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Crítica | Diabolik: Sangue no Rio e Angústia do Passado

por Luiz Santiago
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No presente compilado, trago duas críticas das histórias de Diabolik lançadas em 2015, a saber: Sangue no Rio (desenhada por  Enzo Facciolo) e Angústia do Passado (desenhada por Giuseppe Di Bernardo e Riccardo Nunziati). Todas essas aventuras fazem parte do Ano 54 de Diabolik. Desejo a todos uma boa leitura e não deixem de fazer seus comentários ao final da postagem!

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Sangue no Rio

Eu tenho um verdadeiro fascínio por histórias de golpes que contam com a intervenção de outros golpistas no meio do processo. Como sempre haverá um ponto dramático forte em enredos assim — seja pela presença da polícia, seja por algo que dá errado no plano inicial ou por qualquer outra eventualidade que faz com que os bandidos remodelem suas intenções –, o leitor conta com uma dose bem maior de adrenalina ao acompanhar essas histórias, e é justamente esse tipo de trama que encontramos aqui em Sangue no Rio.

Eva Kant é contratada como motorista e segurança particular de uma grande empresária, mas sua verdadeira intenção é dar informações internas para Daibolik conseguir entrar na casa. Esse ponto inicial e a aproximação entre Eva e sua vítima (que me lembrou um pouco de Escrito no Sangue) deixa a gente sem conseguir apontar muitos caminhos para as personagens, e tal imprevisibilidade do roteiro sempre consegue cavar bons pontos na nossa avaliação geral da leitura.

O que me incomoda no final de Sangue no Rio — e isso vale para algumas outras aventuras de Diabolik também — é o encerramento que parece ter sido escrito em dois minutos, para dar tempo de imprimir a edição. Fico incrédulo ao ver como o conteúdo das histórias são bem pensados, os detalhes no texto, na arte e na própria revelação cheia de viradas mirabolantes são ingredientes interessantes desses volumes, mas o final às vezes não tem capricho algum!

Eu até entendo a intenção de não colocar um “verdadeiro ponto final” nesses enredos, mas mesmo histórias com um término propositalmente reticente precisam que essa reticência seja bem elaborada, não apenas marcada por um beijo entre os golpistas ou um combinado qualquer para se encontrarem no refúgio, numa cena em elipse… e fim de papo. Isso acaba incomodando mais porque vem no bojo de uma história que recebeu um cuidado bem diferente em seu desenvolvimento! Vai entender…

Sangue Sul Fiume — Itália, 1º de novembro de 2015
Catalogação: Diabolik #825 | Ano 54 — Número 11
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.3, 2020)
Roteiro: Mario Gomboli, Andrea Pasini, Rosalia Finocchiaro, Angelo Palmas
Arte: Enzo Facciolo
Arte-final: Paolo Tani
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Angústia do Passado

Angústia do Passado nos traz uma situação de abuso sexual. Valentina é uma adolescente introspectiva que, depois que seus pais morreram, passou a morar com os tios. Desde os 10 anos, seu tio abusa dela. Essa revelação no meio da edição torna o golpe de Eva Kant e Diabolik em outra coisa aqui, praticamente uma missão de resgate seguida da merecida punição de um crime. Para eles (principalmente para Eva) trata-se de uma questão de honra livrar a garota das garras de seu abusador e isso define o tom da narrativa a partir do momento em que Eva, disfarçada de Valentina, é assediada no quarto.

É por isso que o golpe nessa edição acaba tendo um papel secundário, mas isso não significa menos interessante. A preparação para o roubo das moedas de ouro e a própria realização do roubo são muito bem erguidas e desenvolvidas pelos roteiristas, tendo inclusive um forte elemento de suspense no final, com Eva ficando para trás, mantendo uma isca definitiva para o tio pedófilo e estuprador e finalizando todo o drama com o merecido assassinato do patife.

O final da aventura é um dos mais interessantes desse ano 54 de Diabolik, pois traz um encerramento de esperança com duas frentes vitoriosas para os protagonistas. A primeira e mais importante delas é que Valentina agora está livre dos tios e já mostra sinais de mudança positiva em seu espírito, em sua vida. E a segunda é que Eva e Diabolik conseguiram tomar posse da tão sonhada coleção de moedas de ouro. Uma aventura que consegue atingir camadas para além do puro mistério.

Angoscia dal Passato — Itália, 1º de dezembro de 2015
Catalogação: Diabolik #826 | Ano 54 — Número 12
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.3, 2020)
Roteiro: Mario Gomboli, Andrea Pasini, Patricia Martinelli
Arte: Giuseppe Di Bernardo, Riccardo Nunziati
Arte-final: Jacopo Brandi
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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