Home TVEpisódio Crítica | Dexter: New Blood – 1X02: Storm of Fuck

Crítica | Dexter: New Blood – 1X02: Storm of Fuck

Está mais para calmaria...

por Ritter Fan
5.309 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Em Cold Snap, sem perder muito tempo, o recluso Jim Lindsay voltou a ser Dexter Morgan ao saciar sua sede por sangue humano matando o filho mimado de um ricaço local no mesmo dia em que recebe a inesperada visita de seu filho Harrison (Jack Alcott) que ele abandonara 10 anos antes. Não foi um grande recomeço para a querida série original, mas ela serviu seu propósito de trabalhar a nostalgia e, talvez, atiçar a curiosidade. Agora, em Storm of Fuck, um título bem melhor que o episódio, vale dizer, aprendemos que o jovem talvez não tenha um Passageiro Sombrio querendo colocar as manguinhas de fora, ainda que muito claramente tenha levado uma vida de delinquência, algo esperado considerando os eventos trágicos de sua vida.

Claro que a ausência do Passageiro Sombrio nele no momento não quer dizer que ele não possa surgir no futuro, mas creio que essa escolha menos óbvia é boa para esse revival, pois permite que a história entre pai e filho caminhe em uma direção menos esperada. É interessante ver o garoto lidar com o mistério do sumiço de seu pai e mentir por ele quando percebe que há algo mais que ele esconde, mas essa conexão razoavelmente fria entre os dois – também esperada – acaba perdendo espaço para a direção óbvia e manjada que todo o restante do capítulo caminha. Afinal, a chegada da polícia atrás do desaparecido exatamente na propriedade de Dexter e ele tendo que se desdobrar para apagar as pistas que deixou e plantar outras não passa de mais do mesmo desde basicamente a primeira temporada da série, aí incluindo a chegada de Kurt Caldwell (Clancy Brown, o eterno Kurgan), pai do desaparecido, no último segundo, para reverter a tendência de a polícia dar o caso por encerrado.

Também é mais do mesmo o misterioso serial killer que prendeu a jovem em um quarto com câmeras, com as sequências sendo intercaladas ao longo de todo o capítulo para criar um suspense bem artificial. A questão é toda a coincidência de haver um assassino em série agindo em uma cidade tão pequena, exatamente a mesma cidade onde Dexter foi viver sua aposentadoria. O que eu espero, lógico, é que essa figura misteriosa não só seja alguém que já foi mostrado para evitar o assassino que cai de paraquedas ou que, melhor ainda, ele tenha conexão com Dexter e/ou Harrison de alguma forma, ainda que o desaparecimento anterior de uma jovem nativa chamada Iris dê a entender que ele está presente por ali há mais tempo. Em outras palavras, pelo momento não tenho outra opção que não suspender meu julgamento sobre esse vilão até que mais peças sejam oferecidas para montagem, o que me deixa apenas com a liberdade de dizer que não apreciei a forma como o drama da jovem aprisionada quebrou a narrativa principal, faltando sutileza e fluidez ao trabalho de direção de Marcos Siega.

No lado positivo, além da relação entre pai e filho – ainda bem mantidos distantes, pois seria ridículo ver Dexter de chororô com o garoto -, vale destacar os ataques histéricos de Debra com o irmão, até mesmo com um momento sinistro com ela batendo na janela com uma bala. Ver Jennifer Carpenter interagindo daquela característica maneira desequilibrada com Michael C. Hall é um ponto alto da nostalgia da minissérie, mesmo com as óbvias limitações do quanto pode ser feito nesse aspecto. O maior problema é que esse é um truque que cansa. Mesmo na série original, a relação de Dexter com o pai era parcimoniosa, mas em New Blood, quer parecer que há uma intensidade maior que não me parece sustentável, especialmente se for para Dexter reagir verbalmente à presença de Debra.

Storm of Fuck não é ainda o episódio que faz o clique e justifica – para além da nostalgia – o retorno do simpático serial killer ético. Ele é, apenas, a aparente certeza de que Clyde Phillips não parece querer arriscar muito, pelo menos não nesse começo. Só resta esperar que ele tenha um plano mais elaborado do que só o que está aparente no momento e que essa dupla inicial de episódios seja apenas a isca para algo mais interessante, que fuja do que aprendemos a esperar de Dexter.

Dexter: New Blood – 1X02: Storm of Fuck (EUA, 14 de novembro de 2021)
Desenvolvimento e showrunner: Clyde Phillips (baseado em obra de Jeff Lindsay)
Direção: Marcos Siega
Roteiro: Warren Hsu Leonard
Elenco: Michael C. Hall, Jack Alcott, Julia Jones, Johnny Sequoyah, Alano Miller, Jennifer Carpenter, Michael Cyril Creighton, Steve M. Robertson, Fredric Lehne, Clancy Brown
Duração: 52 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais