injustiças que aconteceram no Vietnã.
Fico assombrada com o grau de disfunção argumentativa, é intelectualmente desonesto desviar o foco da inquirição para algo que não compõe o tema tratado, não se faz um debate atacando argumentos, ficou algo agressivo.
A colocação dos argumentos do rapaz foram sólidos, respeitáveis eu diria.
Por isso raramento faço comentários em sites.

Cuide-se e cuide nesses tempos de “Cólera”

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 19 de junho de 2020 - 14:55

O filme não só não se esquece das tais injustiças históricas como o roteiro trabalha todas elas dentro daquilo que se propõe a contar, o drama psicológico de feridos de guerra dentro de um cenário ainda mais ferido de guerra pelas ações deles, oprimidos de um lado, opressores em outros.

***

Por isso raramento faço comentários em sites.

Mas alguém tão decidida a defender parças, tão empenhada em vir com “comentários sólidos” e “respeitáveis” para quem concorda, não poderia “raramente comentar em sites“! Afinal de contas, muita gente está precisando ser repreendida porque não estende tapetinho vermelho para os parças ideológicos e não dizem o que eles querem ouvir! Já pensou o tanto de dores que você poderia tomar na internet? O tanto de conversa que você poderia dizer que “ficou agressiva“? Menina do céu! E melhor ainda! Você não pode jamais perder tanta oportunidade de inventar mais e mais coisas para os comentários alheios, coisas super bacaninhas, que definem exatamente o teu próprio comentário, como “disfunção argumentativa, intelectualmente desonesto desviar o foco da inquirição para algo que não compõe o tema tratado, não se faz um debate atacando argumentos“. Perder a oportunidade de mostrar para o mundo o teu espelho é perder o pote de ouro no final do íris-arco. Ou seria… como é o nome mesmo…?

Cuide-se e cuide nesses tempos de “Cólera”!

Luiz, o Agressivo

Responder
Gabriel Bublitz 25 de junho de 2020 - 00:56

“não se faz um debate atacando argumentos”

Mano, se isso aqui foi uma afirmação convicta dela, temo uma percepção meio errada aí.

Se não pode atacar argumentos, vamos atacar o que?? Pessoas?
Se bem que hoje em dia se pratica mais a segunda opção, infelizmente…

Responder
Jordison Francisco 18 de junho de 2020 - 12:35

Em Destacamento Blood, Spike Lee não analisa de forma explícita os problemas mais atuais de seu país, ainda sim os trabalha de forma implícita ao contar a história de veteranos negros do exército americano que combateram no Vietnã e que retornam aos campos de batalha de outrora em busca de ouro e dos restos mortais de seu ex-comandante.
Por duas horas e meia que parecem muito longas, o cineasta apresenta um filme irregular e com problemas de ritmo que, diante disso, possui grandes momentos. O filme ganha muita força quando Lee conduz a narrativa através dos traumas íntimos de seus personagens principais: veteranos que, como seus colegas brancos ou hispânicos, nunca se recuperaram de ter lutado no Vietnã e sofrido os horrores inerentes a isso.

Por outro lado, toda a encenação dos momentos que deveriam sugerir maior tensão no filme é bastante problemática, o que prejudica o ritmo da narrativa como um todo. Há pouco senso de espacialidade nesses momentos, com uma decupagem que confunde muito mais do que envolve em tudo o que está acontecendo, como que momentaneamente jogando o público para fora da narrativa.

Eu entendi totalmente a crítica do filme sobre “Os negros sempre são os primeiros colocados no abate pra morrer”, agora se formos analisar no contexto “Guerra do Vietnã”, a questão racial é o micro-problema enquanto a morte de civis vietnamitas é o macro. Eu creio que dava pra fazer a critica dos afro-americanos na guerra sem estereotipar os vietcongues, assim como Apocalipse Now faz (filme que eles fazem questão de referenciar), porque do jeito que ficou pareceu mais Rambo (que é super errado) do que o Apocalipse Now.
Não dá pra falar de racismo sendo racista com outros povos que também sofreram pra caralho.Fazer um massacre de morte com vietnamitas em 2020? Pra que?

