Crítica | Diabolik: Terror no Pântano

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Aventura de 1973 escrita por Luciana Giussani e Angela Giussani, Terror no Pântano traz mais uma vez um roubo de jóias empreendido por Diabolik e Eva Kant, esta, com uma participação bem mais intensa na saga, assumindo praticamente todo o trabalho pesado do grande roubo, enquanto Diabolik guia mais a parte estratégica e situações de disfarce e distração da polícia, numa dinâmica de trabalho absurdamente interessante de se acompanhar, ainda mais quando a gente acha que está para descobrir a solução do mistério e somos enganados tal qual o Inspetor Ginko.

A arte de Alarico Gattia e Glauco Coretti brinca o tempo inteiro com a nossa capacidade de investigação, colocando detalhes em diversos quadros para distrair o leitor e fazê-lo abraçar pistas falsas, especialmente da metade da aventura para o final. O grande foco do roteiro aqui é fazer um jogo de suposições sobre as jóias de Turbèn, que está para vendê-las em um rico evento que acontecerá numa mansão com todo tipo de segurança e alarmes que se possa imaginar. Claro que isso nunca impediu Diabolik (ou pelo menos não o impediu de tentar), então não é surpresa alguma quando vemos o personagem agindo diretamente sobre o objeto que queria levar embora. A narrativa aqui é rápida e, infelizmente, bastante carente de contexto. Por um lado isso tem um ponto interessante, já que a ação da revista está o tempo inteiro ativa. Mas há também o lado da coesão da história, que fica comprometido quando o contexto para uma porção de cenas é simplesmente posto de lado ou até mesmo inexistente.

O leitor até compreende a intenção das roteiristas em fazer suspense no início e rondar um pouco com as identidades secretas e o roubo noturno de Diabolik. O truque com a câmera fotográfica foi bastante inteligente e mesmo estando lá o tempo inteiro — na arte e no texto — eu só vim perceber o que de fato havia por trás daquilo quando houve a grande revelação. Aos poucos, porém, essa marca de ação direta nos atrapalha. Muitas perguntas sobre “como” e “por que” algumas coisas acontecem nos vêm à mente e, como nenhuma delas é de fato respondida, a constatação de buracos na construção do drama acaba sendo inevitável. A sorte é que a perseguição e os planos da dupla dinâmica aqui são tão interessantes, que nos divertimos muitíssimo vendo-os trabalhar ou revelar como fizeram algumas coisas.

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Talvez se tivessem passado menos tempo com relatórios policiais e focassem em simples contextualizações, as irmãs Giussani teriam conseguido uma história mais fluída, especialmente porque nessa edição elas narram a aventura de forma paralela, então já existe a cobrança de atenção do leitor para a passagem de espaço e tempo. Se somarmos a falta de contexto para algumas coisas, temos um problema a mais que nossa paciência certamente dispensa. Por fim, eu lamento o fato de a edição passar tão pouco tempo no pântano perto da mansão. Como disse antes, as cenas de ação aqui são sempre divertidas de se acompanhar e a perseguição no pântano (mesmo tendo começado com uma estranhíssima intervenção de outro grupo de criminosos na história) é o melhor momento desse conto. A arte de Gattia e Coretti, depois de alguns quadros bem aquém do que poderiam entregar, volta a um bom nível e encontra nesse clímax um de seus melhores momentos.

A derradeira cena de Terror no Pântano é bem burocrática, com Ginko exprimindo aquilo que todos nós já sabemos, mas funciona pela ideia de “encerramento de episódio“, dando uma piscadela para o próprio cânone da série. Está para chegar o dia em que eu conseguirei ler uma história de Diabolik e acertar todos os planos e disfarces (às vezes parecendo tão simples) que ele e Eva fazem em seus roubos. Um dia o meu faro de detetive (que já falhou comigo em Christie, Poe, Simenon e Berardi) conseguirá resolver alguma coisa. Um dia, quem sabe.

Terror no Pântano (Terrore Nella Palude) — Itália, 15 de janeiro de 1973
Catalogação: Diabolik #234 | Ano 12 — Número 2
Editora original: Astorina
Roteiro: Luciana Giussani, Angela Giussani
Arte: Alarico Gattia, Glauco Coretti
118 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.