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Crítica | Diabolik: Um dos Três, Morte em Alto-mar e Eu Matei Eva Kant

por Luiz Santiago
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No presente compilado, trago três críticas das histórias de Diabolik lançadas em 2015, a saber: Um dos Três (desenhada por Matteo Buffagni), Morte em Alto-Mar (desenhada por Angelo Maria Ricci) e Eu Matei Eva Kant (desenhada por Emanuele Barison). Todas essas aventuras fazem parte do Ano 54 de Diabolik. Desejo a todos uma boa leitura e não deixem de fazer seus comentários ao final da postagem!

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Um dos Três

A leitura de Um dos Três me lembrou, em alguns aspectos narrativos, um outro giallo em quadrinhos: Júlia Kendall. Isso porque a construção do presente roteiro não está costurada apenas a uma via dramática, com Diabolik sendo destinado a um roubo X e com obstáculos diversos entrando em seu caminho. Nessa história, temos a ocultação de um crime durante todo o volume, e o texto brinca com a percepção do leitor, usando a inocência de alguns homens como um McGuffin e o disfarce de Diabolik como um ingrediente ativador de tensão, já que ele não pode fazer nada para escapar de onde está.

O lado psicológico dos dramas policiais ou de mistério sempre me encanta, e é muito bem ver isso explorado num contexto onde existe muita coisa em jogo, e não necessariamente coisas que o leitor sabe a respeito. É o tipo de situação aonde o protagonista tem a sua oportunidade de roubo (aqui, o objetivo é conseguir o colar dos Blanchards e presenteá-lo a Eva Kant, que o desejava ardentemente), mas esse é o ponto menos importante do texto. As habilidades e a própria presença de Diabolik são direcionadas para a preservação de sua própria vida em um ambiente hostil, tornando a moeda da troca do volume maior do que em qualquer outro — bom, só não comparada a situações em que a vida de Eva está em jogo, como vimos, por exemplo, em Obrigado a Matar.

E para leitores chatos que jogam a obviedade editorial na conta da emoção durante a leitura (uma justificativa do tipo “é óbvio que nunca iriam matar Diabolik!“) eu só lamento. Sim, nunca vão matar o protagonista de um título, mas é fascinante comprar a situação e jogar com a realidade diegética proposta pelos autores, sentir o medo, a angústia e pensar em possibilidades para o personagem dentro dessa nova situação. E no fim, perceber a ironia do Universo (ou do Destino?) ao preparar para certos criminosos a sua merecida recompensa. Dessa vez, pelo menos, a linha moral do roteiro que pune o assassino no final acaba funcionando bem para a história.

Uno Dei Tre — Itália, 1º de agosto de 2015
Catalogação: Diabolik #822 | Ano 54 — Número 8
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.2, 2019)
Roteiro: Mario Gomboli, Tito Faraci, Andrea Pasini, Rosalia Finocchiaro
Arte: Matteo Buffagni
Arte-final: Giorgio Montorio, Luigi Merati
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Morte em Alto-Mar

A sinopse de Morte em Alto-Mar traz um pouco da sensação geral que eu senti quando comecei a lê-la, achando que tudo fluiria normalmente… até que as coisas definitivamente saíram dos eixos. O roubo aqui planejado aconteceu com perfeição. O objeto roubado está em segurança. Diabolik e Eva estão prontos para comemorar mais um sucesso. Mas aí um acidente trivial se transforma em uma cadeia de eventos que os levará a desafiar a morte… em alto mar.

Eu adoro quando os roteiros destacam o papel de Eva Kant em ação. Em aventuras desse mesmo ano 54 tivemos muitos exemplos dessa personagem em campo, mas tramas como esta de Morte em Alto Mar mostram-na agindo sozinha, tomando iniciativas contrárias às indicações de Diabolik, tudo para poder salvar o homem que ama e, como consequência disso, conseguir sucesso em mais um roubo.

Na presente história, duas frentes de golpe se apresentam. A primeira delas está ligada a roubos de carros de luxo e a segunda, a um valioso diadema. A primeira aplicação dos golpes, em ambas as frentes, acontece de modo interessante e com sucesso para os protagonistas. Todavia, o leitor percebe que haverão outras implicações aqui. Chega a ser engraçado o fato de Diabolik e Eva enfrentarem outro grupo de criminosos, primeiro em terra e depois em alto mar, onde o enredo dá uma boa virada para a pirataria contemporânea e recebe uma ótima dose de claustrofobia, com Diabolik preso num porão falso coberto por toneladas de grãos. Uma aventura com a cara dos dramas policiais contemporâneos, mas com um belo e sarcástico encerramento, lembrando-nos aventuras do cinema clássico.

Morte in Alto Mare — Itália, 1º de setembro de 2015
Catalogação: Diabolik #823 | Ano 54 — Número 9
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.3, 2020)
Roteiro: Mario Gomboli, Licia Ferraresi, Diego Cajelli
Arte: Angelo Maria Ricci
Arte-final: Marco Ricci
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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Eu Matei Eva Kant

Eis aqui uma aventura que eu achei que gostaria muitíssimo mais do que acabei gostando no final. E a “culpa” desse gosto menor do que o imaginado é justamente do tal “final”, com destaque especial para o exagero didático que o roteiro acaba adotando para explicar todo o processo de disfarce que Diabolik e Eva. O fato é que o título Eu Matei Eva Kant já serve de grande carta de apresentação, deixando o leitor animado e momentaneamente preocupado pelo que pode acontecer. E em boa parte do tempo os roteiristas aqui conseguem aproveitar essa deixa, criando todo um mistério que nos faz acreditar na morte de Eva — bem… “acreditar”, sabe… — e acompanhar a já esperada vingança de Diabolik.

As precauções tomadas pela polícia, o início das investigações, a autópsia e o comportamento de DK estabelecem uma atmosfera de tensão que se estende até o final do volume, quando o texto passa a explicar as coisas até demais para o leitor, e chegando a uma justificativa final que me pareceu bastante aquém de todo o esforço, de todo o trabalho que a dupla de golpistas tiveram. É evidente que o roubo das joias é algo valioso e não é a primeira vez que os vemos utilizar um objeto como isca para roubar outra coisa, mas o foco que dão a esse primeiro objeto aqui é tão grande, que quando a verdadeira intenção é revelada, o impacto previsto simplesmente não acontece.

É claro que a gente consegue aproveitar com muito gosto todo o processo de construção da trama, e aguardamos com muita ansiedade a vingança de Diabolik. A expectativa é grande e em parte compensada pelo que os autores nos trazem, mas como eu disse, o didatismo na explicação final e a guinada de foco em relação ao objeto roubado tiraram um pouco o brilho geral da história. É por isso que iniciei o texto dizendo que achei que gostaria bem mais dela do que acabei gostando.

Ho Ucciso Eva Kant — Itália, 1º de outubro de 2015
Catalogação: Diabolik #824 | Ano 54 — Número 10
Editora original: Astorina
No Brasil: Editora 85 (Diabolik Vol.3, 2020)
Roteiro: Mario Gomboli, Andrea Pasini, Roberto Altariva
Arte: Emanuele Barison
Arte-final: Riccardo Nunziati
Capa: Matteo Buffagni
120 páginas

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