Outra coisa, eu creio que o papel do francês poderia ser um estadunidense, porque o francês com o boné Make America Great Again fez 0% sentido dentro da critica que o filme queria passar, afinal quem matou os negros na guerra do Vietnã foram os brancos estadunidenses e não os franceses.

Enfim, entendi toda a crítica, agora a execução poderia ter sido melhor, como o Spike Lee fez brilhantemente em Blackkksmen.

Os primeiros filmes de Lee encenaram personagens negros livres dos clichês de Hollywood e avançaram consideravelmente numa causa que precisava: a representação dos negros no coração do cinema americano. Em Destacamento Blood, o retrato desses soldados negros arruinados por dentro é o melhor do filme, acontece que não elimina os problemas com o ritmo do que foi proposto, o que infelizmente para mim confirma que o Spike Lee de hoje é muito menos inspirado que o de ontem.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 18 de junho de 2020 - 13:34

Qual é o momento do filme que você identifica com os piores erros de ritmo e que caminho de execução poderia ter sido melhor, na tua opinião?

Quanto à abordagem do filme, não vejo nenhum problema de ordem sociológica/antropológica. Tampouco qualquer problema narrativo com massacre de qualquer nacionalidade num obra que claramente se prepara para isso, dentro de uma ficção que fala sobre relações complexas e feridas abertas de guerra (proposta da obra). É mais uma cutucada nos americanos que, a propósito, também morrem aqui… e para quem se dirige a culpa mesclada de vitimização estatal (no sentido de ser vítima do Estado).

Por que tu curtiu teu próprio comentário?

Responder
Jordison Francisco 22 de junho de 2020 - 10:51

Tenho tentado evitar debates ideológicos nos últimos tempos, coisa que esse filme aqui tende a provocar. Todavia, quando se trata de um cara talentoso como Spike Lee, me disponho a correr o risco.

Como um diretor engajado que é, seu novo filme traz uma forte carga de ativismo negro, com muitos comentários históricos e alfinetadas políticas contemporâneas nem um pouco preocupadas em ser sutis. Ocorreu que o longa vai além dos panfletos. Por mais que demore um pouco a engrenar, quando arranca, a trama conduz muito bem por seu labirinto, ideológico/emocional/psicológico. Essa é, literalmente, a grande surpresa aqui, pois o longa funciona perfeitamente ao subverter expectativas.

Até a metade, tudo parece fluir perfeitamente para uma direção quando, subitamente, as coisas viram de cabeça para baixo. A direção é muito boa, com destaque para a inventividade no uso de várias razões de aspecto. Sua condução funciona tanto nas cenas de ação quanto nas mais contidas, onde o elenco mostra grande trabalho, especialmente Delroy Lindo, esplêndido num personagem muito complexo. Por mais que padeça de alguma lentidão no início, é um filme que diz o que se propõe com clareza, coragem e (algo indispensável) grande virtude cinematográfica

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 22 de junho de 2020 - 13:06

Em essência, tenho as mesmas opiniões que você, nesse caso. Os problemas que eu vi no filme também estão na escala de ritmo, mas como aponto na crítica, está também no exagero do diretor com aquele MAGA. Exceto na questão de um tratamento racista que você apontou no comentário passado, diante do qual discordo, penso por esse caminho também.

Responder
Periferia 18 de junho de 2020 - 01:20

Olá

Impressiona o que vc escreveu.

” eu acredito que qualquer país pode ser “o melhor lugar” para alar absolutamente qualquer coisa que qualquer escritor de qualquer ficção quiser.Isso é cinema não um teste secreto de laboratório ”

Vc assistiu o filme e não percebeu …..fez uma crítica rasa de um assunto complexo….e quando apertado por alguém com uma visão diferente da sua….não argumenta( o trecho citado no começo é claro…..vc não diz coisa com coisa…verborragia manca).
Vc pode (tem até o direito) não concordar com o que escrevo (com o que penso)…mas não deveria infantilmente tentar desqualificar algo que vc não conseguiu compreender (sim….é possível vc não compreender algo).
Desculpe ter entrando aqui e feito um contra ponto a sua opinião (que é aparentemente é definitiva e “verdadeira”).
Esperava aprender com vc (sempre aprendo com pessoas de bons argumentos).
Mais uma vez desculpe pelos comentários……
Irei me abstrair…..não acontecerá novamente.

