Home QuadrinhosOne-Shot Crítica | Dias de Trevas: A Forja e A Fundição (Prelúdio Para Noites de Trevas: Metal)

Crítica | Dias de Trevas: A Forja e A Fundição (Prelúdio Para Noites de Trevas: Metal)

por Luiz Santiago
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No Metalliverse, uma Corporação de Metaleiros formada por MotörWomanBat-Sabbath, AquaMaiden, Super-Priest, Flaslayer e Green Death se unem para dominar o Multiverso. Esta é a sinopse da saga Metal, da DC Comics… ou pelo menos a sinopse que eu gostaria que fosse verdade. A verdadeira sinopse diz assim: “Batman está prestes a enfrentar uma conspiração que nunca imaginou ser possível. Uma força mais maligna que tudo que o herói já encarou está se infiltrando em nossa realidade, usando bizarros e poderosos metais alienígenas como porta de entrada. Nem o Morcego nem seus aliados têm certeza do que ela é capaz. Antigos amigos e adversários parecem estar profundamente envolvidos na trama, ainda com seus papéis indefinidos, mas uma coisa é certa: ninguém passará incólume pelo mal absoluto que está chegando a nosso mundo!“.

Formado por duas edições, A Forja e A Fundição, o prelúdio de Metal é uma história que pede para você se entregar e se divertir. Uma coisa precisa ficar clara desde o começo: se você implica com o Batman-Todo-Poderoso-Chave-de-Mistérios-Eternos que o Sr. Scott Snyder adora escrever, então respire fundo. Porque todo o exagero de colocar o Morcegão em situações desse peso, especialmente em eventos cósmicos, realmente irrita, mas dentro de um bom contexto — como é o que temos aqui (lembrando que o roteiro é de Snyder + James Tynion) –, acaba sendo bastante aceitável e, cima de tudo, divertido.

Basicamente, Metal irá responder à pergunta que deu justificativa à saga: O QUE É O MULTIVERSO NEGRO? Ou seja, não é alta ciência. Pegue o fato dado: existe um Multiverso Negro. “Ah, mas o que é isso, de onde vem, para onde vai?“. Pois é. Justamente por isso que esta saga foi criada. Para dar suporte e explicações sobre o aparecimento de mais esta camada dentre as muitas realidades da Casa das Sombras.

plano critico gavião negro e mulher gavião

De maneira coerente, o roteiro coloca Gavião Negro e Mulher-Gavião (enfim, de volta!) como linha arqueológica do misterioso metal investigado pelo Batman.

Nessa história, o que temos é uma real investigação do Morcego para um metal que, agora ele sabe, vem há milhares de anos “infectando” a realidade do Universo DC através de diversos artefatos, colocados no campo de batalha contra o mal e também usado por vilões, para diferentes fins, desde a Pré-História. Algumas “quedas acidentais” de naves e meteoros, algumas espadas, adagas, elmos, correntes, braceletes, máscaras e outros derivados de metais que, por distintos motivos, fazem parte desse Universo, não são exatamente “simples metais especiais”. Existe, na verdade, algo muito mais… intencional em sua forja, algo feito sem pressa, com a intenção de cercar, de maneira sábia e precisa, o máximo de heróis, aqueles que abririam as portas para algo sombrio em nosso Universo. Há um número gigantesco de informações e novidades aqui, desde a definição de meta para Duke Thomas [aleluia, até que fim!!!], até alguns indícios de retornos e novas interpretações de personagens no Universo pós-Novos 52.

