Crítica | Doctor Who – 11X02: The Ghost Monument

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Os Stenza apareceram pela primeira vez em Doctor Who no episódio de estreia da 13ª Doutora, The Woman Who Fell to Earth, e voltam aqui, ao menos como citação, neste segundo episódio da 11ª Temporada, acenando para uma continuidade narrativa que pode marcar uma parte ou a totalidade desse primeiro ano do show sob o comando de Chris Chibnall. No 11X01, aprendemos, pelas palavras de T’zim-Sha (A.K.A. Tim Shaw) que os Stenza são uma raça guerreira que “veste” os dentes dos indivíduos que matam e que já dominaram os Nove Sistemas. Em The Ghost Monument eles são citados e a Doutora conhece Angstrom (do planeta Albar) e Epzo, um Muxteran, ambos participantes da Corrida das 12 Galáxias.

Chris Chibnall adotou nesse capítulo uma cadência textual mais elegante que o de seu primeiro episódio na série, embora ainda sem grande profundidade. Aos poucos, vemos outras camadas dos companions (como suspeitávamos, o destaque agora foi para Graham), vemos outras capacidades de ação e impulsos da nova Doutora, que usa o seu Aikido Venusiano e conhecemos um novo tipo de gancho histórico para a série. Se vocês se lembram bem, Steven Moffat flertou com esse estilo de escrita ao longo da 5ª Temporada. Aqui, Chibnall já dá a entender que vai levar essa premissa realmente a sério.

Como prometido, a história funciona sob dois pontos de vista: é tanto uma aventura para a qual um novo espectador pode chegar e, ao mesmo tempo, fala diretamente (e mais profundamente) a um fã da série. Confesso que esse tipo de texto me encanta e se o showrunner continuar trabalhando bem esses aspectos, o prognóstico geral para a temporada será o mais positivo possível.

Doze Galáxias. A gente já conhece esse pedaço do Universo, não? Foi por aí que os Homens-Gato se espalharam durante a crise de energia em seu planeta, como se viu em A Invasão dos Homens-Gato e foram essas Galáxias que Ace ouviu de Kane como oferta em Dragonfire. Agora a Doutora está nas cercanias e algo muito estranho está acontecendo. Partindo do princípio de “um planeta não está onde deveria estar“, o roteirista criou um excelente suspense, que serviu organicamente para a aparição dos dois indivíduos em competição, para faturarem 3,2 trilhões de Krin, e também da Doutora e seus companheiros. E sim, também justifica a TARDIS em loop até que algo a estabilizasse. Nesse processo, a relação entre Ryan e Graham é um pouco mais explorada e esse fator familiar um tantinho hostil pode ser perigoso no futuro (se não for bem medido pelo autor), mas pelo menos para mim, funcionou muito bem nesse episódio. Agora falta Yas ganhar o seu quinhão de maior presença no roteiro e acho que o episódio seguinte será o momento certo para isso.

Quando eu percebi que a Doutora estava no meio de uma corrida e precisava agir para salvar o dia, me veio à mente, logo nas primeiras sequências dentro das naves, os acontecimentos de Enlightenment, só que filmados com aquela urgência fascinante de The Night of the Doctor. As locações na África do Sul e a mão ágil de Mark Tonderai na direção fizeram desse episódio uma “busca disfarçada” pela TARDIS. A desculpa da corrida, porém, não foi mal aplicada e nem mal finalizada, embora eu vá entender alguns desafetos de espectadores quanto a essa premissa. E mais uma vez Jodie Whittaker domina com excelência o seu papel. Notem como ela parece preencher a tela e exigir toda a nossa atenção na primeira sequência, como se mais nada estivesse acontecendo. Sua alegria, sua forma aventureira, espalhafatosa e muito sagaz de olhar o mundo faz com que ela já seja uma Doutora brilhante e que agora parece ganhar um arco narrativo a longo prazo. Depois de Bad Wolf, The Impossible Girl e The Hybrid, temos The Timeless Child. Quem ou o quê seria essa Criança Atemporal? A própria Doutora? Alguém de seu passado? Será que teremos um capítulo da História de Gallifrey em desenvolvimento?

Citando Pitágoras e Audrey Hepburn ao falar de óculos escuros, a Doutora teve uma grande surpresa aqui, assim como nós. Enfim, o interior da TARDIS foi mostrado e olha… que coisa mais linda! A nota de contraste é incrível, com aqueles belos hexágonos delineados em azul (por um breve momento, guardadas as devidas proporções, me veio à mente aquelas paredes de The Invasion of Time) e os grandes cristais brutos e dourados ao redor do console, ele, em si mesmo, um cristal bruto, com uma ampulheta, novas alavancas, uma mini-TARDIS servindo de rotação temporal, um pedal e um lugar aonde sai uma bolachinha! Olha, eu fiquei tão embasbacado quanto os novos companions quando “entrei” na Nova TARDIS. Palmas para a equipe do desenho e engenharia de produção!

Já sobre a nova abertura, não tive a mesma reação de grande espanto e efusivos aplausos, mas realmente gostei do que vi. É simples, acredito que tem a cara da nova Doutora e é bastante funcional. Evidente que tenho, como vocês, essa bagagem e esperança de semelhanças com as outras aberturas mas… bem… vocês sabem. É Doctor Who. Se bem feita, a mudança é sempre bem-vinda. E essa jornada de mudanças está só começando…

Doctor Who – 11X02: The Ghost Monument (Reino Unido, 14 de outubro de 2018)
Direção: Mark Tonderai
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Tosin Cole, Shaun Dooley, Ian Gelder, Mandip Gill, Susan Lynch, Art Malik, Bradley Walsh
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.