E o ” filme japonês” do Clint Eastwood ….é poesia pura (ainda mais para um direitista americano).

abs

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 18 de junho de 2020 - 02:08

1 – Se você ficou impressionado com o que eu escrevi, está se impressionando facinho demais.

2 – A mesma coisa vale para as minhas respostas aos teus devaneios. Se você não entendeu algo tão simples como uma resposta mais do que clara e didática para uma pergunta, e ainda precisou lançar o pantinho “verborragia manca” e “infantilidade” para tentar nublar o fato de que sua impressão não se cria, não é algo que compete a mim resolver. Se lhe falta ingredientes para interpretar, um site de críticas não é o lugar certo para buscar ajuda.

3 – Sim, eu sei que tenho, e eu exerço. E sim, eu posso não compreender algo. Na verdade há uma lista muito grande de coisas que eu não compreendo (como todo mundo, aliás). Seus comentários, porém, não possuem sequer o princípio básico para constar na minha lista.

4 – Não tem que pedir desculpa nenhuma, nem como ironia, nem como cinismo, e nem como verdade. A propósito, minha opinião não é a verdadeira e definitiva. Exceto nesse momento, para dar a resposta, eu nunca disse isso, nunca dei a entender isso, nunca defendi isso. Agora, se você chega num lugar, escreve algo, saiba que será respondido. Se você não consegue conversar com alguém e fica tentando jogar nas costas dos outros um problema que é seu, mais uma vez, é um sofrimento que tu precisa lidar sozinho. Suas discordâncias estão aqui aprovadas e devidamente respondidas.

Agora se você estava esperando alisadinhas, tapetinho vermelho, você está no lugar errado. Você fala, eu respondo. É assim que funciona uma conversa. Agora, se tu não gosta do que eu escrevo, do meu tom, da minha crítica, das minhas opiniões, e as acha rasas, ruins, etc, etc, de novo, é algo que você tem que resolver com os seus sentimentos, com a adequação das suas próprias opiniões, seja sobre mim e minha escrita, seja sobre qualquer coisa.

5 – Se abster de comentários é um direito seu. Faça dos seus direitos aquilo que bem lhe aprouver. Se quiser aprender e se quiser conversar comigo, aprenda e converse, como estamos conversando desde o seu primeiro comentário. O espaço está aberto e eu vou continuar aprovando e respondendo tudo, sendo cada conversa ajustada perfeitamente para o teu tom de abordagem inicial. Agora, se você vai amar ou odiar que eu vou dizer… já sabe, né.

6 – E sobre o tal filme, eu sei muitíssimo bem o que ele é, de quem ele veio e o que ele representa. O site está fazendo um Especial sobre toda a filmografia do diretor exatamente nesse momento!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Responder
Periferia 17 de junho de 2020 - 22:30

olá….

Gosto de cinema e gosto de argumentar:

“Ela não é a unica mulher do filme……(apenas faço uma citação daquilo que estou respondendo)”
Sim……ela é a unica mulher com apelo dramático do filme ( a filha “bastarda” não conta…ela az parte do circulo dramático da mãe)

“Sim. E isso é racismo?”
Sim….é racismo….o personagem é um vietnamita ….quando vc o retrata como alguém onde o caráter é medido por barras de ouro ….vc está sendo racista ( por que não oi retratado como um vietnamita heroico?)

” A vilania como ponto de vista”
Desculpe….a vilania de um povo não pode ser colocada como um ponto de vista ou apenas uma muleta narrativa….quando vc retrata um povo vomo vilão em seu próprio país …ainda mais sabendo da historia colonizadora da França no Vietnã.

“Sim….o filme se passa no Vietnã e os figurantes…..”
Que figurantes???….São personagens ….eles tem uma função dramática no enredo.
Que recurso do roteiro???
Eastwood fez um filme americano no Japão ….mas não deixou de apresentar a visão de mundo dos japoneses em um filme irmão.

