Home TVTemporadas Crítica | Dirk Gently (2010 – 2012)

Crítica | Dirk Gently (2010 – 2012)

por Luiz Santiago
120 views (a partir de agosto de 2020)

O personagem-título desta série criada por Howard Overman para a BBC, em 2010, vem do livro Dirk Gently’s Holistic Detective Agency (1987), de Douglas Adams. Como o próprio autor definiu, trata-se de uma tentativa de juntar uma boa trama detetivesca com histórias de horror, fantasma, “quem matou?“, viagens no tempo, romance, musical e comédia épica. Em se tratando de Douglas Adams, que outra definição possível esse Universo maluco poderia ter?

A série teve o seu Piloto exibido em dezembro de 2010 pela BBC, mas não houve sequência imediata. O hiato durou até março de 2012, quando três episódios foram lançados, encerrando a primeira e única temporada do show que, contanto com o Piloto, possui apenas 4 episódios de uma hora cada um. A aventura se passa no Reino Unido e começa com Dirk sendo contratado por uma senhora para investigar um caso de desaparecimento. Adepto de uma “abordagem holística” (baseada, segundo ele, na “interconexão de todas as coisas“) para resolver casos, Dirk irá encontrar, por acaso (mas neste Universo não existe acaso, então…) um ex-colega de faculdade, Richard MacDuff, que irá se tornar companheiro de Dirk nas investigações.

O humor aqui tem aquela exigência britânica que espectadores acostumados com o “riso fácil” deverão estranhar. Há piadas, por exemplo, com questões lúdicas de organização e limpeza da casa, estrutura policial do Reino Unido, relações de trabalho, tecnologia robótica e caos. Ao mergulhar na série, é preciso ter paciência e esperar que os personagens conquistem o espectador, pois não haverá imediata torrente de informações e pistas a serem decifradas. A bem da verdade, a comédia é o caminho para a investigação holística de Dirk, que brinca o tempo inteiro com o acaso e faz disso o mote da série, tendo os seus melhores momentos no Piloto (da velhinha e o caso de desaparecimento) e no Episódio 2 (de um ex-professor de Dirk e sobre uma certa… pessoa chamada Max).

Stephen Mangan é o tipo de ator de comédia que nos tira o riso pelo seu ar keatoniano, levando a sério todas as bobagens possíveis que se apresentam para ele, trazendo uma figura preocupada e ao mesmo tempo excêntrica, um pouco na linha de como vemos o roteirista que ele interpreta em Episodes. A diferença é que aqui, com menos personagens e uma história que depende mais do roteiro, cabe ao ator um peso maior, algo que nem ele e nem seu parceiro de cena, interpretado por Darren Boyd conseguem levar com graça o tempo todo.

A preparação de diferentes cenários para diferentes casos/histórias é o maior destaque técnico da série, especialmente no Episódio 2, quando se junta a uma boa direção de fotografia e um roteiro que aborda inteligência artificial de maneira humana e com questionamentos morais e éticos bastante relevantes. O único problema deste episódio é que ele (assim como o final do primeiro capítulo) dá a atender que existe um “grupo” observando Dirk em sua dia-a-dia, mas a possível ameaça que surge dessa observação nunca se concretiza. Talvez fosse algo que estava para ganhar asas na temporada seguinte, mas o fato é que a ponta solta incomoda, da mesma forma que o desfecho da aventura final, por mais insana e particularmente curiosa que seja, não nos satisfaz plenamente.

Há bons momentos onde vemos a brincadeira com o “gênio incompreendido” na pessoa de Dirk e sua dificuldade de relacionamento com o “amigo”, que recebe uma mudança de perspectiva no final, o que é bom, porque já era algo que vinha se desenhando antes, mas não deixa de sacolejar as percepções construídas pela série e por nós. Mesmo sem uma passagem muito coesa entre um episódio e outro e algumas questões importantes deixadas em aberto, a série diverte e consegue nos dar ao menos um gostinho das loucuras em uma dramédia de investigação vinda da mente de Douglas Adams, ganhando vida na TV.

NOTA: em 2016, Max Landis criaria uma outra versão da série, com parceria entre Estados Unidos e Reino Unido, distribuída originalmente pela BBC America e no mundo, pela Netflix.

Dirk Gently (Reino Unido, 2010 – 2012)
Criador: Howard Overman
Diretores: Damon Thomas, Tom Shankland
Roteiro: Howard Overman, Matt Jones, Jamie Mathieson (baseado na obra de Douglas Adams)
Elenco: Stephen Mangan, Darren Boyd, Lisa Jackson, Jason Watkins, Helen Baxendale, Neil Grant, Robby Haynes
Duração: 60 min. cada episódio

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12 comentários

Cleber Rosa 10 de janeiro de 2017 - 14:24

Onde está a critica da nova serie Dirk Gently, que está no Netflix?

Responder
Luiz Santiago 10 de janeiro de 2017 - 15:07

A crítica tá escrita tem uns 4 dias, mas postarei apenas na sexta feira. Não deixe de passar aqui para conferir! 😀
Abs

Responder
Luiz Santiago 10 de janeiro de 2017 - 15:07

A crítica tá escrita tem uns 4 dias, mas postarei apenas na sexta feira. Não deixe de passar aqui para conferir! 😀
Abs

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planocritico 10 de janeiro de 2017 - 15:12

Os atrasos aqui no Plano Crítico causados pela tartaruga manca do @luizsantiago:disqus são INACEITÁVEIS!!!

– Ritter

Responder
Cleber Rosa 10 de janeiro de 2017 - 15:55

Pode ter certeza Luiz!!

Responder
Cleber Rosa 10 de janeiro de 2017 - 15:55

Pode ter certeza Luiz!!

Responder
planocritico 7 de janeiro de 2017 - 01:28

Finalmente a crítica de Dirk Gently!

Não… Peraí…

Oh, hell…

– Ritter “This is not the series you are looking for” Fan.

Responder
planocritico 7 de janeiro de 2017 - 01:28

Finalmente a crítica de Dirk Gently!

Não… Peraí…

Oh, hell…

– Ritter “This is not the series you are looking for” Fan.

Responder
Luiz Santiago 7 de janeiro de 2017 - 03:06

HAHAHAHHAHA mas é uma palhaça mesmo, viu!!!

Responder
Clayton Lucena 8 de janeiro de 2017 - 00:33

E Ritter e @luizsantiago:disqus alguém do PC vai acompanhar a série Taboo do escritor Steven Knight com o ator Tom Hardy?

Responder
Luiz Santiago 8 de janeiro de 2017 - 11:05

Teremos crítica sim, @claytonlucena:disqus, pode ficar de olho!

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Luiz Santiago 8 de janeiro de 2017 - 11:05

Teremos crítica sim, @claytonlucena:disqus, pode ficar de olho!

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