Home TVTelefilmes Crítica | Dr. Who – O Senhor do Tempo (1996)

Crítica | Dr. Who – O Senhor do Tempo (1996)

por Luiz Santiago
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estrelas 2

Produzido pela BBC e pela FOX, Doctor Who (o filme) foi uma tentativa fracassada de retomar a série que havia sido interrompida em 1989, ainda na encarnação do 7º Doutor. Aproveitando o hype encabeçado pela nova geração de whovians e principalmente a recente divulgação de informações pela internet, pareceu uma boa ideia para as produtoras tentarem reviver Doctor Who, mas… não deu certo. Ainda bem.

E o fato de não ter dado certo deveu-se muito à tenebrosa qualidade do filme, que infelizmente foi adicionado ao cânone do Universo whovian. Por um lado, há dois pontos positivos: o fato de ter tido Paul McGann como 8º Doutor e o fato de não ter se distanciado muito desde a interrupção oficial da série para vermos a regeneração de Sylvester McCoy. O ator não aceitaria participar do filme caso estivesse bem mais velho do que era quando foi filmado pela última vez, em 89, então o filme pelo menos serviu para mostrar o (ótimo, diga-se de passagem) fim de sua encarnação.

A história se passa em São Francisco, em 31 de dezembro de 1999. A data foi sabiamente escolhida para a época, uma vez que já se falava e se temia o “bug do milênio” e inúmeras profecias se espalhavam sobre o que ia acontecer com a humanidade… Localizar o Doutor nesse período da História da foi uma das poucas coisas inteligentes que o roteirista Matthew Jacobs concebeu.

Mas dada a localização e a excelente parte inicial do filme, onde vemos uma TARDIS com um design bem interessante e o Doutor lendo The Time Machine, de H. G. Wells, pouca coisa sobra. A própria concepção do Mestre, que escapa milagrosamente de seus restos mortais e de dentro de uma caixa selada pelo Doutor é um assalto à inteligência e uma falta de imaginação do roteirista. O Mestre não precisava ter aquele período de adequação, de roubar um corpo e de agir dependendo de um humano para conseguir sobreviver. Parecia o prenúncio de um Lord Voldemort.

O estilo Exterminador do Futuro adotado como premissa do filme dá muito certo na concepção técnica (fotografia e direção de arte principalmente), mas detona completamente a história na pessoa do vilão (nesse caso, o Mestre) e a premissa que o move (conseguir o corpo do Doutor porque ele, o Mestre, havia gastado todas as suas vidas). Parece que o roteirista se esqueceu que o Mestre também é um Time Lord e o rebaixou à categoria de vilãozinho de quinta, daqueles que destila maldade gratuitamente. É tenebroso de se ver.

Por sorte temos Paul McGann no papel do Doutor, e é preciso ressaltar que ele faz um trabalho simplesmente fantástico. Desde os primeiros momentos de sua pós-regeneração – uma das melhores já vistas, deva-se dizer –, com montagem paralela mostrando o filme Frankenstein, de 1931, temos um crescimento progressivo, primeiro a perda da memória e depois a lenta recuperação até que tudo se ajusta e ele se vê como 8º Doutor. Sua inocência, inteligência e modo de lidar com o conflito estabelecido pelo Mestre é incrível, o que mostra que pelo menos uma personagem foi bem desenvolvida no roteiro.

Aqui, o Doutor tem Grace como companion, e também a presença antipática e odiosa de Chang Lee, personagem para o qual só tive um pouco mais de simpatia quando li a novelização do filme, que nos mostra um pouco mais sobre ele e sua família e explica decentemente o que foi aquilo que vimos no início do longa.

Doctor Who – O Senho do Tempo, é o patinho feio do material canônico em audiovisual relacionado à série. Não se trata de algo totalmente execrável, até porque tem um ótimo trabalho técnico e dois Doutores muitíssimo bem colocados, mas por outro lado traz uma história insossa, que mais erra do que acerta. É algo que todo whovian precisa ver, até porque só há esse e mais outro registro em tela do 8º Doutor (quem quiser vê-lo mais em ação é só ler os inúmeros livros por ele protagonizados – tem uma série só dele – e ouvir os audiodramas), mas que está longe de ser uma produção que algum fã da série vá se orgulhar.

Doctor Who – O Senhor do Tempo (Doctor Who, EUA, UK, 1996)
Direção: Geoffrey Sax
Roteiro: Matthew Jacobs
Elenco: Paul McGann, Eric Roberts, Daphne Ashbrook, Sylvester McCoy, Yee Jee Tso, John Novak, Michael David Simms, Catherine Lough Haggquist, Dolores Drake, Will Sasso
Duração: 89 min.