“qualquer filme político ou ideológico…..histórico-social”
Sim…é racismo …a desculpa da demanda histórico social não cabe……idéias não isenta responsabilidade histórica….ainda mais quando a narrativa é de mão única.

“….temos imaginação…”
Nesse ponto concordamos….apenas trocaria a palavra “imaginação” por abordagem ou mesmo visão de mundo.

Nos 3 apontamentos finais caímos na subjetividade….o que eu espero de um filme é diferente do que vc espera ….não posso argumentar contra isso.

Mas deixo aqui uma visão vietnamita:
A guerra do Vietnã ceifou a vida de 52 mil americanos …..segundo Spike Lee …30% eram negros (morreram 17 mil negros no Vietnã).
Cerca de 2,5 milhões de vietnamitas foram mortos (ou massacrados)….outros milhares ficaram aleijados .
Pergunto ao amigo Santiago……vc acredita que o Vietnã é o melhor cenário para falar sobre racismo e desigualdade ?

E não me leve a mal……apenas argumento sobre uma obra de arte (cinema sempre é arte…até nos seus piores momentos)….elas sempre oferecem várias interpretações.

abs

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 17 de junho de 2020 - 23:13

1 – Ela continua não sendo a única mulher do filme. Seu “argumento” não se sustenta.

2 – Então vamos contar quantos personagens, de todas as etnias, tiveram, ao longo das tramas na História do Cinema, uma construção onde poderiam ser vendidos em barras de ouro. Ou por bem menos. A não ser que você acredite que nunca existiram vietnamitas de moral questionável na História.

3 – A vilania pode ser colocada em qualquer lugar que qualquer roteirista quiser. Qualquer povo do planeta pode ter indivíduos vilões. Ficção é ficção.

4 – Se tivessem função dramática no roteiro teriam sido escritos como tal. E citar Eastwood não te ajuda em nada, muito menos o “filme no Japão”.

5 – Se você ignorar história, contexto, propósito dramático, você pode, como já disse, achar qualquer coisa sobre qualquer coisa. Ou inventar também. Fica aí a gosto do freguês: achar ou inventar. Só não vale querer que achismo e invenção seja tratado como realidade pelos outros.

6 – Abordagem demanda algum tipo de amparo lógico. Não é o caso.

Sobre a pergunta: eu acredito que qualquer país pode ser “o melhor lugar” para falar sobre absolutamente qualquer coisa que qualquer escritor de qualquer ficção quiser. Isso é cinema, não um teste secreto de laboratório.

Responder
Periferia 17 de junho de 2020 - 18:36

Olá.

Achei o filme racista…….por incrivel que pareça…..vejamos:
A unica mulher do filme é uma ex prostituta vietnamita….mãe de uma filha bastarda.
O guia do grupo é um vietnamita ….que para ajudar é prometido algumas barras de ouro.
Outros vietnamitas são retratados como vilões……que obedecem um colonizador francês.
Outros vietnamitas que aparecem no filme não tem fala….servem apenas de alvo para os tiros.
Vietna Lives Matter…..diria um vietnamita.
O fiilme é panfletário e oportunista …..acho mesmo que aquela cena no final do Black Lives Matter oi inserida depois do filme pronto.
Spike Lee é um cineasta novaiorquino …..tem suas demandas …..para filmes que tocam no racismo precisamos de cineastas universais …..caras que conseguem passar uma mensagem igualitária.

abs

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 17 de junho de 2020 - 19:15

A unica mulher do filme é uma ex prostituta vietnamita….mãe de uma filha bastarda.

Ela não é a única mulher do filme. E sobre o fato de essa mulher específica ser uma prostituta e mãe de uma filha bastarda… isso é História. Existiram centenas delas. E não só no Vietnã. Em todo país por onde passou um Exército invasor.

O guia do grupo é um vietnamita ….que para ajudar é prometido algumas barras de ouro.

Sim. E isso é racista por que mesmo?

Outros vietnamitas são retratados como vilões……que obedecem um colonizador francês.

Sim e sim. A vilania aí como ponto de vista. Há uma ideologia própria por trás e nem todos obedecem ao colonizador francês. Faltou ver com atenção.

