Crítica | Do Lado da Riviera

O que é necessário fazer para se divulgar bem um lugar aos turistas? A cineasta Agnès Varda nos dá uma das muitas possibilidades de resposta para esta pergunta aqui em Do Lado da Riviera, seu segundo filme “mais ou menos institucional”, depois de Oh Estações, Oh Castelos, realizado no mesmo ano. Neste documentário de ordem lírica, cômica e crítica, a diretora mostra a vida na Riviera Francesa em alta temporada, com um grande números de turistas nas mais diversas atividades, com os mais diversos comportamentos e visitando os muitos lugares que essa faixa litorânea tem para oferecer.

No caminho da memória (parte de seu exercício de contrastes), Varda olha para o passado e seleciona alguns visitantes famosos da região, buscando a origem do interesse das pessoas por este local e aproveitando o ensejo para dar algumas alfinetadas em personalidades históricas. Em seguida, sua atenção se volta para o interesse das pessoas pelos edifícios exóticos, pelas praias lotadas, pelas antigas árvores e diversos monumentos, cada um desfilando com suas roupas de cores da moda (ou “culturalmente confortáveis“) e simplesmente tentando se divertir, aproveitar a vida.

Notem que em relação a essa abordagem humana a diretora é deliciosamente irônica e provavelmente está referindo-se ao que fez em Oh Estações, Oh Castelos e que certamente não agradou aos financiadores, quando deixa claro que o filme não vai falar dos nativos, da chamada “velha e pacata” população local. Essa mudança de foco para diferentes grupos de pessoas não tira do filme aquilo que a cineasta mais gostava de fazer, trabalhar com gente inserida em um espaço. E dessa presença humana em férias, torrando ao Sol, o documentário dá uma guinada para uma conclusão lírica, reflexiva e de ordem alusivamente literária.

A celebração do ócio em um lugar de belezas leva a artista a enxergar a Riviera como uma espécie de “Jardim do Éden”, numa recolocação desse espaço celestial de descanso justamente nessa faixa litorânea, onde por alguns dias, todos os anos, as pessoas podem ir exibir-se, bronzear-se, divertir-se e também estragar o local, escrevendo o nome nas folhas das plantas. A cansada tristeza do final tem um sabor especial para o espectador. É como se realmente estivéssemos de férias e depois de muito aproveitar a viagem, nos damos conta de que é a hora de voltar para casa. E então os portões do “Éden” se fecham para nós, e só poderemos voltar a gozar de suas maravilhas após um outro longo intervalo de tempo.

Do Lado da Riviera (Du côté de la côte) — França, 1958
Direção: Agnès Varda
Roteiro: Agnès Varda
Roteiro: Roger Coggio, Anne Olivier, Jacopo Nizi
Direção: 25 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.