Crítica | Diabolik: Escrito no Sangue e Obrigado a Matar

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Primeira edição do Ano 54 de DiabolikEscrito no Sangue se torna rapidamente uma história muito “perto de casa”, ao colocar em destaque uma escritora chamada Angela Miller, que não só compartilha traços físicos com uma das criadoras de Diabolik, Angela Giussani, como também é uma escritora de livros policiais/suspense (nesse caso, de romances noir). No momento em que esta história começa, estamos na sessão de autógrafos para o lançamento de Terror na Cidade, o mais novo livro desta famosa escritora em torno da qual o grande mistério de Escrito no Sangue irá se desenvolver.

O que mais chama a atenção aqui é o caráter moral que o roteiro de Mario GomboliTito Faraci e Patricia Martinelli acaba tendo, não colocando Diabolik apenas como um ladrão cheio de grandes recursos, mas alguém que realmente se preocupa com a psicologia do crime que comete, especialmente nesse caso, onde sua parceira Eva Kant se recusa a acompanhá-lo no elaborado furto de um valioso punhal (utilizado pela escritora como um simples abridor de cartas), simplesmente porque é grande fã de Angela Miller. Inicialmente, fiquei confuso em relação ao peso que isso teria para o roteiro e confesso que já em bem adiantada parte da história, não conseguia desvendar qual era a real virada de jogo, uma vez que tudo parecia simples demais. Só que nos quadrinhos desse personagem nada é simples demais.

Essa visão também traz uma perspectiva interessantíssima para o leitor, que é a possibilidade de fazer com que uma história saia da linha de “apenas ok” para algo mais instigante, mais interessante em apenas algumas páginas. O processo de investigação de Ginko aqui me pareceu meio desencontrado, mas quando enfim as peças se encontram, na derradeira parte, o leitor ganha de presente o já citado caráter moral em seu mais mortal aspecto, algo que se estende também para a página final da revista, crua, seca, sem concessões.

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Sergio ZaniboniPaolo Zaniboni, respectivamente responsáveis pela arte e finalização da revista, entregam um projeto visualmente simples, com escolha precisa para preenchimento maior dos quadros e traços mais duros para os personagens, flertando visualmente com o estilo noir, fazendo da história central de Escrito no Sangue uma inesperada versão moderna do estilo — e com isso há até uma brincadeira não intencional e muito bacana aqui, porque o gênero ao qual pertence este quadrinho é o giallo, que em essência traz toda a carga investigativa noir, só que com outra abordagem estética e narrativa, principalmente em relação aos assassinatos, definitivamente mais violentos e elaborados. Aqui, o título é trabalhado com bastante competência em seus diversos significados, espelhando tragédias movidas por motivos que acompanhamos nos noticiários constantemente, exceto pela punição aos culpados. Em nosso mundo, ela demora muito; nem sempre é justa e às vezes nunca vem.

Scritto nel Sangue — Itália, 1º de janeiro de 2015
Catalogação: Diabolik #815 | Ano 54 — Número 1
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.1, 2018)
Roteiro: Mario Gomboli, Tito Faraci, Patricia Martinelli
Arte: Sergio Zaniboni
Arte-final: Paolo Zaniboni
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Obrigado a Matar

Obrigado a Matar, segunda edição do ano 54 de Diabolik, é uma história de tirar o fôlego. A trama combina muito com a abordagem dos roteiristas Mario Gomboli, Andrea Pasini e Diego Cajelli para as últimas consequências de uma operação policial que encurrala um grande criminoso: mesmo tendo comprado parte do sistema, em alguns momentos é impossível ter tudo a seu favor. Este é o caso de Kardoss, que no início da aventura está terminando de ajustar todos os pontos para que se safe ou ao menos pareça menos culpado do que é, no julgamento que está para enfrentar. Há, no entanto, uma agravante: três testemunhas de peso (ex-funcionários de Kardoss) toparam depor contra o chefão. E Kardoss já conta com a condenação.

Com a arte cheia de detalhes de Angelo Maria RicciMarco Ricci — proposta visual muito diferente da aventura anterior, Escrito no Sangue –, o espectador começa com uma miríade de percepções no mínimo estranhas, pois há um castelo em cena, próximo a Clerville + a trama de um inteligente mafioso fazendo de tudo para diminuir o impacto de suas atividades frente a um massacrante julgamento + um roubo de diamantes organizado por DK e Eva; camadas bem diferentes que se fundem em meio ao meio do golpe dos ladrões no covil, pois havia algo naquele castelo com o qual eles não contavam.

A partir daí, tudo é pensado para marcar mais uma vez a genialidade de Diabolik em organizar um plano de vingança e, ao mesmo tempo, colocar em prática um serviço que é obrigado a fazer: matar as três importantes testemunhas do caso Kardoss. Particularmente não gostei do ritmo da aventura nessa parte do volume (e nem da explicação sobre como essas coisas aconteceram), mas todo o restante de Obrigado a Matar é uma instigante jornada quase cinematográfica e que deixa o leitor tentando adivinhar os passos e saber quem está disfarçado, qual é a intenção de Diabolik ou como ele vai conseguir se livrar das enrascadas em que se meteu.

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Assim como em Escrito no Sangue, o roteiro nos traz um final seco e impiedoso, com a aplicação imediata da justiça pelas mãos de Diabolik, novamente tomando para si algo bastante pessoal como motivo para agir. Claro que é uma questão mais séria (pois envolve o cativeiro de Eva), mas entra naquela mesma linha de advertência praticamente dita por um dos personagens em certo momento da história: “não se coloque no caminho de Diabolik, especialmente se pretende sacaneá-lo“.

Costretto a Uccidere — Itália, 1º de fevereiro de 2015
Catalogação: Diabolik #816 | Ano 54 — Número 2
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.1, 2018)
Roteiro: Mario Gomboli, Andrea Pasini, Diego Cajelli
Arte: Angelo Maria Ricci
Arte-final: Marco Ricci
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.