Outros vietnamitas que aparecem no filme não tem fala….servem apenas de alvo para os tiros.

Sim. O filme se passa no Vietnã e os figurantes são de lá. Normalmente figurantes OU coadjuvantes têm poucas ou nenhuma fala. Isso não é racismo é recurso de roteiro.

Vietna Lives Matter…..diria um vietnamita.

Sim. Todo povo oprimido e colonizado diria isso.

O fiilme é panfletário e oportunista .

Sim. Em essência, como todo e qualquer filme político ou ideológico já feito em toda a História do Cinema, se você for olhar pelo ponto do panfleto como exposição de ideias e do oportunismo como base de uma demanda histórico-social. Isso é racismo?

acho mesmo que aquela cena no final do Black Lives Matter oi inserida depois do filme pronto.

Bom, a gente pode achar qualquer coisa sobre qualquer coisa. É um presente que temos da nossa imaginação.

“Spike Lee é um cineasta novaiorquino …..tem suas demandas”

Sim. Como qualquer cineasta natural de qualquer lugar do planeta Terra. Cada lugar gera suas demandas próprias. Sua linguagem. Seu modo de se dirigir a algum problema.

“.para filmes que tocam no racismo precisamos de cineastas universais”

Cineastas Universais? Se já é difícil encontrar obras universais, quem dirá cineastas universais! No mais, esse seu desejo contradiz 100% o seu ponto anterior. Cada cineasta responde às demandas de sua naturalidade, sociedade, vivências. Não existem “cineastas Universais”. E o Universalismo temático é mais uma interpretação ou encaminhamento interpretativo do que qualquer outra coisa.

“caras que conseguem passar uma mensagem igualitária.”

Quando esse for o propósito da obra, claro. Deve-se cobrar da obra aquilo que ela se propõe a ser.

Responder
Periferia 17 de junho de 2020 - 18:30

ola……

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 17 de junho de 2020 - 19:21

owlarrrrrrrrrr….

Responder
Filipe Isaías 15 de junho de 2020 - 19:10

Nossa cara, que fase do Spike Lee. Por enquanto o melhor filme do ano.

Sobre o boné do MAGA e essa falta de sutileza do diretor (que é proposital e não é de hoje), geralmente existe uma relutância ao discutir explicitamente uma figura do governo ainda no poder em filmes. Mas existem filmes dos anos 90 que falam do Clinton, dos anos 70 que falam do Nixon, filmes dos anos 1860 que falam do Linc.. não, pera voltei demais. Talvez hoje uma referência ao “agente laranja” seja óbvia, mas daqui a uns 20 anos ela se torna mais palatável, especialmente pra quem não viveu essa época.

Abs.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de junho de 2020 - 21:52

Eu não tenho problema nenhum com nenhuma referência explícita a nenhum presidente. E eu acho que Trump e toda a sua corja devem se foder. Minha colocação aqui é especificamente narrativa como deixei claro na crítica. Não passa por nenhum tipo de negação política. No mais, se você expõe claramente algo e insiste em fazê-lo à guisa de reafirmação de intenção, você está apelando para o didatismo. E um filmaço como esse não precisava disso. Qualquer um, em qualquer época, entenderia o que o diretor quis dizer logo da primeira vez.

Responder
Filipe Isaías 15 de junho de 2020 - 22:41

Entendi. Eu particularmente gosto desse didatismo, que sempre foi uma assinatura do Lee. É óbvio, e às vezes panfletário, mas acho que tem o seu lugar. Lembro que em Infiltrado na Klan, alguns disseram que a montagem final não era necessária. Realmente, o filme funciona sem ela. Mas o final é muito mais poderoso do jeito que foi feito. Acho parecido com Da 5 Bloods: as referências amplificam a mensagem.

E relendo o meu comentário, percebo que pareceu acusatório, mas juro que não foi a intenção. Malz aê. 😬

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de junho de 2020 - 23:02

Entendi seu ponto, meu caro, fiquei tranquilo! Eu não gosto desse tipo de didatismo (às vezes alguns usos, dependendo do caso, são bacanas), mas entendo o seu caminho de pensamento.

