Crítica | Doctor Who – 11X10: The Battle of Ranskoor Av Kolos

plano critico doctor who The Battle of Ranskoor Av Kolos

  • Há SPOILERS! Leia aqui as outras críticas da Nova Série. E aqui as críticas da Série Clássica. Para livros, áudios, quadrinhos e listas de Doctor Whoclique aqui.

…E chegamos ao fim de uma temporada bastante… intrigante, para usar uma palavra que mais diz respeito ao andamento geral dos enredos até o presente ponto desta “Nova-Nova Doctor Who“. Com roteiro de Chris Chibnall (em sua melhor contribuição para a temporada) e direção de Jamie ChildsThe Battle of Ranskoor Av Kolos traz um final de temporada tão bem fechado e, de certa forma, tão incomum, que eu me peguei lembrando dos ganchos deixados pelos Finales da Série Clássica, especialmente na Era do 4º Doutor.

A ideia de ciclo narrativo para a 11ª Temporada se dá aqui de maneira bastante especial e muito bem-vinda. Tzim-Sha retorna, agora com uma proposta de dominação bem mais interessante. Aqui, expandem-se as relações literais com o cânone da série, tais como a miniaturização e roubo de planetas, visto em The Pirate Planet; como a TARDIS retornando uma Slitheen para a forma de ovo, em Boom Town ou rebocando a Terra, em Journey’s End. A maneira como a Doutora lembra desses eventos e o motivo que a faz se lembrar é que fazem deste episódio — exatamente como foi no caso de Kerblam! — o capítulo mais “Doctor Who raiz” da temporada, só que dessa vez, com uma qualidade bem maior.

A TARDIS chega ao planeta Ranskoor Av Kolos, no século 55, para atender a um pedido de socorro que ninguém parecia dar atenção. Um ponto que eu gostaria de observar em relação à primeira cena é, na verdade, algo que precisa ser dito de toda a temporada: era necessário um tratamento mais cuidadoso para a TARDIS nessa temporada, e digo isso exclusivamente em termos de conhecimento de espaço. Eu estava esperando a temporada terminar para ter uma opinião sólida a respeito, mas aqui está, temos uma nave muito bonita, mas pouco explorada. As cenas e os planos próximos ao console são insuficientes para nos dar uma visão do todo e sempre deixam uma impressão “errada” para o público, de que os companheiros e a Doutora estão constantemente no mesmo lugar.

O conceito para o estabelecimento do ex-futuro Líder Supremo dos Stenza em Ranskoor Av Kolos vem de uma base de inocência e cegueira religiosa combinadas, num evento em que Tzim-Sha aparece “onde e quando não era para aparecer“. Mais uma vez, gosto muito da ideia de ver a Doutora “pagando” por ações que, num primeiro momento, pareciam as mais corretas, mas cuja eficácia não pode ser comprovada. Claro, sabemos que não são todas as ações da Time Lady que podem ser colocadas à prova para saber se realmente não afetaram negativamente a alguém/ou a um povo, mas a possibilidade paira. Óbvio que o princípio da ação dela para resolver um caso não deve ser questionado ou minimizado: ela sempre faz para ajudar. Algumas vezes, porém, essa ajuda acaba tendo consequências ruins.

Um dos ganhos aqui foi o desenvolvimento dos laços entre Graham e Ryan, enfim chegando a um ponto de entendimento que fez valer plenamente a jornada dos dois ao longo do ano. A conversa de Graham com a Doutora foi tensa e o dilema moral sobre a morte de Grace realmente é bem colocado aqui. O bom disso é que o arco ligado à morte dela se fecha muitíssimo bem, inclusive com paz, para o luto que Graham estava sentindo, o que fez com que ele escolhesse seguir ao lado da Doutora. Para esquecer. E a vingança que ele tenta e acaba tendo aqui, de uma forma ou de outra, lhe traz isso.

A separação em grupos e a exploração do espaço da nave-arma é um outro destaque. Gosto muito da direção de arte e música desse episódio (eu adoro naves e similares embaladas por trilhas épicas!) e de como a fotografia amplamente mais escura, porém, cheia de filtros de cores, saturando lindamente os quadros, combina com a temática do resgate da tripulação sequestrada. E de como a missão da Doutora acaba sendo um passo dentro de uma armadilha cuidadosamente preparada. Eu só gostaria que a cena em que ela chega à conclusão sobre o que fazer naquele momento de crise fosse mais… energética. Mas isso não é nada que atrapalhe de fato a visão a respeito.

Surpreendentemente, a temporada terminou com uma ótima noção de ciclo se fechando, tendo a cara de uma apresentação longa da Doutora, que nessas viagens majoritariamente desconexas, foi pouco a pouco mostrando sua camada de personalidade, construindo um conceito de exploração e visão do Universo que, ao que tudo indica, está para chegar a um outro nível. Assim esperamos. Temos agora o Especial de Ano-Novo, em 2019 e a 12ª Temporada, ao tudo indica, só em 2020. Ai ai…

Doctor Who – 11X10: The Battle of Ranskoor Av Kolos (Reino Unido, 9 de dezembro de 2018)
Direção: Jamie Childs
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Bradley Walsh, Mandip Gill, Tosin Cole, Mark Addy, Percelle Ascott, Jan Le, Phyllis Logan, Samuel Oatley
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.