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Crítica | Diabolik: Tudo de Novo, Sob Assédio e Com a Morte no Corpo

por Luiz Santiago
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No presente compilado, trago três críticas das histórias de Diabolik lançadas em 2015, a saber: Tudo de Novo (desenhada por Matteo Buffagni), Sob Assédio (desenhada por Enzo Facciolo) e Com a Morte no Corpo (desenhada por Enzo Facciolo). Todas essas aventuras fazem parte do Ano 54 de Diabolik. Desejo a todos uma boa leitura e não deixem de fazer seus comentários ao final da postagem!

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Tudo de Novo

Tudo de Novo é uma trama de investigação policial (no ramo de narcóticos), bem alinhada ao estilo cinematográfico italiano poliziotteschi (vejam o excelente Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita para terem uma ideia) e que termina sendo uma interessante história de doce vingança. O que a equipe de escritores conseguiu fazer aqui foi inicialmente criar um ótimo golpe de Diabolik e Eva Kant para depois desfazer esse golpe (isso mesmo, desfazer), tendo como motivação um acordo entre o bandido das mil faces e o chefe policial responsável pela investigação ao mafioso Velaskoz.

Parece que não, mas o roteiro possui uma cadeia de eventos consideravelmente intricada, só que sem complicações desnecessárias. O texto desenvolve o lado pessoal e emocional da agente Giulia, que perde o seu amado em uma das operações contra esse grande traficante Velaskoz e, por isso, procura levar até o final a operação destinada a prendê-lo. O fato de Diabolik e Eva entrarem no meio dessa bagunça é puro azar (ou sorte?), e o pulo do gato do texto é não jogar fora essa ‘intromissão’ dos golpistas, mas antes transformá-la em uma mola para o avanço da trama, mesmo depois de uma grande tragédia.

O que vemos em Tudo de Novo é o tipo de história que faz com que nos aproximemos pelos criminosos protagonistas. Eva e Diabolik possuem um senso moral e ético que não ultrapassa a linha da infâmia, especialmente contra inocentes (recentemente li a história inaugural de Kriminal e fiquei em choque ao perceber que é uma derivação bem diferente de Diabolik nesse sentido específico) e isso faz com que recebam a nossa torcida nesses golpes que realizam. Algumas vezes, as coisas vão muito além do roubo em si. Como na presente história, a presença desses dois foras da lei significa a única possibilidade de justiça contra criminosos definitivamente piores que eles.

Tutto da Rifare — Itália, 1º de maio de 2015
Catalogação: Diabolik #819 | Ano 54 — Número 5
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.2, 2019)
Roteiro: Licia Ferraresi, Mario Gomboli, Andrea Pasini, Rosalia Finocchiaro
Arte: Matteo Buffagni
Arte-final: Giorgio Montorio, Luigi Merati
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Sob Assédio

Eu gostei muito da forma como Sob Assédio foi construída. Pegamos uma cena posterior a um roubo de Diabolik e Eva, e em pouco tempo Ginko está envolvido no caso, de um modo que a gente não esperava que ele estaria. E o melhor é que o texto faz cortes para doze horas antes dos eventos presentes, montando, em diferentes blocos, tudo o que aconteceu para que as coisas chegassem na situação em que estão.

Embora traga uma pequena semelhança com o método de investigação visto em Tudo de Novo, a força da polícia e até mesmo a maneira como o caso se organiza é bem menos potente do que naquela história. Parece que estamos em um caso comum de corrupção policial que acaba envolvendo um grande mafioso, nesse caso, Lucenko. E aqui o caso é de falsificação de dinheiro, com os bandidos de olho em etiquetas holográficas especiais, pelas quais pretendem pagar muito bem.

A entrada de Ginko é um chamativo e tanto para nós, mas a presença de uma infiltrada, a agente Barbara, é que deixa o enredo mais tenso, fazendo com que o leitor pense nas mais diversas maneiras que ela tem para escapar das mãos dos mafiosos e, logo depois, pensando em como o papel dela irá se desenvolver na edição, após ser sequestrada por Diabolik e substituída por Eva, em campo. Tanto a progressão dos eventos quanto o intenso cerco que fazem ao refúgio dos protagonistas, no ato final do volume, garantem ótimos momentos para o público.

Sotto Assedio — Itália, 1º de junho de 2015
Catalogação: Diabolik #820 | Ano 54 — Número 6
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.2, 2019)
Roteiro: Licia Ferraresi, Andrea Pasini, Roberto Altariva
Arte: Enzo Facciolo
Arte-final: Paolo Tani
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Com a Morte no Corpo

Eu já estava com saudade de ser enganado por uma troca de identidade de Diabolik e Eva, e aqui mataram a minha lombriga de uma forma que eu não imaginava. Em Com a Morte no Corpo, o casal criminoso deve descobrir o que aconteceu durante a festa da Condessa Demond, uma festa onde estavam assumindo a identidade de dois jornalistas e onde foram drogados e tiveram um vírus injetado em seus corpos. Em pouco tempo eles descobrem que estão sendo usados como armas biológicas e que têm poucas semanas de vida. Esse é o tipo de enredo que merecia até mais espaço, como um arco de duas edições — mas não creio que haja isso em Diabolik, pois nunca vi uma história em continuidade na série, apenas aventuras autocontidas.

Tramas envolvendo empresas farmacêuticas, intrigas corporativas envolvendo produção de remédios e tentativa de faturamento em cima de fórmulas secretas é algo que gera tramas bem intenso, aqui não sendo diferente, embora a condução do roteiro preste mais atenção no suspense em torno da vida de Diabolik e Eva ou no roubo que eles devem fazer na edição… se continuarem vivos.

Há um certo tom anticlimático no final da história, e não me abandona a impressão de que a pequena correria para resolver tudo no último ato minou um pouco o charme da edição. Todavia, as inteligentes trocas de identidade e as surpresas vindas com a dificuldade de locomoção do casal deixaram os nossos olhos arregalados ao longo de toda a leitura, mantendo a boa estrutura geral da história.

La Morte in Corpo — Itália, 1º de julho de 2015
Catalogação: Diabolik #821 | Ano 54 — Número 7
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.2, 2019)
Roteiro: Mario Gomboli, Andrea Pasini, Roberto Altariva
Arte: Enzo Facciolo
Arte-final: Paolo Tani
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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