Responder
Jose Claudio Gomes de Souza 15 de junho de 2020 - 13:54

Belo filme! Não cansa, apesar da duração, e nos presenteia com atuações ótimas. E gostei, também, das referências a Apocalypse Now, desde tomadas que nos remetem ao longa de Coppola até o uso da Cavalgada das Valquírias. Enfim, só pra constar, ontem eu fui do inferno ao céu pois antes do Destacamento Blood eu havia assistido Artemis Fowl! Kkkkk. Abraços.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de junho de 2020 - 14:52

Eita, realmente você deu um baita salto de qualidade! Já eu fiz o caminho contrário. Vi esse aqui e na noite passada vi o “Harry Potter da Disney”. PQP, viu. Fazia tempo que eu não dava 0 estrela para um filme…

Responder
ADILSON 15 de junho de 2020 - 11:19

Achei o Filme sensacional! Alguns delizes na obra acabam passando despercebidos tendo em vista o bom roteiro abordado e algumas cenas de tirar o fôlego como aquela do campo mimado (tenso), mas somente uma coisa me incomodou e não tem a ver com o Filme em si. Me refiro de que uma Obra espetacular desse naipe, deveria ser apreciada no Cinema (Isso foi um grande pecado) mas infelizmente o momento difícil pelo qual estamos passando, não foi possível. Parabéns pela crítica Luiz, abs.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de junho de 2020 - 14:52

A qualidade visual aqui, a excelente direção quando a razão de aspecto abre para a tela inteira é algo absurdo e também lamento que não tenha visto isso no cinema.

Responder
João Victor 15 de junho de 2020 - 11:19

Ótimo filme, por vezes o didatismo me incomodou, mas isso não tira o brilho e a força da obra! Acho os flashbacks uma escolha interessante, reforça que são ‘flashes’ do personagem do Deroy, o que justificaria o fato de que eles já tão velhos, enquanto o Norman é jovem, estranhei de início, mas depois passou a fazer mais sentido pra mim. E aquele “madness, madness” no final ficou muito cara de Apocalypse Now. Ótimo filme, e ótima crítica!

Ps: nós entendemos a zueirinha com o MAGA já no início, não precisava ficar repetindo.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 15 de junho de 2020 - 14:52

Depois que começa a descer a ladeira da loucura, ninguém segura mais, né. E sobre o MAGA é bem isso mesmo. É engraçado no começo, mas a repetição quebra a magia.

Responder
Fórmula Finesse 14 de junho de 2020 - 19:12

Belo filme, só lá perto do final eu não imaginava que o Spike Lee ia se soltar tanto na ação – rsrsrsr.
Mas não foi uma surpresa ruim, o sujeito que pirou na selva têm um pouco do Coronel Kurtz, sendo mais uma das muitas homenagens ao clássico de Kubrick (até as amputações)…gostei, pensei que não seria tão “comercial” nas cenas de confronto, mas a obra final deixa suas marcas na nossa percepção, e têm muitas passagens tocantes.
Observando o (terrível) Top Dez Brasil que aparece no menu, percebe-se que ao menos nesse filme a Netflix acertou na aposta, foi o presente do mês.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 19:12

Veio como um bálsamo num mar terríveis lançamentos recentes…

Responder
Fórmula Finesse 14 de junho de 2020 - 19:13

rsrsrsr, ruim né? Tá pior que live ser… – Pena que filmes como Destacamento Blood se apresentam na razão de um a cada dois meses, os documentários – meu gênero preferido – também estão bem claudicantes. Prefiro pesquisar algo no Youtube.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 19:24

Talvez você consiga ver algumas coisas legais no Festival We Are One, no Youtube mesmo! Tem alguns docs também!

Responder
Fórmula Finesse 15 de junho de 2020 - 08:51

Vejaremos!!