E com isso, a história se desenvolve através de muitas pistas, migalhas de lembranças de momentos passados (sem ser confuso) muita citação, muito holograma e muito flashback de heróis e equipes da editora. Em cena, temos boas participações de Aquaman, Mulher-Maravilha, Superman, Senhor Milagre, Senhor Incrível e Lanterna Verde (Hal Jordan), e como apoio histórico e dramático, temos citação aos Renegados e à Liga da Justiça, até presenças em imagem ou texto do Homem-Borracha, Raio Negro, Metamorfo, Dick Grayson, Talia Al Ghul, Desafiadores do Desconhecido, Falcões Negros, e mais uma porrada de outros, além de personagens/grupos que surgem pela primeira vez nos quadrinhos, como [usarei aqui os nomes em inglês, pois no momento em que publico essa crítica, eles ainda não receberam nomes oficiais no Brasil. Se você está lendo isso quando as HQs já tiverem saído no país e os nomes oficiais já estiverem na praça, dê um toque para eu aportuguesar oficialmente a coisa toda] os Immortal Men, grupo formado por Stray, Timber, Reload Ghost Fist; o Conselho dos Imortais, do qual O Mago (sim, o que está ligado a Shazam) é um dos membros; e a primeira presença, mas não revelação física completa, dos Cavaleiros das Trevas do Dark Multiverse.

plano crítico cavaleiros das trevas plano critico metal batman

Só gente simpática…

A arte aqui é feita por Jim Lee, Andy Kubert e John Romita Jr., com finalização de Scott Williams, Klaus Janson e Danny Miki, ou seja, só nomes fortes, o que certamente contribui muito para o projeto ter maior força. O problema é que a composição artística aqui não foi pensada por blocos, ou seja, cada um desenhando um segmento temporal/espacial. E é uma pena que não tenha sido feita essa divisão. Porque o que temos aqui são estilos de desenhar e de arte-finalizar muito diferentes compartilhando até quadros de uma mesma página, o que para mim, perde totalmente o impacto de você ter artistas distintos trabalhando em um mesmo projeto. Tudo misturado e sem critério, como se tivesse feito apenas para completar mesmo as páginas e entregar a revista no prazo. Mas esta é a parte da concepção. A arte em si, de todos eles, captura bem a essência do roteiro e cria com muita competência a ameaça e o tom de exagero que a ideia do metal dá à epopeia (agora, sem brincadeira: Snyder realmente pensou em utilizar o conceito macabro, denso e exagerado do gênero Metal, algo que também se refletirá na arte do evento principal do projeto). A Forja e A Fundição são prelúdios muito instigantes para uma saga com forte impacto no Universo da DC. Se o leitor se deixar levar, com certeza vai ser uma baita jornada divertida.

Dark Days: The Forge / The Casting (EUA, agosto e setembro de 2017)
Roteiro: Scott Snyder, James Tynion IV
Arte: Jim Lee, Andy Kubert, John Romita Jr.
Arte-final: Scott Williams, Klaus Janson, Danny Miki
Cores: Alex Sinclair, Jeremiah Skipper
Letras: Steve Wands
Capas: Jim Lee, Scott Williams, Alex Sinclair
Editoria: Mark Doyle, Rebecca Taylor, Dave Wielgosz
71 páginas

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21 comentários

Ruqui 8 de junho de 2019 - 00:41

Terminei de ler a saga recentemente e vim aqui atrás da crítica e nada. DCpção! Mas, pela expectativa de um dia sair, e ter apenas encontrado essa aqui, adianto que não gostei da saga. precisamente do roteiro (as consequências são interessantes). Minha impressão foi de ter lido um Crise Final 2.0 (não é um elogio, embora tenha gostado de uns tie ins lá e aqui), com o diferencial da arte ser muito melhor (não tem como não adorar os desenhos do Greg Capullo).

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Luiz Santi🐂GADO 8 de junho de 2019 - 01:21

Pelo menos os desenhos, né! HAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

Essa eu vou ler com certeza, em algum momento!

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Luiz Santiago 22 de julho de 2018 - 01:59

Eu to muito animado pra continuar a leitura. Essa série parece ser bem divertida, se a gente se entrar à loucura hehehehe

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Leonardo Auditore 21 de julho de 2018 - 18:45

Precisa ter lido o Batman dos novos 52 pra entender essa saga? Peguei o primeiro volume e estou confuso demais, queria saber se isso é intencional ou se eu devia ter lido mais da fase do Snyder(li apenas o arco da corte das corujas e morte da família).

