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Crítica | Doctor Who – 1X01: Rose

por Rafael Lima
159 views (a partir de agosto de 2020)

Rose Tyler: Is it always this dangerous?
The Doctor: Yeah.

Quando Rose foi ao ar em 2005, o Doutor não aparecia nas telas desde que o filme estrelado por Paul McGann falhou em reiniciar a série, nove anos antes. A Série Clássica havia sido cancelada em 1989 depois de 26 temporadas, e embora a marca tenha sobrevivido durante este hiato através de outras mídias, Doctor Who estava longe de ter a popularidade de outrora. Coube ao produtor e roteirista Russel T. Davies a missão de restaurar o icônico show. Grande fã de Doctor Who, Davies insistiu em dar continuidade à Série Clássica em vez de fazer um reinício total. Isso apresentava um grande desafio, pois o programa precisava apelar tanto para os whovians que esperavam reconhecer o seu amado show, quanto para um novo público que talvez só tivesse ouvido falar da série.

Rose, primeiro episódio do revival, fica à altura do desafio e introduz com louvor um novo público a Doctor Who, ao mesmo tempo em que respeita o que veio antes, reinserindo elementos clássicos como a Chave de Fenda Sônica e os Autons, sem tornar tais referências incompreensíveis para quem não conhecia o programa. O episódio nos apresenta a Rose Tyler, uma jovem que vive com a mãe em um conjunto habitacional e trabalha em uma loja de departamentos. Rose é a típica “Garota Comum”, e parece muito feliz com isso. Até o dia em que descobre uma invasão Auton por acidente, e é resgatada pelo Nono Doutor.

O roteiro de Davies acertadamente conta a história quase que exclusivamente do ponto de vista de Rose, pois ao ver o universo do Doutor pelos olhos da garota, nós nos identificamos com ela e o Doutor torna-se um enigma a ser desvendado, mesmo para quem já conhecia o personagem. O episódio equilibra doses generosas de humor com certo mistério em torno do Doutor e sua TARDIS. Claro, estes esforços não teriam valido de nada se a dupla principal não funcionasse. Mas Christopher Eccleston e Billie Piper se mostraram escalações perfeitas.

Diferente do filme de 1996, a Nova Série optou por já apresentar o seu novo Doutor, em vez de relacioná-lo com o seu antecessor, deixando que somente imaginássemos como o Oitavo Doutor se transformou no Time Lord que conhecemos aqui (a resposta acabou sendo um pouco mais complexa do que os whovians imaginavam, mas essa é outra história). Essa escolha se mostrou bastante apropriada, afinal, trazer o conceito da regeneração em uma história que apresenta o Doutor foi um dos grandes erros da produção noventista.

O Doutor de Eccleston chama a atenção pelo figurino sóbrio que contrasta com seu comportamento alienígena. O Nono Doutor parece não ter tido contato com humanos por um tempo e parece estar se reacostumando a ser o Doutor em vez de um guerreiro, ainda se mostrando insensível, algumas vezes. Esta desconexão gera as cenas mais divertidas do episódio, mas também confere ao personagem uma natureza quase divina, como quando tenta explicar a Rose quem ele é, através de sua percepção da rotação da Terra.

Apesar do bom humor, o Nono Doutor parece carregar o peso do mundo nas costas. A Time War não é textualmente citada, mas é evidente que algo terrível aconteceu com o personagem em seu passado recente, e isso fica claro ao vermos o remorso desesperado do Time Lord ao confrontar a Consciência Nestane no clímax da trama. Tal culpa é um dos fatores que definem esta encarnação, e Rose apresenta isso de forma eficiente.

Já Rose Tyler surge como uma personagem identificável, pois Piper transmite esse ar mundano, e reage ao fantástico com o mesmo espanto e fascínio que uma pessoa normal reagiria. Paradoxalmente, após conhecer o Doutor, essa normalidade deixa de ser o suficiente para a garota, que passa a ver sua vida como algo frustrante e vazio e passa a querer mais. A dinâmica entre o Doutor e a companion, mais os motivos que os levam a se unir também são bem explicitados. O Doutor literalmente pega Rose pela mão e lhe mostra um mundo de maravilhas, fazendo-a descobrir uma força que ela nem sabia ter. Já Rose chama a atenção do Doutor não só por seu raciocínio rápido (mesmo que a conclusão seja incorreta), mas também por ajudá-lo a se reconectar com a humanidade.