Nellio Vinicius 14 de junho de 2020 - 17:20

Que filmão da p…, é um dos poucos filmes que trata os militares norte americanos não como supersoldados, mas como homens comuns cheios de falhas, claro tem referência a Rambo, Pantera Negra etc, mas para mim, a parte mais emblemática é o final, na leitura da carta do Paul, porque mesmo idoso , ele nunca conseguiu dar uma palavra de amparo ou ter uma conversa afetiva com o filho, e isso faz parte da nossa criação como homens, ele só conseguiu se expressar na morte. Também achei interessante a menção ao massacre de Mi Lai, nunca tinha ouvido falar, incrível como algo absurdo desses não tem a divulgação necessária, que são os crimes de guerra do lado mais forte.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 17:37

O tom humano que esse filme tem, de feridas humanas nas mais diversas esferas é absurdo. Além do tratamento histórico, claro, que vai por uma linha de abordagem diferente daquela que temos das obras americanas padrão.

Responder
Here's Johnny 14 de junho de 2020 - 11:27

O Delroy Lindo realmente me impressionou, acha que ele tem chance no Oscar?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 16:23

Pelo menos de uma indicação! O cara tá muito bem aqui!

Responder
Flavio Batista Dos Santos 18 de junho de 2020 - 08:36

Dedos cruzados por aqui

Responder
Victor Martins 13 de junho de 2020 - 16:28

Muito bom filme (não é melhor que Infiltrado na Klan), mas confesso que achei um pouco desnecessariamente longo, além do didatismo que você colocou no texto.

Também me incomodei com a presença dos ativistas no filme, só estavam lá por conta de um artifício narrativo.

Delroy Lindo merece uma indicação ao Oscar.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 17:02

Os ativistas do final? Quando recebem o cheque com a doação?

Responder
Victor Martins 13 de junho de 2020 - 18:04

Não, me refiro aos das minas. Os dois franceses e o gordinho de I Tonya.

Detestei cada minuto em que eles estiveram em cena. Quando apareceram até pensei que o filme faria uma “caça ao tesouro” entre os Bloods, os franceses e os vietnamitas, ainda bem que o Spike Lee não seguiu esse caminho.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 18:10

Ah, sim! Embora não tenha me incomodado tanto, eu entendo o teu descontentamento. E eles realmente não são necessários aqui, apenas servem como um recurso que poderia ser conseguido com personagens melhor engajados na causa OU se o roteiro trabalhasse melhor a presença dos franceses.

A propósito, também pensei que rolaria uma “caça ao tesouro”! hahahahahhahahahahah

Responder
Alber St-Pierre 🇮🇱🇫🇷🇷🇺 14 de junho de 2020 - 09:57

É verdade poderiam ter trabalhado melhor essa parte mas eu acho q simbolisa mais essa parte do “feridas eternas”,spike lee sempre procura mostrar esse coisa de “nao sao so os negros”

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 16:23

O problema não é a representação. É como foi feita.

Alber St-Pierre 🇮🇱🇫🇷🇷🇺 14 de junho de 2020 - 00:22

Mas o Vietnã ja foi colonia francesa ainda existem pessoas la com laços com franceses,meus amigos de la falam frances comigo,o filme é perfeito

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 00:34

Sim. Isso inclusive é abordado no filme. Mas não acho que era isso que ele está levantando. Ele está falando da funcionalidade (dramática, narrativa) desses indivíduos lá, e não questionando a presença histórica dos franceses no Vietnã.

Alber St-Pierre 🇮🇱🇫🇷🇷🇺 14 de junho de 2020 - 09:51

Nao so historica mas tbm funcional é comum ouvir relatos sobre a explosao de minas terrestres da guerra da indochina

Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 14 de junho de 2020 - 16:22

Sim, mas essa também não é a questão aqui.

Lucas Casagrande 13 de junho de 2020 - 15:25

Acabei de ver o filme, grande acerto do Spike Lee, gostei bastante do filme, parabens pela critica

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 15:42

Valeu, parceiro! É um filmão mesmo! Qual foi o seu momento favorito aqui, @disqus_IZdN7vZC7G:disqus?

Responder
Lucas Casagrande 13 de junho de 2020 - 17:34

Eu já tava achando o filme bem interessante, achei que ia cair mais pro lado drama familiar com drama de ex veteranos de guerra, não esperava mesmo pela parte de ação, e ela foi muito bem construida, de forma organica, o momento mais marcante pra mim foi quando o personagem do Delroy Lindo se separou deles e soltou de vez a loucura dele, a atuação dele foi muito boa

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 17:58

Momento fantástico esse. Essa atuação com certeza vai dar o que falar, pode render indicações ao ator na temporada de premiações desse ano.

