Crítica | Dias de Trevas: A Forja e A Fundição (Prelúdio Para Noites de Trevas: Metal)

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No Metalliverse, uma Corporação de Metaleiros formada por MotörWomanBat-Sabbath, AquaMaiden, Super-Priest, Flaslayer e Green Death se unem para dominar o Multiverso. Esta é a sinopse da saga Metal, da DC Comics… ou pelo menos a sinopse que eu gostaria que fosse verdade. A verdadeira sinopse diz assim: “Batman está prestes a enfrentar uma conspiração que nunca imaginou ser possível. Uma força mais maligna que tudo que o herói já encarou está se infiltrando em nossa realidade, usando bizarros e poderosos metais alienígenas como porta de entrada. Nem o Morcego nem seus aliados têm certeza do que ela é capaz. Antigos amigos e adversários parecem estar profundamente envolvidos na trama, ainda com seus papéis indefinidos, mas uma coisa é certa: ninguém passará incólume pelo mal absoluto que está chegando a nosso mundo!“.

Formado por duas edições, A Forja e A Fundição, o prelúdio de Metal é uma história que pede para você se entregar e se divertir. Uma coisa precisa ficar clara desde o começo: se você implica com o Batman-Todo-Poderoso-Chave-de-Mistérios-Eternos que o Sr. Scott Snyder adora escrever, então respire fundo. Porque todo o exagero de colocar o Morcegão em situações desse peso, especialmente em eventos cósmicos, realmente irrita, mas dentro de um bom contexto — como é o que temos aqui (lembrando que o roteiro é de Snyder + James Tynion) –, acaba sendo bastante aceitável e, cima de tudo, divertido.

Basicamente, Metal irá responder à pergunta que deu justificativa à saga: O QUE É O MULTIVERSO NEGRO? Ou seja, não é alta ciência. Pegue o fato dado: existe um Multiverso Negro. “Ah, mas o que é isso, de onde vem, para onde vai?“. Pois é. Justamente por isso que esta saga foi criada. Para dar suporte e explicações sobre o aparecimento de mais esta camada dentre as muitas realidades da Casa das Sombras.

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De maneira coerente, o roteiro coloca Gavião Negro e Mulher-Gavião (enfim, de volta!) como linha arqueológica do misterioso metal investigado pelo Batman.

Nessa história, o que temos é uma real investigação do Morcego para um metal que, agora ele sabe, vem há milhares de anos “infectando” a realidade do Universo DC através de diversos artefatos, colocados no campo de batalha contra o mal e também usado por vilões, para diferentes fins, desde a Pré-História. Algumas “quedas acidentais” de naves e meteoros, algumas espadas, adagas, elmos, correntes, braceletes, máscaras e outros derivados de metais que, por distintos motivos, fazem parte desse Universo, não são exatamente “simples metais especiais”. Existe, na verdade, algo muito mais… intencional em sua forja, algo feito sem pressa, com a intenção de cercar, de maneira sábia e precisa, o máximo de heróis, aqueles que abririam as portas para algo sombrio em nosso Universo. Há um número gigantesco de informações e novidades aqui, desde a definição de meta para Duke Thomas [aleluia, até que fim!!!], até alguns indícios de retornos e novas interpretações de personagens no Universo pós-Novos 52.

E com isso, a história se desenvolve através de muitas pistas, migalhas de lembranças de momentos passados (sem ser confuso) muita citação, muito holograma e muito flashback de heróis e equipes da editora. Em cena, temos boas participações de Aquaman, Mulher-Maravilha, Superman, Senhor Milagre, Senhor Incrível e Lanterna Verde (Hal Jordan), e como apoio histórico e dramático, temos citação aos Renegados e à Liga da Justiça, até presenças em imagem ou texto do Homem-Borracha, Raio Negro, Metamorfo, Dick Grayson, Talia Al Ghul, Desafiadores do Desconhecido, Falcões Negros, e mais uma porrada de outros, além de personagens/grupos que surgem pela primeira vez nos quadrinhos, como [usarei aqui os nomes em inglês, pois no momento em que publico essa crítica, eles ainda não receberam nomes oficiais no Brasil. Se você está lendo isso quando as HQs já tiverem saído no país e os nomes oficiais já estiverem na praça, dê um toque para eu aportuguesar oficialmente a coisa toda] os Immortal Men, grupo formado por Stray, Timber, Reload Ghost Fist; o Conselho dos Imortais, do qual O Mago (sim, o que está ligado a Shazam) é um dos membros; e a primeira presença, mas não revelação física completa, dos Cavaleiros das Trevas do Dark Multiverse.

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Só gente simpática…

A arte aqui é feita por Jim Lee, Andy Kubert e John Romita Jr., com finalização de Scott Williams, Klaus Janson e Danny Miki, ou seja, só nomes fortes, o que certamente contribui muito para o projeto ter maior força. O problema é que a composição artística aqui não foi pensada por blocos, ou seja, cada um desenhando um segmento temporal/espacial. E é uma pena que não tenha sido feita essa divisão. Porque o que temos aqui são estilos de desenhar e de arte-finalizar muito diferentes compartilhando até quadros de uma mesma página, o que para mim, perde totalmente o impacto de você ter artistas distintos trabalhando em um mesmo projeto. Tudo misturado e sem critério, como se tivesse feito apenas para completar mesmo as páginas e entregar a revista no prazo. Mas esta é a parte da concepção. A arte em si, de todos eles, captura bem a essência do roteiro e cria com muita competência a ameaça e o tom de exagero que a ideia do metal dá à epopeia (agora, sem brincadeira: Snyder realmente pensou em utilizar o conceito macabro, denso e exagerado do gênero Metal, algo que também se refletirá na arte do evento principal do projeto). A Forja e A Fundição são prelúdios muito instigantes para uma saga com forte impacto no Universo da DC. Se o leitor se deixar levar, com certeza vai ser uma baita jornada divertida.

Dark Days: The Forge / The Casting (EUA, agosto e setembro de 2017)
Roteiro: Scott Snyder, James Tynion IV
Arte: Jim Lee, Andy Kubert, John Romita Jr.
Arte-final: Scott Williams, Klaus Janson, Danny Miki
Cores: Alex Sinclair, Jeremiah Skipper
Letras: Steve Wands
Capas: Jim Lee, Scott Williams, Alex Sinclair
Editoria: Mark Doyle, Rebecca Taylor, Dave Wielgosz
71 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.