A direção de Keith Boak é competente em explorar a normalidade que o episódio pede, e seu choque com o fantástico, com destaque para a cena em que Rose entra na TARDIS pela primeira vez, pois só vemos o interior da nave depois que Rose se convence que o que viu é real. A edição merece destaque, especialmente a sequência inicial que abre com um plano da Terra, só para mergulhar em um zoom in até o quarto de Rose, que é sucedido por cenas rápidas do dia da garota, nos contando tudo o que precisamos saber sobre ela de forma econômica.

O design da sala de controle da TARDIS, que permaneceria quase inalterado até o fim do mandato de Davies como showrunner parece dever muito mais ao filme Doctor Who: O Senhor do Tempo do que à Série Clássica, mostrando que Davies e sua equipe estavam dispostos a usar o melhor que todas as fases da série tinham a oferecer em seu revival. Apesar deste piloto da Nova Série apresentar muitas qualidades, ele também possui defeitos que o tornam bastante irregular, impedindo que fique entre os melhores de uma primeira temporada bastante sólida. Os efeitos em CGI envelheceram muito em pouco tempo, mesmo para os padrões de Doctor Who. O confronto final com a Consciência Nestane perde grande parte de sua força devido a clara artificialidade da criatura. O humor pastelão empregado pelo roteiro, como a cena envolvendo o Auton Mickey sem cabeça, ou a luta com um braço vivo não funcionam tão bem quanto deveriam.

E se os dois protagonistas são muito bem explorados, Jackie e Mickey, respectivamente a mãe e o namorado de Rose, nos são apresentados como não mais do que caricaturas desagradáveis, o que me pareceu uma manobra preguiçosa do roteiro para que aceitássemos melhor a decisão de Rose de abandonar tudo e pular na nave de um alienígena desconhecido no fim do episódio. Apesar dos defeitos, a importância de Rose para a série é inegável, pois nos apresentou um Doutor cercado de mistérios e muito bem defendido por Christopher Eccleston, e uma das companheiras mais emblemáticas da Nova Série. A Era do Nono Doutor e o renascimento de Doctor Who começavam com o pé direito.

Doctor Who – 1X01: Rose (Reino Unido, 2005)
Direção: Keith Boak
Roteiro: Russell T. Davies
Elenco: Christopher Eccleston, Billie Piper, Camille Coduri, Noel Clarke, Mark Benton, Elli Garnett, Adam McCoy, Alan Ruscoe, Paul Kasey, Nicholas Briggs
Duração: 45 min.

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28 comentários

Luiz Santiago 21 de novembro de 2018 - 22:50

Temos crítica de todos os episódios aqui até o final da 2ª Temporada e assim que a 11ª acabar (estou fazendo as críticas semanais) voltaremos com as análises para a 3ª Temporada, então vai dar pra vc seguir e vindo trocar ideias. Seja sempre bem-vindo!

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William O. Costa 21 de novembro de 2018 - 22:57

Obrigado. Vou acompanhar, sim. Aliás, eu tenho visto as críticas da 11ª (só as estrelas pra não ter spoiler), e foi justamente isso que me encheu tanto de vontade de voltar a acompanhar a série, que já não via desde criança.

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Luiz Santiago 21 de novembro de 2018 - 21:28

Vai fazer a jornada cronologicamente a partir de agora, @WilliamAbsoluto:disqus?

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William O. Costa 21 de novembro de 2018 - 22:41

Vou, sim. E até agora estou gostando demais!

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William O. Costa 21 de novembro de 2018 - 21:10

Ótima crítica mesmo! Eu comecei minha jornada Whovian recentemente (ou recomecei, já que por volta dos 10 ou 11 anos eu assistia à série na TV Cultura até algum momento do ótimo 10º Doutor, e, em algum momento, acabei parando provavelmente pela saída da série do próprio canal, embora não me lembre bem) e, antes de voltar a ver a série, eu pesquisei bastante na Internet, onde ver, como ver, e havia várias pessoas que diziam que Rose era um episódio que afastaria quem fosse assistir nos dias de hoje. Que grata surpresa quando eu o assisti e ele já me tomou totalmente dentro do clima da série. É claro que seus efeitos não envelheceram bem, mas por ir assistir já sabendo desse fato, não me incomodou em absolutamente nada, e a vontade de continuar a ver a série foi muito alta. Não sei porque muitos falam tão mal desse episódio. Acho que deveria ter vindo ver essa crítica aqui primeiro.

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Rafael Lima 22 de novembro de 2018 - 13:48

Que bom que gostou da crítica @WilliamAbsoluto:disqus.

Pois eu concordo com você sobre “Rose”. Está muito longe de ser um episódio perfeito, mas acho que naquilo que mais lhe interessa, que é apresentar o universo de “Doctor Who”, ele é muito bem sucedido.

