Crítica | Doctor Who: Nekromanteia (Big Finish Mensal #41)

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Equipe: 5º Doutor, Peri, Erimem
Espaço: Planeta Talderun, Sistema Garazone
Tempo: Indeterminado

Há muito tempo atrás eu ouvi Nekromanteia, após cismar com algo que li na internet sobre a relação do 5º Doutor com bruxas. Minha obstinação, nesse caso, nem foi recompensada, porque eu não encontrei o que procurava e, na época, nem gostei da aventura. Até tentei ver se meu colega Rafael Lima tinha interesse em fazer a crítica desse episódio, porque não queria voltar a ele. Mas olha… ainda bem que eu voltei. Não é a primeira vez que eu mudo de opinião em relação a uma obra, após conferi-la pela segunda vez, mas a diferença de percepção entre primeira vez que ouvi Nekromanteia e esta segunda, realmente me impressionou, já que saí do ódio puro diante da trama e cheguei à versão de “isso é muito bom!“. Ah, nós humanos…

Escrito por Austen Atkinson, a história se passa nas profundezas do espaço, “em um distrito pouco conhecido que abriga um terrível segredo“. Três caminhos iniciais são plantados pelo texto e o espectador se vê rapidamente interessado por cada um deles. De um lado, um local ameaçador e com péssima fama de “lugar de morte”. Do outro, uma Corporação galática que parece ter como mote faturar e crescer em  detrimento das vidas de seus funcionários ou dos nativos de planetas “visitados” por seus representantes. Por fim, a chegada do Doutor, Peri e Erimem ao planeta Talderun, um local que trará armadilhas para cada um dos tripulantes da TARDIS, que mostrará as garras da Corporação e colocará em cena um certo “segredo sobre o domínio dos mortos”, que se encerra em um distrito lendariamente chamado de… Nekromanteia.

A trama se passa, como vocês já devem imaginar, entre os arcos Planet of FireThe Caves of Androzani, período que encerra, no Universo Expandido de Doctor Who, a verdadeira linha de viagens do 5º Doutor ao lado de Peri, já que na TV eles tiveram apenas dois arcos juntos. A presença da não-coroada faraó Erimem e o bom destaque para  seu gato Antranak ajudam a fortalecer o lado místico dessa história, que consegue um feito admirável: seguir bem em toda a linha narrativa com núcleos de personagens com motivações completamente diferentes. Se a gente encontra problemas de estrutura na apresentação e na falta de detalhes para as bruxas, do meio para o fim do episódio, isso é recompensado pelo restante do texto, até porque a ação passa a um outro nível, seja para o Doutor, seja para suas companheiras. E principalmente para o gato de Erimem.

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Ilustração desse episódio na DWM 327.

Como já havíamos visto em The Eye of the Scorpion, a entidade alien na mente do gato (Stasis Box Entity) parece impulsionar o bichano para a ação salvadora que ele toma no fim da aventura, algo que parece coerente com a linha do episódio, onde partes diferentes do jogo sacrificam alguma coisa. Nesse ponto os personagens são colocados diante de uma situação-limite e aí precisam desafiar a si mesmos. Diferente da minha primeira experiência, não me incomodei com a exposição afetada das bruxas, das loucuras de seu culto e da forma como a mortandade é colocada em cena. Dessa vez, as coisas para mim fizeram bem mais sentido e, embora enfrentem obstáculos quando de sua introdução na trama, conseguem se fazer entender e se fazer necessárias no decorrer do capítulo. Uma história sobre a forma moralmente questionável com que algumas pessoas encaram a vida. Sobre como algumas sociedades se organizam (o machismo em sua forma severa é visto num dos blocos aqui), e sobre como o Doutor, muitas vezes, se livra totalmente chamuscado e afetado pelas armadilhas que são armadas para ele.

Doctor Who: Nekromanteia (Big Finish Mensal #41) — Reino Unido, fevereiro de 2003
Direção: John Ainsworth
Roteiro: Austen Atkinson
Elenco: Peter Davison, Nicola Bryant, Caroline Morris, Gilly Cohen, Glyn Owen, Kerry Skinner, Ivor Danvers, Kate Brown, Nigel Fairs, Andrew Fettes, Simon Williams, Gary Russell, Jack Galagher, John Ainsworth
Duração: 105 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.