Produzido em 1979, o curta-metragem Diversion se destacou pela sua narrativa intrigante, chamando a atenção do produtor Stanley R. Jaffe durante sua estadia na Europa. Jaffe havia solicitado à sua assistente que reunisse roteiros para que pudesse escolher suas próximas produções cinematográficas. Assim, a história criada por James Dearden, eventualmente se transformou no roteiro de Atração Fatal, um fenômeno social lançado em 1987, dirigido por Adrian Lyne e protagonizado por Glenn Close, Michael Douglas e Anne Archer. Reconhecendo o potencial do suspense para um longa-metragem com uma narrativa mais elaborada, Jaffe se uniu a Sherry Lansing para desenvolver o filme, que se tornaria uma referência icônica das mulheres fatais no cinema. Na trama em questão, Guy (Stephan Moore) é um escritor felizmente casado com Annie (Morag Hood) e pai de um menino pequeno, Charlie (Dickon Horsey). Quando Annie decide viajar com Charlie para visitar seus pais, Guy fica em casa para trabalhar.
Durante esse tempo, ele se recorda de ter conhecido Erica (Cherie Lunghi) em uma festa meses atrás, onde ela lhe deu seu número de telefone. Aproveitando a ausência da esposa, decide ligar para Erica, que se empolga com a ligação e eles acabam se envolvendo. No entanto, a manhã seguinte traz complicações, pois Erica não deseja que a relação se limite a uma aventura passageira, aspirando a um compromisso mais sério. Enquanto Guy tenta reafirmar seu casamento, consciente de que se considera feliz ao lado de Annie, Erica continua a insistir em contato, levando a uma crescente tensão. A situação se complica ainda mais quando Annie, desconfiada das chamadas que continuam a incomodar seu marido, decide atender um dos telefonemas de Erica, plantando a semente para um conflito moral que remete ao enredo mais amplo de Atração Fatal.
Em Diversion, a narrativa inicial se concentra em uma sequência prolongada em que Guy leva sua esposa e filho ao aeroporto, uma escolha que pode parecer desnecessária para o desenvolvimento da trama. Essa abertura poderia ser encurtada, permitindo que a história central ganhasse mais agilidade. A cena na festa, onde Erica oferece seu número de telefone a Guy, teria funcionado melhor se apresentada como um flashback. Isso não apenas economizaria tempo, mas também ajudaria a esclarecer a dinâmica entre os personagens logo no início. Além disso, a caracterização de Guy como um “nerd” pode desapontar, sugerindo que ele é um fantasista incapaz de se envolver com uma mulher atraente como Erica, o que diminui a credibilidade do relacionamento.
O contraste é evidente ao comparar Diversion com Atração Fatal, onde tanto Michael Douglas quanto Glenn Close nos apresentam um apelo físico e emocional que faz com que a conexão entre eles pareça mais natural e orgânica, especialmente dado que ambos trabalham na mesma empresa. Essa configuração torna o relacionamento mais crível e intensamente envolvente. Apesar doa produção mais contida de Dearden ter uma ideia interessante, a construção do enredo e a falta de intensidade são limitações que, por seus próprios 39 minutos, impedem um maior impacto, fazendo com que a narrativa careça de uma profundidade emocional que poderia torná-la mais cativante. A premissa é promissora, mas o formato curto deixa pouco espaço para o desenvolvimento necessário a fim de explorar plenamente as complexidades dos relacionamentos propostos. É, em linhas gerais, uma semente que germinou mais adiante numa trama com elenco e esquema de produção mais pomposo, um clássico no âmbito das mulheres sedutoras, perigosas e fatais no cinema.
Diversion (Estados Unidos/1979)
Direção: James Dearden
Roteiro: James Dearden
Elenco: Stephen Moore, Cherie Lunghi, Ned Vukovic, Morag Hood, Dickon Horsey
Duração: 39 min