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William O. Costa 22 de novembro de 2018 - 14:46

Exatamente! Eu ouvi tantos falando desse episódio como um que pode afastar as pessoas da série, que me surpreendi positivamente. Como você disse, não é perfeito, mas cumpre seu papel muito bem, como pra mim cumpriu quando o vi.

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Luiz Santiago 21 de maio de 2018 - 15:00

É a coisa mais bizarra e sem sentido. Eu JURO que fiquei espantado e também senti uma grande vergonha. Nunca imaginei que alguém acharia NORMAL e OK começar a ver uma série a partir da 5ª Temporada. É tão doido que nem dá pra explicar… Mas vai ver é o mesmo tipo de gente que começa Dom Casmurro pelo 30º Capítulo….

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Rafael Lima 22 de maio de 2018 - 18:27

Já não fico tão espantado. Bem ou mal, a 5ª temporada, início da era Moffat é um grande recomeço para a série. Mesmo “Victory of The Daleks” é uma reapresentação da mitologia dos Daleks e sua rivalidade com o Doutor. As conexões com a Era Davies são mínimas. Acredito que daria pra começar de boa a ver a série pela 5ª (ou 31ª se você for purista. Hehehe) sem se perder.

E isso é super normal em Doctor Who. A estréia do 3º Doutor é basicamente um novo piloto, assim como foi a estréia do 11º (e acredito que assim será com a 13ª).

Talvez eu tenha esse pensamento, por que divido a Série Clássica e Nova mais por uma questão de facilitar a comunicação, pois pra mim, é a mesma série, atualmente com 36ª temporadas, e que teve um hiato gigantesco e um filme questionável entre a 26ª temporada e 27ª (Hehehe). Então sei lá. Não julgo quem começou pela Era Moffat, por que ela se estabelece como uma nova porta de entrada mesmo.Pegando a sua comparação com Casmurro, não é “o mesmo livro”, e sim outro com o mesmo personagem. Guardadas as devidas proporções, seria como julgar alguém que começou a assistir a Nova Série antes da Clássica.

Claro, seria diferente, se estivéssemos falando de alguém que ignorou a 1ª temporada e foi logo pra 2ª. Pois ali sim existe uma sequência narrativa direta, ai sim, na minha opinião, seria como começar a ler um livro pelo meio.

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genio playboy e safadão 21 de maio de 2018 - 14:48

Só posso dizer que tenho vergonha de gente que diz pra começar da 5ª temporada.

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G. Hoffmann 8 de maio de 2018 - 14:28

Excelente crítica, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus ! Muito legal olhar de perto pra esse episódio que, como costuma guardar ares de evento traumático pra muitos de nós, acaba sendo difícil de examinar mais objetivamente. Brinco, mas é bem isso que você falou mesmo, se é um trauma, é um trauminha com pontos fortes o suficiente (principalmente no ramo dos nossos dois protagonistas) pra aguçar a curiosidade e fisgar a gente para o próximo episódio – que pra mim foi onde a mágica aconteceu mesmo!

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Rafael Lima 9 de maio de 2018 - 03:12

Obrigado pelo elogio @gibahoffmann:disqus

De fato, a série começa a engrenar mesmo no próximo episódio, e apesar do “trauma” (hehehe) acho que “Rose cumpre o que se propõe, que é apresentar os conceitos básicos da série á um novo público e acalmar os antigos fãs lembrando que esta ainda era a série que tanto adoravam.

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Doctor 6 de maio de 2018 - 15:28

o nome do episodio já mostra bem a importância da personagem pra essa nova fase. Não gosto muito desse episodio, mas é impossível não gostar da Rose e ficar com uma pulga atras da orelha sobre quem é o doutor, alias grande injustiça o nono ter ficado só uma temporada, apesar de meio esquecido ele é um doutor tão bom quantos os outros, inclusive o meu trabalho de conclusão de curso no fisk foi sobre doctor who e a frase que eu decidi citar da serie foram as palavras finais do nono, que é dono de uma das despedidas mais lindas.

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Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 17:01

Muito bem observado @disqus_mZ6uDSqk6V:disqus, o nome do episódio já destaca a importância da personagem não só para o episódio, mas para toda a temporada, expondo que o desenvolvimento de Rose Tyler estará no centro da narrativa, e será tão importante quanto o do próprio Doutor.

Rose também me cativou de cara neste Piloto, e mesmo já conhecendo o Doutor da Clássica, também fiquei com uma pulga atrás da orelha pra saber o que de tão terrível ele passou e que tipo de homem se tornou.

