Crítica | Doctor Who – 11X09: It Takes You Away

PLANO CRITICO DOCTOR WHO IT TAKES YOU AWAY

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O sapo não lava o pé
Não lava porque não quer
Ele mora lá na lagoa
Não lava o pé porque não quer.

Canção infantil do Solitract Plane

Sapo.

Sapinho.

Sapão.

Noruega, 2018. Entre fiordes, atmosfera de isolamento e uma estranha cabana no meio do nada, It Takes You Away, penúltimo episódio da 11ª Temporada, traz uma daquelas coisas que tanto nos fazem amar quanto rir e às vezes se irritar com Doctor Who. E desta vez, a surpresa maluca que estraga o episódio é… um sapo.

A questão aqui é que não estamos em território novo. Vilões em formas nada convencionais e principalmente efeitos absolutamente vergonhosos foram a estrutura (e um pouco, o charme) da série desde a sua Era Clássica, então a presença desses ingredientes no presente não espantam, de fato. Mas convenhamos que existem bizarrices estéticas e narrativas que funcionam muito bem, enquanto outras, não. Aqui, o bicho em questão é uma forma adotada pelo Solitract, um Universo-Consciência ou uma forma de Universo-Energia-Inteligente que coexistia com os ingredientes do nosso próprio Universo, mas que por suas particularidades, impedia que a verdadeira junção físico-química para a origem do nosso N-Space (para usar um termo da série) acontecesse.

O que me chamou a atenção aqui — aliás, um dos pontos mais legais do roteiro — é o fato de sabermos um pouco mais do passado da Doutora, que ouvia a história do Solitract de sua Avó Nº5 (ela tinha 7), a mesma que dizia que a Avó Nº2 era uma agente dos Zygons. Esse é o tipo de flerte com a base da série que nos faz rir (isso e o acordo dos humanos com as ovelhas) e preenche essa necessidade que temos de uma ligação dessa persona que há tantos anos conhecemos e que uma história tão gigante traz consigo, com outros momentos da série ou de seu próprio passado. Mas aí tem o sapo. E não, eu não vou parar de falar nele, porque tanto o bicho quanto os péssimos efeitos me irritaram profundamente, estragando muita coisa de um capítulo que para mim, até então, ia muito bem.

A direção de Jamie Childs volta à assinatura de “ação por surtos” que ele adotou em The Woman Who Fell to Earth, episódio com o qual este Se Tu Chorar o Sapo te Leva Embora (tradução livre, em coaxados, do REAL título desse episódio), colocando Grace novamente em cena. E não, eu não gostei disso. Normalmente meu coração de manteiga acaba tendo mais paciência com esses arroubos na série, mas não aqui. É certo que, na maioria das vezes eles, até fazem sentido. No presente caso, porém, eu não achei que combinou com o ritmo da própria linha de desenvolvimento para o Grande Graham, definitivamente o mais bem escrito companion dos três atuais. Só que não foi algo ruim, apenas destoante, por isso, pessoalmente, não gostei.

A sorte é que isso está cercado de bons momentos. E como o elenco inteiro é bom, a premissa do vilão que não é vilão também, e ainda mais a marca fixa de que os humanos são aqueles que de fato precisam ser temidos e a visão geral de uma narrativa em abismo (o grupo entra na casa, que entra no portal, que entra na Anti-Zone, que entra na outra casa, no Solitract Plane) o episódio acaba se sustentando bem. Até aquela penúltima cena.

Qualquer coisa envolvendo o maldito sapo é péssima. Nem o simbolismo dá pra aceitar aqui. E creio que, por isso mesmo, uma coisa que para mim é um dos temas mais profundos e interessantes de se trabalhar na ficção (a solidão) foi diminuído ao máximo pelo ridículo anfíbio com efeitos tenebrosos e voz de Grace. Como é possível que a produção conseguiu dar ok para uma atrocidade dessas? De todo modo, o discurso da Doutora, mesmo diminuído, é a reafirmação de sua compassiva e empática personalidade, seguindo exatamente o conselho que ela deu a si mesma quando era um Deus: “Ria bastante, corra rápido, seja gentil…”. Há muita coerência em tudo isso, só não vê quem não quer. Agora, em temos sapísticos, estamos em um patamar que nem o Cururu ou o Bufo podem justificar…

Doctor Who – 11X09: It Takes You Away (Reino Unido, 2 de dezembro de 2018)
Direção: Jamie Childs
Roteiro: Ed Hime, Joy Wilkinson
Elenco: Jodie Whittaker, Sharon D. Clarke, Tosin Cole, Kevin Eldon, Mandip Gill, Bradley Walsh, Christian Rubeck, Lisa Stokke, Ellie Wallwork
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.