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Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 18:52

Não é necessário não, @leonardoauditore:disqus. Se a sua confusão for no quesito “respostas para mistérios”, então está certo, isso é intencional. Se for de outra ordem, seria bom dar uma revisada básica nos últimos momentos da timeline da DC.

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Leonardo Auditore 21 de julho de 2018 - 22:45

Ok obrigado. Ótimo texto como sempre, dei uma relida e entendi melhor as coisas, quero ver onde essa história vai parar.

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Marcus Prado 15 de julho de 2018 - 13:30

Estou enganado ou a tradução da primeira fala dessa última página na postagem (que mostra os Batmen sombrios seria: Os cavaleiros das trevas estão chegando?

Porque na edição brasileira ficou: As noites de trevas estão chegando.

Se alguém puder tirar a dúvida…

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Luiz Santiago 15 de julho de 2018 - 13:39

É, se a nossa tradução, usou “As noites de trevas”, então não levou a coisa literalmente, como eu acho que deveria ter levado, porque faz toda a diferença.

O original “Os Cavaleiros das Trevas estão chegando” é muitíssimo mais exato, em termos de promessa para o que virá, quanto amedrontador.

Claro que uma tradução é sempre uma visão mais próxima possível do original, não exatamente literal (às vezes nem dá para ser, o que não é o caso aqui…), e eu entendo o que o tradutor brasileiro fez aí, sendo a escolha dele aceitável dentro do contexto, claro, mas eu preferia que ele tivesse mantido a tradução literal. É melhor.

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Luiz Santiago 3 de julho de 2018 - 15:23

Em breve lerei a saga principal. Estou bem curioso. De tie-in, só pretendo ler, ao menos agora, os dos Batmans trevosos.

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Anônimo 8 de setembro de 2018 - 00:44
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Luiz Santiago 8 de setembro de 2018 - 00:46

@disqus_ZMtFC1obwd:disqus farei sim, mano! Eu to com preguiça de ler a saga principal por agora hahahahahhahhahhaha, mas é certeza que eu lerei e assim que fizer isso, escreverei sobre.

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Anônimo 3 de julho de 2018 - 14:03
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Luiz Santiago 27 de junho de 2018 - 23:57

É sempre um risco que se corre…

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Luiz Santiago 27 de junho de 2018 - 23:49

São formas diferentes de olhar o personagem. Como você, eu PREFIRO as histórias que mostram o que ele é de fato: um ninja-detetive. Mas se bem escritas, as histórias com esse arcabouço todo podem funcionar. Embora eu sempre vá implicar com elas, eu não tenho nenhum problema em reconhecer boas histórias, como foi o caso desse prelúdio. Mas ainda prefiro meu Morcegão detetive, sem essa pinta de todo-poderoso.

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Dan Oliver 27 de junho de 2018 - 14:17

Quando acabei de ler a saga completa fiquei me perguntando “qual foi a necessidade disso?”

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Anônimo 25 de outubro de 2018 - 07:43
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Dan Oliver 25 de outubro de 2018 - 19:15

Cara, ainda não entendi o final com o gavião negro overpower.

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planocritico 27 de junho de 2018 - 06:35

Taí uma HQ que eu tenho certeza que adoraria! Só os exageros nos designs já valem o preço!

Ótima crítica!

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 27 de junho de 2018 - 13:38

Cara, é justamente essa coisa do exagero, com a megalomania bem contextualizada que funciona aqui. Eu falei sobre implicar com o Batman do Scott Snyder e eu sou um desses. Mas é uma coisa que eu amo implicar. Por mais exageradão e over power Batman que ele faz, na maior parte das vezes, eu gosto das histórias desse desgraçado. Tomara que mantenham esse clima aqui na saga principal e nas outras revistas com os Batmans sombrios.

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Jose Olyntho Ze 27 de junho de 2018 - 19:13

O Batman é um personagem tão foda que ele cabe bem numa história contida, de detetive por exemplo, como num enredo cósmico, onde ele mostra ser o fodão da inteligência humana. No entanto, prefiro aquelas histórias antigas do morcego, crimes, investigação, dilemas morais e pancadaria nua e crua.

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Anônimo 25 de outubro de 2018 - 07:45
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