Também acho que o Eccleston é muito subestimado, e merecia ser tão conhecido quanto seus três sucessores diretos (excetuando aqui o John Hurt, e a Jodie Whitaker que ainda não conhecemos). Uma pena que ele recusou os convites da Big Finish para reviver o personagem, ai poderíamos conhecer mais dele, assim como aconteceu com Colin Baker e Paul McGann, dois Doutores que não tiveram muito tempo pra mostrar á que vieram.

Mas acho a jordada dramática do Nono tão sólida nesta 1ª temporada, que não fiquei com a sensação de que a história dele ficou “incompleta” como acontece com outros personagens em DW. Como você bem diz, a sua despedida está entre as mais bonitas da Série. Mas esse é papo pra outra hora. Hehehehe

Grande Abraço!

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Luiz Santiago 6 de maio de 2018 - 14:16

E mesmo hoje, eu não consigo parar de lamentar o coitado do Mickey, absolutamente maltratado nesse começo de série. HHAHAHHAH

E devo dizer que é uma felicidade tê-lo por aqui, agora na série, né, porque você já povoava a nossa galeria com as ótimas críticas de livros. Agora, mais uma mídia para a gente brigar de vez em quando 😀

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MDN PLAYERS 6 de maio de 2018 - 09:22

Ótima crítica, pra mim o mais legal de ‘rose’ é depois de assistir toda a série voltar pra ver o episódio e perceber a quantidade de coisas que eu não consegui reparar na primeira vez que assisti. Rose é minha companion favorita da série atual e Christopher Eccleston meu quinto Doutor favorito.
Vocês vâo continuar com as críticas? eu adoro o próximo episódio.

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Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 16:27

Com certeza. Rever “Rose”, faz com que peguemos pequenos detalhes que antes nos passavam despercebidos na primeira vez, como detalhes da personalidade da “Companion” e o 9º habituando-se novamente a ser o Doutor, depois de sua encarnação anterior ter rejeitado o título (mesmo que isso não estivesse planejado na época).

Rose é mesmo ótima (especialmente nesta 1ª temporada) embora não chegue a ser minha Companion favorita da Nova Série. E Eccleston com certeza é um Doutor que merecia mais atenção.

Sim, vamos continuar com as críticas da Nova Série que ainda não foram publicadas pelo site. Os episódios da Era do Nono Doutor já esta toda escrita, e deve pintar por aqui em breve.

Grande Abraço!

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Stella 6 de maio de 2018 - 01:12

Minha companion favorita depois da Clara. Amo o episodio 5, 6 e 10 dessa temporada. ótima critica.

Responder
Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 14:18

Rose é ótima mesmo. E difrente da maioria, prefiro ela ao lado no 9º Doutor, embora ela também tenha uma ótima química com o 10º.

Que bom que gostou da crítica, Stella. Logo teremos críticas para os episódios citados por você por aqui. Esperamos te ver por aqui novamente.

Grande abraço!

Responder
Cristiano de Andrade 6 de maio de 2018 - 00:25

Vão fazer criticas individuais dos episódios da série nova agora? é tipo uma contagem regressiva para a nova temporada?

Responder
Luiz Santiago 6 de maio de 2018 - 00:34

Não é contagem regressiva para a nova temporada não. Mas sim, vamos fazer episódio por episódio, as críticas das temporadas 1 a 7 da Nova Série (porque a partir da 8ª Temporada nós já temos todos, por episódio também).

Essa é uma solução que eu já tinha programada há tempos, pouco antes de começar a escrever sobre a Era do 7º Doutor. Agora que acabou a Clássica, chegamos na Nova Série, e tenho o @disqus_wPGYD1xKX4:disqus como principal autor dessa fase com inputs do @denilsonsamaral:disqus na 2ª Temporada… 😀 Fique de olho!

Responder
Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 13:33

É exatamente como explicou o Luis abaixo. Somente os arcos de dois episódios que serão analisados como uma única história, seguindo o padrão já estabelecido pelo Plano Crítico..

Grande abraço, e apareça sempre que quiser para comentar.

Responder
Luiz Santiago 5 de maio de 2018 - 15:01

Agora os papéis se inverteram!!! Eu estou aqui de boas, só esperando a crítica ser publicada para comentar. AHUAHUAHUAHAUAHUAHAUAHUAHAUAHUAHA!

