Crítica | Divorce – 2ª Temporada

A saga de Sarah Jessica Parker na indústria cultural é um painel de referências ao mundo de Sex and The City. Essa aderência não é justificada por limitações do talento dramático da atriz, mas pelo legado deixado pela série, ainda bastante atual e relevante mais de dez anos após o seu encerramento. Divorce, produzida pela HBO, consegui driblar os materiais concorrentes, disputa acirrada com dragões, batalhas épicas, investigações policiais e uma cultura cada vez mais envolvida na “onda dos super-heróis”. Em seu segundo ano, a quantidade de episódios mudou de 10 para 08 capítulos com média de 30 minutos, tendo como foco os desdobramentos do sufocante divórcio entre Frances (Parker) e Robert (Thomas Haden Church).

Acompanhados pela condução sonora de Kiegan Dewitt e vestidos pelos figurinos assinados por Joseph La Corte, a série manteve a sua postura narrativa simplória, mas sem deixar de abordar com graça as consequências do primeiro ano, repleto de crises e instabilidades emocionais. Agora o debate está vinculado aos preocupantes rumos do casal separado: como criar os filhos? Como lidar com “o outro” nas situações sociais? Frances ainda precisa lidar com Jackie (Becki Newton), a nova namorada de Robert, além da antiga cunhada Cathy (Amy Sedaris), adulta solteira, irritante e persecutória, em suma, uma aberração suportada por ser parte da família.

Ao lado de Andrew (Steven Pasquale), Frances tenta refazer a sua vida, mas a relação parece ter dificuldades para emplacar. No bojo da família, ela ainda precisa lidar com as crises temperamentais de Lila (Sterling Jerins), típica adolescente implicante, e Tom (Charlie Kilgore), jovem que adentrou na vida sexual e passa por uma sabatina sobre prevenção e consentimento, debate realizado com os pais, mas organizado por Frances. Ademais, Dallas (Talia Balsam) e Diane (Molly Shanon) continuam como coadjuvantes eficientes, ombros para a protagonista recostar depois da reafirmação dos padrões em repetição que ela e Robert emaranham-se.

Para contar essa história, Divorce traz uma eficiente equipe técnica. A direção de fotografia, assinada por Joe Collins e John Lindley imprime nos episódios um tom de iluminação acinzentado, contrastado com os tons opacos do design de produção de Tim Galvin e Stuart Weirtzel, departamentos que produzem um conjunto de imagens sem o tom esfuziante e multicolorido de outros programas televisivos, o que tornou a segunda temporada de Divorce um feixe de episódios amenos, sutis, introspectivos, focados mais em seus diálogos e ironias diante das coisas comum da vida. As pessoas comuns e as situações não exatamente tão extraordinárias também são ótimos materiais narrativos, principalmente quando encontram um bom texto.

Com episódios comandados por Ryan Case, Scott Ellis, Janicza Bravo e Wendey Stanlzer, o grupo assumiu os roteiros de Sharon Horgan, Jordan Carlos, Adam Resnick, Liz Tucillo, Mark Steinlen e Lisa Albert, a segunda temporada termina com diversos ganchos para o terceiro ano, demarcado como o último, com apenas seis episódios. Frances tentou se relacionar, mas as coisas não foram adiante. Com problemas na galeria, a personagem precisará se reinventar, além de ter que lidar com as dúvidas em relação aos sentimentos por Robert. Tudo acabou ou ainda há alguma fagulha sentimental? Robert, envolvido em um novo relacionamento, parece mais confortável. Conforme o senso comum, para os homens, a separação parece algo socialmente mais fácil. Você, leitor, o que acha? Falácia ou a pura verdade?

Divorce – 2ª Temporada (EUA, 2017-2018)
Showrunner: Sharon Horgan
Direção: Ryan Case, Scott Ellis, Janicza Bravo, Wendey Stanlzer
Roteiro: Sharon Horgan, Jordan Carlos, Adam Resnick, Liz Tucillo, Mark Steinlen, Lisa Albert
Elenco: Sarah Jessica Parker, Thomas Haden Church, Molly Shannon, Talia Balsam, Tracy Letts, Sterling Jerins, Charlie Kilgore, Jemaine Clement, Alex Wolff, Dean Winters, Jeffrey DeMunn, Yul Vazquez
Duração: 30 minutos (08 episódios)

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.