Responder
Vinicius Maestá 13 de junho de 2020 - 07:28

Luiz, o que que tu achou da diferença entre as feições dos personagens na guerra (jovens) e nos dias atuais (velhos)? Para mim, eles ficaram iguais e por isso levou tempo para que eu tivesse certeza que o tempo presente se passava na época atual.
Abraço.

Responder
Handerson Ornelas. 13 de junho de 2020 - 13:37

Pensei a mesma coisa e fiquei pensando que escolha e estranha e interessante ao mesmo tempo.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 13:58

Eu já me acostumei com esse tipo de escolha porque vivo pegando obras de proposta não-realista. Mas que causa estranheza, isso causa.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 13:58

É exatamente a mesma feição. Muda apenas as variações de luz, cor e definição dependendo do formato utilizado. Mas eu tive 0% de problema com isso, embora a diferença seja notada e cause certa… “estranheza”, já que estamos acostumado com uma abordagem realista para esse tipo de representação (e essa não é a intenção aqui).

A escolha do diretor para a mudança de tempos/espaços segue na razão de aspecto, como coloquei no texto. Acho que você não atentou para essa exibição do formato e aí demorou um pouco para se achar. Gostou do filme?

Abração!

Responder
Vinicius Maestá 13 de junho de 2020 - 14:32

Eu me atentei para essa mudança de aspecto e fotografia em cada tempo, mas eu simplesmente achei estranho. Ora achava que o presente se passava pouco depois da guerra, ora imaginava que era nos dias atuais mesmo, levando uma hora de projeção mais ou menos para bater o martelo que se passava no nosso tempo. Aliás, naquela foto do grupo no final, eles estão com a aparência rejuvenescida.
Mas sobre o filme em si, eu gostei bastante sim. Acho que ele repete aqui o mesmo que ele fez em Faça a Coisa Certa, que é transmitir a sensação de calor e como isso afeta os personagens. A beleza da fotografia, pegando as belas paisagens do Vietnã é de embasbacar, ainda mais no HDR da Netflix.
O que me incomodou foi essa questão da aparência e a falta de organicidade do roteiro ao fazer as críticas (principalmente as contra o Trump) e passar as informações relativas ao sofrimento da população negra. Ah, e aquela andadinha do cara para trás até tocar na mina me soou um pouco forçada, deixando muito na cara que algo de errado ia acontecer.
Enfim, daria 4 estrelas também. E tô torcendo bastante já por uma indicação ao Delroy.
Abraço!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 14:39

A fotografia faz parte da manipulação da memória histórica. Aquela lembrança que faz tudo parecer diferente. De toda forma, entendo a tua dificuldade de localização, mesmo não compartilhando dela.

Eu gostei muito das escolhas de representação do Vietnã aqui, especialmente do ato da selva para frente. A partir desse ponto o filme ganha uma força tremenda!

Responder
Victor Martins 13 de junho de 2020 - 16:50

Achei sensacional as cenas de flashback no Vietnam com toda aquela estilização e cafonice dos filmes do Rambo. Não sei se foi essa a intenção do Lee, mas eu fiz essa conexão enquanto assistia ao filme.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 13 de junho de 2020 - 17:02

Sim, foi a intenção. E ficou muito foda! Também gostei muito.

Responder
Jadiel 13 de junho de 2020 - 18:21

Acho que isso ajuda a mostrar o quanto aqueles personagens não mudaram, mesmo passando-se algumas décadas do ocorrido. Principalmente o personagem do Delroy Lindo, que é essencial que compremos sua loucura, e o fato de ser o mesmo ator no presente e no passado ajuda pelo fato de assimilarmos uma certa proximidade entre as duas linhas do tempo, apesar de na verdade não ser tão próximo assim.

Responder
Vinicius Maestá 13 de junho de 2020 - 20:53

Eh uma boa visão.

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