Concordo inteiramente com sua ótima crítica e também dou a mesma nota para o episódio. A série começa de uma maneira interessante e cheia de grandes surpresas para nós. Na época, eu não tinha visto a Série Clássica, nem sabia que isso existia, então foi absolutamente TUDO novo para mim. Gostei do episódio e confesso que não demorou muito tempo para me apaixonar pela série, algo que acontecer já no capítulo seguinte. 😀

Você toca num ponto interessante, com o fato de Rose abandonar tudo para seguir o Doutor. Isso é realmente um incômodo narrativo, porque o texto não dá exatamente muita corda para a gente comprar essa ideia final. MAS acaba funcionando, não é? No fim das contas, não é exatamente um lixo de resolução.

Responder
planocritico 6 de maio de 2018 - 01:03

Eu não sei muito bem o que o showrunner queria alcançar com esse episódio. Minha experiência pessoal com ele foi mais ou menos assim: sempre tinha ouvido falar de DW, mas nunca havia visto sequer um episódio da série clássica. Com a chegada da série nova e impulsionado por um amigo meu que adorava DW, decidi que iria finalmente tirar o atraso e começar com a série pela nova para ver se era bacana. Dei de cara com Rose e (1) ODIEI a Rose; (2) ODIEI o Doutor; (3) ODIEI os bonecos de cera; (4) ODIEI o ambiente trash.

Com isso, larguei o troço no canto (meu amigo havia me emprestado o box da 1ª temporada logo que ela foi lançado). Corta para algo como SEIS anos depois e lá fui eu aplicar minha teimosia a DW e vi tudo de uma tacada só e AMEI o negócio.

Bem é isso! Vai ser bem legal ler essa jornada da nova série por episódio desde o começo!

Abs,
Ritter.

Responder
Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 14:11

“Rose” está longe de ficar entre os melhores episódios da temporada mesmo. E na verdade, já ouvi essa história que você contou algumas vezes. Conheço um bom numero de pessoas que resolveu começar a assistir a Nova Série, começou naturalmente com “Rose” e largou de mão.

Eu já era um pouco calejado por conhecer a Série Clássica (não que o primeiro arco do Primeiro Doutor fosse uma grande porta de entrada também), e de fato, a trama é fraca e os efeitos especiais abaixo do aceitável, mesmo para os padrões de Doctor Who. Mas fui imediatamente cativado pelo Nono Doutor do Eccleston, pela Rose da Piper, e pela dinâmica da dupla, além da proposta de contar o episódio do ponto de vista da jovem, mostrando a sua vida cotidiana, pra só depois o Doutor aparecer e explodir o trabalho dela.

Mas em um exercício de imaginação, se eu tivesse começado a assistir a série com “Rose”, haveria boas chances de eu pensar duas vezes antes de continuar (e olha que não acho este piloto o episódio mais fraco da temporada não).

Grande abraço Ritter, e vai ser fantástico ter seus comentários por aqui.

Responder
G. Hoffmann 8 de maio de 2018 - 14:23

“e olha que não acho este piloto o episódio mais fraco da temporada não” – já vou avisando que se for falar mal de Boom Town vou dar piti hein! hehehe

Responder
Rafael Lima 9 de maio de 2018 - 03:16

Hehehe. O mais fraco pra mim não é “Boom Town” não. Mas vamos ter algumas questões bem interessantes pra discutir quando chegarmos a este episódio. Hehehehe

Rafael Lima 6 de maio de 2018 - 13:58

Pois é, o mundo gira hein? Hahahahaha

Eu já conhecia a Clássica quando comecei a assistir a Nova (comecei a ver a série por 2012, e começei a ver a Nova Série já em 2016. A 10ª temporada foi a primeira que vi tendo que esperar o episódio seguinte) e mesmo assim, acho que o episódio guarda muitos mistérios, criando uma aura bem misteriosa em torno do Doutor, como disse na crítica.

Pois é, essa decisão súbita de Rose de abandonar a própria vida sem maiores explicações pra viajar com esse alienígena que acabou de conhecerme incomodou um pouco na época. E o que me incomodou mais foi o fato de o roteiro tentar justificar a escolha da garota fazendo de sua família (mãe e namorado) personagens extremamente caricaturais e até um pouco desagradáveis, de modo que não parece haver nada prendendo a garota mesmo. Em um roteiro que se foca tanto em construir a vida normal de Rose, este é um aspecto que poderia ter sido um pouco melhor trabalhado.

Curiosamente, é uma decisão da equipe criativa que á longo prazo, tornaria-se mais coerente, mas analisando o episódio isoladamente incomoda mesmo.

Não posso deixar de dizer que é um prazer fazer parte deste projeto do Plano Crítico para Doctor Who.

Um grande abraço!

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