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Crítica | Doctor Who: Flux – 13X02: War of the Sontarans

O que os Sontarans estão fazendo aqui?

por Luiz Santiago
1.342 views (a partir de agosto de 2020)

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War of the Sontarans mantém a grandiosidade que Flux nos apresentou em seu episódio de estreia, The Halloween Apocalypse, criando um plot em parcial continuidade. Infelizmente, porém, essa apresentação é atrapalhada pela presença dos vilões de destaque, os cabeças-de-batata que chegam à Terra segundos antes de o Sr. Karvanista encabeçar a colocação do escudo no planeta, protegendo-nos do Fluxo. Pensando unicamente em termos de continuação, o princípio do enredo até tem sua lógica. Os Sontarans apareceram no episódio passado dentro de um contexto de invasão — literalmente dizendo que iriam se aproveitar do evento devastador para dominar os lugares que desejam, sendo a Terra um desses lugares — e aqui vemo-nos em pleno exercício de invasão. Até aí, zero problema.

A situação muda de figura quando consideramos que a presença dos babatões na Terra não serve, rigorosamente falando, para absolutamente nada. Mesmo que nos episódios futuros haja uma explicação perfeita para esses vilões em nosso planeta, a coisa será vista como positiva apenas no contexto geral, não no contexto individual, retroativamente. Quem acompanha os meus textos de séries por semana sabe que eu faço parte da escola que pensa que uma temporada precisa funcionar bem em duas estruturas analíticas e dramáticas: nos episódios (o que é apresentado precisa fazer sentido naquele enredo contido e também fora dele, pela continuidade da trama) e na temporada (onde todas as peças formarão a unidade estilística e narrativa daquele ano do programa).

Aqui, isoladamente, os Sontarans estão supostamente para colocar um impasse para a Doutora, mas esse impasse não tem implicações maiores para o grande esquema das coisas já em andamento, portanto, não afeta o Fluxo ou os vilões Swarm (Sam Spruell) e sua irmã Azure (Rochenda Sandall), agora acompanhados de um outro estranho, o Passageiro, interpretado por Jonny Mathers. Dessa forma, metade do capítulo simplesmente se perde em propósito, o que me leva à pergunta: por qual motivo escalar os Sontarans? E sinceramente, apesar de eu gostar da direção de Jamie Magnus Stone, os cacoetes da Série Clássica ligado aos batatões que ele teve que filmar criaram diversos momentos vergonhosos, e não há dúvida nenhuma que todos eles são imposições do roteiro de Chris Chibnall.

À lista, também posso acrescentar o mal uso em contexto para uma personagem histórica tão interessante como Mary Seacole (apesar de ter gostado da representação dela, individualmente); o fato absurdo de os Sontarans (uma raça militar!!!) errarem tantos tiros; o fato de Dan encabeçar um “plano” sem pé nem cabeça para entrar numa nave Sontaran e, a pior de todas elas, as cenas de Dan com os pais. Santo Rassilon, que vergonha!

Já a outra metade do episódio é boa. Eu quase classifico esse aqui como “bom” por conta do pedaço da história que não envolve dos Sontarans, porque estou gostando muito dos vilões estranhos, da questão do Fluxo e agora desse mistério envolvendo o tempo. Numa armadilha preparada no Templo de Atropos, no Planeta Tempo, a Doutora, Yaz, Dan e Vinder estão prestes a ver mais uma tragédia acontecer. Em adição à apresentação que tivemos na outra semana, me parece algo verdadeiramente instigante, o que me faz odiar ainda mais a presença dos Sontarans aqui. A despeito da fotografia e figurinos no bloco da Guerra da Crimeia serem muito bons, gosto muito mais da simplicidade rústica e do tom quente do Templo de Atropos, com as misteriosas mulheres Mouri quanticamente travadas, mantendo o fluxo do tempo através delas.

Não entendo como Chibnall foi colocar Sontarans numa trama que não precisava deles, estragando metade de um plot que, a meu ver — e julgando apenas pelo que nos foi entregue até o momento — merece nossa atenção. Foi um balde de água fria no meu entusiasmo com o primeiro episódio da temporada. Gostaria que o roteiro libertasse a Doutora desse travamento emocional e desse a oportunidade de Jodie Whittaker expressar-se mais, contudo, a esta altura do campeonato, está claro que o showrunner e agora roteirista da temporada toda não seguir por esse caminho. Imagino que haverá um salto nesse tratamento para a Doutora ali pelos últimos episódios, já que tudo parece indicar um retorno do tema da identidade da personagem, abalada pelas descobertas via Mestre na 12ª Temporada. Se Chibnall focar apenas nessa parte do Fluxo, que é o tema da temporada, teremos algo muito bom para seguir. Caso contrário, será na linha de frustração que tivemos com os Sontarans nesse episódio. Quem sabe eles não voltam lá para o final, montando uma parte oculta do quebra-cabeça narrativo, não é mesmo?

Doctor Who: Flux – 13X02: War of the Sontarans (Reino Unido, 07 de novembro de 2021)
Direção: Jamie Magnus Stone
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Mandip Gill, John Bishop, Jacob Anderson, Dan Starkey, Jonathan Watson, Sam Spruell, Jonny Mathers, Rochenda Sandall
Duração: 50 min.

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