Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – 12X08: The Haunting of Villa Diodati

Crítica | Doctor Who – 12X08: The Haunting of Villa Diodati

por Luiz Santiago
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Eu vou começar dizendo que ainda não ouvi Mary’s Story, áudio da Big Finish que faz parte de um combo de 4 aventuras em sua Série Mensal de Doctor Who, sob o título guarda-chuva de The Company of Friends (BF #123). Esta história se passa exatamente no mesmo dia que The Haunting of Villa Diodati, e tem gerado certo desconforto ente os espectadores da BF, o que entendo perfeitamente. Eu gostaria que pelo menos houvesse a indicação de que a Doutora apagou a mente dessa trupe toda, o que pode ter acontecido em elipse, claro, mas a gente não sabe ao certo. De todo modo, é sempre possível encontrar um caminho sólido para adequar paradoxos e contradições desnecessárias (e para ser franco, bem desrespeitosas, já que a BF é um baú de ouro oficialmente licenciado pela BBC para trabalhar com Doctor Who) entre os áudios e a série. Uma coisa é certa: não será a primeira e nem a última vez que isso acontece. Uma lástima, é verdade. Mas é aquele ditado: “tudo, não terás“.

Quando eu descobri o título desse episódio, algumas semanas antes dele ser exibido, eu vibrei de emoção. Trata-se de um momento precioso na História da Literatura Universal, quando Percy Bysshe Shelley, Mary Shelley, Lord Byron e John William Polidori (acompanhados da irmã adotiva de Mary, Claire Clairmont) se reuniram na Villa Diodati, próximo ao Lago Léman (aqui, Lake Geneva), na Suíça, em junho de 1816. Do “concurso literário” proposto entre os amigos nesta ocasião, saíram diversas produções assustadoras, das quais entraram para a história O Vampiro, de Polidori (inspirado em O Fragmento, de Byron, rascunhado na ocasião) e principalmente Frankenstein, de Mary Shelley. Para amantes da literatura gótica, especialmente em suas raízes, esse é o tipo de episódio que a gente vê com um brilho macabro nos olhos. E que bom que a roteirista Maxine Alderton acertou a maior parte do tempo naquilo que ela se propôs contar.

O Time-TARDIS chega à Villa Diodati com um propósito que o texto explica mal e parece que não sabe bem como fazer valer no início. Para nossa sorte, o desconforto passa rápido e de maneira até que bastante orgânica eles começam a experimentar (juntamente com os residentes) coisas sobrenaturais. Há uma vibe interessante de Ghost Light aqui e toda a história de terror tem solidez o bastante para se sustentar, tanto que até a aparição do Cyberman solitário, eu estava achando a obra um interessantíssimo e divertido filler. A surpresa, porém, foi muito boa. Ver um dos plots do ano ligado ao que parecia ser apenas uma viagem solta da Doutora foi uma das coisas mais legais em termos de encadeamento narrativo nesta temporada, sem contar que o episódio em si tem uma direção muito competente na criação dos espaços de terror, misturando fantasmas ao imaginário total de “casa assombrada“, algo que tem uma explicação ainda mais interessante e um mistério a tiracolo (tadinho do Graham, todo chocado porque viu fantasmas).

A movimentação dos personagens na mansão, a belíssima direção de fotografia e o progressivo elemento de medo nos leva para um ótimo final, que traz a Doutora fazendo um baita discurso enraivecido, plenamente coerente com sua personalidade (dá vontade, não é, Chibnall e Charlene James? Vê se aprendem a não descaracterizar e desrespeitar a personagem, can you hear me?) e apostando alto para salvar uma vida e em seguida, desfazer as consequências de seus atos. Meu impasse com esse episódio está no tratamento final desse plano. A Doutora mostra um pouco a Percy como ele iria morrer (de fato, ele morreu afogado) e engana o dispositivo vivo dentro do poeta, que sai do corpo na mesma hora. A questão é que não há nenhum indício de que a Doutora apagou a memória de Percy, e isso é problemático em tantos níveis que não vou nem começar a escrever. Eu falei no começo da crítica que a gente pode encontrar caminhos para justificar algumas coisas da série, mas por favor, isso não é um “simples” problema de resolução harmoniosa para paradoxos, contradições e outras escolhas difíceis de se explicar à primeira vista. A Doutora mostra e reafirma (pedindo desculpas ao poeta pela espiada trágica do futuro!) algo que ele não deveria ver de jeito nenhum e parece que as coisas ficam por isso mesmo. É complicado… quando não é uma coisa, é outra.

Está claro agora que abrimos a porta de entrada para um Finale de temporada que tomará os dois episódios restantes deste 12º ano do show. Estou curioso e ao mesmo tempo apreensivo pelo que Chimbs nos trará adiante. Já vou colocar minha barba de molho. A coisa vai esquentar.

Doctor Who – 12X08: The Haunting of Villa Diodati (Reino Unido, 16 de fevereiro de 2020)
Direção: Emma Sullivan
Roteiro: Maxine Alderton
Elenco: Jodie Whittaker, Bradley Walsh, Tosin Cole, Mandip Gill, Lili Miller, Jacob Collins-Levy, Nadia Parkes, Maxim Baldry, Patrick O’Kane, Lewis Rainer, Stefan Bednarczyk, Sarah Perles
Duração: 45 min.

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