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Crítica | Detroit, a Cidade do Rock

por Ritter Fan
114 views (a partir de agosto de 2020)

Get up
Everybody’s gonna move their feet
Get down
Everybody’s gonna leave their seat
You gotta lose your mind in Detroit Rock City
– Detroit Rock City, KISS

Detroit, a Cidade do Rock é uma celebração da amizade, do fandom, do rock ‘n’ roll e uma homenagem aos filmes que abordam jornadas de amadurecimento. E tudo embalado com muito carinho e simplicidade, além de atuações enternecedoras da quadra principal de rapazes e de Natasha Lyonne e Melanie Lynskey ainda com 20 e 22 anos respectivamente, comprovando que o tempo, para elas, simplesmente não passa. Ah, e tem muita idolatria ao Kiss, claro, o grupo de rock que marcou os anos 70 com sua maquiagens e figurinos apoteóticos e música poderosa, em um papel proeminente de MacGuffin.

Na trama, que se passa em 1978, os amigos adolescentes rebeldes Jam (Sam Huntington), Hawk (Edward Furlong), Lex (Giuseppe Andrews) e Trip (James DeBello) precisam correr contra o relógio para conseguir ver o show do Kiss, seu grupo favorito – ele formam até uma desafinada banda cover deles – em Detroit. Como antagonista principal, temos a mãe de Jam, a carola endiabrada Senhora Bruce (Lin Shaye) que não só acha que K.I.S.S. é a sigla de “Knights In Satan’s Service” ou “Cavaleiros a Serviço de Satã”, como também trata de atear fogo nos cobiçados ingressos, mandando seu filho, ato contínuo, para um internato católico, catalisando, então, toda a narrativa. O humor, aqui, não tem nem a sofisticação e nem a rudeza de Isto é Spinal Tap, com o roteiro de Carl V. Dupré beneficiando bem mais a comédia física e a direção de Adam Rifkin focando em histrionismos e caricaturas no lugar de personagens “de verdade”, com direito a close-ups exagerados e grande angulares.

E com isso não quero dizer que Detroit, a Cidade do Rock carece de comicidade, pois não é nada disso. Os exageros funcionam bem não só como uma forma de tornar as caracterizações e os conflitos ainda mais gritantes – é hilária a “briga” do rock contra o disco no meio da estrada -, como também como um aceno ao caldeirão musical da época e a idolatria a grupos de rock mais pesado. Aliás, diria que toda a projeção tenta, de forma bem-sucedida, passar a impressão de que estamos constantemente em um show de rock. Há muita cinética, muito tumulto, muito histerismo e, sem dúvida, muita música, do Kiss e de outros, permeando toda a narrativa e criando uma conexão muito próxima com o espectador, especialmente os que se identificarem mais com o rock ‘n’ roll e gostarem de uma apresentação ao vivo como este crítico. Em termos de homenagem aos fãs fervorosos, Detroit, a Cidade do Rock é muito mais completo, focado e bem aparado do que, por exemplo, Loucos e Fãs, que se perde ao tentar abraçar tudo ao mesmo tempo.

Cada ator tem seu tempo para destacar-se, ainda que o foco fique mesmo com Jam, vivido de maneira apaixonada por um inspirado Huntington. Mas Furlong também merece destaque por sujeitar-se a uma apresentação em strip club feminino (com direito à locução de ninguém menos do que o notório Ron Jeremy) e DeBello, sempre com cara de chapado, também tem bom espaço com seu Trip, quando tenta roubar os ingressos de um “garotinho indefeso” que não é lá tão indefeso assim. Somente Andrews parece perdido na história, sem uma função que realmente justifique sua presença por ali, ainda que isso não seja um grande pecado e termine de forma simpática para ele e para Christine, a personagem de Lyonne.

A jornada de amadurecimento, porém, é algo trabalhado com a mesma sutileza e profundidade de Porky’s: A Casa do Amor e do Riso, clássico oitentista do escracho total, ou seja, crescer significa transar e ponto final. Mas, como mencionei, vejo Detroit, a Cidade do Rock muito mais como uma homenagem a essa temática do que uma obra que seja mesmo sobre ela. O adolescente que transa é o eterno clichê de obras que gravitam ao redor de jovens nessa idade e a coisa não é diferente aqui, ainda que Rifkin tenha bom gosto – e um pouco de ousadia, considerando Jam – ao abordar cada um deles, sem descambar para nada que agrida ou saia do tom dessa divertida fábula roqueira.

Detroit, a Cidade do Rock é, dentro de sua simpática proposta, uma gostosura de assistir. Um filme que sabe respeitar o fandom sadio em geral – e do KISS em particular – e que nos faz mesmo levantar e movimentar os pés como a música-título diz, ainda que não nos faça exatamente perder a cabeça.

Detroit, a Cidade do Rock (Detroit Rock City, EUA -1999)
Direção: Adam Rifkin
Roteiro: Carl V. Dupré
Elenco: Sam Huntington, Edward Furlong, James DeBello, Giuseppe Andrews, Lin Shaye, Melanie Lynskey, Natasha Lyonne, Miles Dougal, Nick Scotti, Emmanuelle Chriqui, David Quane, David Gardner, Ron Jeremy
Duração: 95 min.

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