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Crítica | Doctor Who: Flux – 13X06: The Vanquishers

Pelo menos a tortura semanal acabou.

por Luiz Santiago
1.967 views (a partir de agosto de 2020)

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A minha sensação, no momento em que escrevo esta crítica, é de alívio. E por vários motivos. Os principais, dentre eles, resumem-se à seguinte frase: “enfim, acabou. E o que não acabou ainda, está bem próximo de acabar“. Em suma, o alívio vem pelo fato desse fracasso de temporada intitulada Flux ter terminado e também pelo fato de termos poucas entradas de Chris Chibnall à frente de Doctor Who antes de sua definitiva despedida. Ao lado disso, há um lamento em relação a Jodie Whittaker, de quem gosto bastante, mas é um sacrifício empático que estou inteiramente disposto a fazer. Especialmente depois de o showrunner nos fazer investir e perder tempo numa temporada que prometia, em tudo, ser épica e dar respostas para muitas coisas… e terminou sendo um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Triste fim.

Para quem ainda estava se segurando em nesgas rotas de otimismo, The Vanquishers proveu o rompimento necessário. O episódio confirma aquilo que tinha ficado parcialmente entendido em Survivors of the Flux, ou seja, toda a gigantesca onda de promessas do autor não deu em absolutamente nada. O Fluxo, como tema central, se tornou um problema secundário e voltou só agora, no Finale, para ser definitivamente vencido com um Deus Ex Machina. O ano que foi, em sua totalidade, pensado sob o aspecto de ameaça do tal Fluxo, viu que nada em relação a isso acabou valendo a pena ou tendo um verdadeiro impacto narrativo na trama. Foi uma desculpa para trazer à cena Swarm e Azure, que a rigor serviram de “vilões centrais” de toda a trama, mas, novamente, foram vencidos com outro Deus Ex Machina (uma personificação do tempo que aparentemente escolheu a Doutora em vez de tomá-la como sacrifício) e dentro de uma proposta confusa do roteiro. Qual era o foco, então?

Esta é a minha grande questão com essa temporada. Em quê o showrunner se propôs focar? Qual era a intenção? Até as memórias que tanto perturbaram a Doutora ao longo do ano foram descartadas temporariamente, numa ponte patética que supostamente deve ser completada com os Especiais de 2022 — e sabe-se lá que tipo de memórias irão sair de lá, se é que sairão algumas. Chibnall sequer foi capaz de fazer dessa temporada um meio de desenvolvimento para a Time Lady, que entrou e saiu da exata mesma forma, algo que eu NUNCA vi em absolutamente nenhuma temporada da série, nem em todas as 26 da Série Clássica e nem em todas as outras 12 da Nova Série. A meu ver, este não só é o pior Finale da Nova Série, como a pior temporada de Chibnall no comando do programa, simplesmente porque quis ser tudo, falar de tudo, mostrar tudo, revelar tudo… e acabou não fazendo nada disso, nem mesmo o básico.

Vale dizer que o apuro estético do episódio esteve nas alturas, e deixo os meus destaques para a direção de arte, trilha sonora e direção de fotografia, minha tríade xodó ao longo de todo esse ano. Cenas que não conseguiram ser emocionantes pelo encadeamento narrativo, pelo menos tiveram uma indicação musical propícia, como a morte do professor Jericho, por exemplo. Quanto ao restante, o texto fez o que podia diante de toda a correria e quantidade absurda de coisas que tinha para resolver. E o que podia era finalizar tudo de qualquer jeito. Veja o que ocorreu com os Lupari: em vez de manter essa raça tão interessante, o autor matou todo mundo e só deixou Karvanista com uma promessa de vingança contra os Sontarans, que acabam tendo protagonismo no episódio para, no fim… não chegarem a lugar nenhum e terem que dar lugar a outro plot, como já era de se esperar. Vale também citar o cameo vergonhoso de Daleks e Cybermen no episódio, parte de um plano que é inteligente e que poderia ter força e ser interessante em outro contexto, mas aqui, serviu apenas como mais uma dentre milhões de coisas acontecendo ao mesmo tempo, uma minando a força e o sentido da outra.

A Doutora repartida entre três realidades me trouxe alguns poucos segundos de interesse pelo que estava acontecendo, mas isso foi rapidamente soterrado pela falta de foco do enredo e pelo parcialmente mal uso de todo mundo no episódio, para além da Doutora (o que fizeram com Kate, pelo amor de Rassilon?). Os motivos são os mesmos já citados anteriormente, mas adiciona-se aqui a triste situação de termos muitas pessoas, muitos blocos e muitos núcleos para dar atenção e tentar encontrar uma ligação com a trama central. Era de se esperar que nada funcionasse de fato e que tudo fosse atropelado. Eu comecei essa temporada imensamente feliz com a ideia de um Fluxo destruidor, de vilões misteriosos e de algo envolvendo o tempo. E termino sem saber para quê serviu essa temporada — na verdade sei: para nada — e frustrado por ter investido e perdido tanto tempo. Alguns episódios se salvam aqui, individualmente, mas na montagem final do quebra-cabeça, não significam absolutamente nada para o entendimento do 13º ano da série. Que morte horrível, hein, Chris Chibnall?!

Doctor Who: Flux – 13X06: The Vanquishers (Reino Unido, 05 de dezembro de 2021)
Direção: Azhur Saleem
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Mandip Gill, John Bishop, Jacob Anderson, Jemma Redgrave, Nadia Albina, Nicholas Briggs, Silas Carson, Craige Els, Thaddea Graham, Jonny Mathers, Kevin McNally, Steve Oram, Craig Parkinson, Rochenda Sandall, Annabel Scholey, Sam Spruell, Dan Starkey, Jonathan Watson
Duração: 50 min.

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