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7 comentários

Rafael Lima 22 de janeiro de 2017 - 14:52

Eu não chego a lamentar totalmente o fato do filme ter sido incluído na continuidade, pois bem ou mal, nos deu o Oitavo Doutor de Paul McGann, que apesar do desastre do filme, é um Doutor muito bom, e ajudou a manter DW vivo até o retorno da série em 2005. Mas concordo que o protagonista é a unica coisa aproveitável do filme.

Engraçado que o filme precisava fazer duas coisas, apresentar o universo de “Doctor Who” pra quem não conhecia, e lembrar os fãs da Clássica que essa ainda era o mesmo universo que tanto amavam. Mas o filme não faz nenhuma dessas coisas muito bem. “Rose”, aventura de estréia do Nono Doutor faz o que este filme tentou fazer com quarenta minutos a menos.

Devo dizer que não gostei do fim do Sétimo Doutor. Gosto muito da versão de Silvester McCoy do personagem, se não é o meu Doutor favorito, é um dos três mais, e acho o seu final bem inglório, morto praticamente por uma bala perdida seguido de um erro médico. Esta encarnação do personagem merecia bem mais.

De fato, o próprio McCoy disse depois que se arrependeu de fazer o filme, pois achava que colocar na mesma história, uma aventura de regeneração e uma aventura de estréia para um novo Doutor foi um desserviço tanto para o seu Doutor quanto para o Doutor do McGann. Mas devo dar o braço a torcer para a cena de regeneração. Muito bem filmada, e unica na história da série.

Paul McGann faz milagre em estabelecer o seu Doutor com o tempo que tinha, ainda mais tendo em vista que passa grande parte do filme desmemoriado. Mas no fim, o ator define muito bem qual é a sua visão para o icônico Time Lord, que ao meu ver, parece misturar um pouco excentricidade hiperativa da versão de Tom Baker com a nobreza quase ingênua do Doutor de Peter Davison, criando assim uma versão unica.

O interessante @luizsantiago:disqus, é que apesar da mediocridade desse filme, dá pra perceber algum tipo de influência dele na Nova Série. O design da sala de controle da TARDIS usada nos primeiros anos da Nova Série parece beber muito da sala de controle vista no filme. A dinâmica inicial do Doutor com a Companion, com o mundo do Timelord invadindo a vida comum da companion (uma mulher contemporânea) como acontece aqui com o Oitavo Doutor e Grace, lembra muito o que ocorre com quase todas as companions da Nova série. O próprio fato de vermos o Doutor se envolvendo romanticamente com suas companions parece ser uma herança do filme.

A diferença é que a Série usaria todos esses elementos bem melhor. Hehehe.

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Rafael Lima 22 de janeiro de 2017 - 14:52

Eu não chego a lamentar totalmente o fato do filme ter sido incluído na continuidade, pois bem ou mal, nos deu o Oitavo Doutor de Paul McGann, que apesar do desastre do filme, é um Doutor muito bom, e ajudou a manter DW vivo até o retorno da série em 2005. Mas concordo que o protagonista é a unica coisa aproveitável do filme.

Engraçado que o filme precisava fazer duas coisas, apresentar o universo de “Doctor Who” pra quem não conhecia, e lembrar os fãs da Clássica que essa ainda era o mesmo universo que tanto amavam. Mas o filme não faz nenhuma dessas coisas muito bem. “Rose”, aventura de estréia do Nono Doutor faz o que este filme tentou fazer com quarenta minutos a menos.

Devo dizer que não gostei do fim do Sétimo Doutor. Gosto muito da versão de Silvester McCoy do personagem, se não é o meu Doutor favorito, é um dos três mais, e acho o seu final bem inglório, morto praticamente por uma bala perdida seguido de um erro médico. Esta encarnação do personagem merecia bem mais.

De fato, o próprio McCoy disse depois que se arrependeu de fazer o filme, pois achava que colocar na mesma história, uma aventura de regeneração e uma aventura de estréia para um novo Doutor foi um desserviço tanto para o seu Doutor quanto para o Doutor do McGann. Mas devo dar o braço a torcer para a cena de regeneração. Muito bem filmada, e unica na história da série.

Paul McGann faz milagre em estabelecer o seu Doutor com o tempo que tinha, ainda mais tendo em vista que passa grande parte do filme desmemoriado. Mas no fim, o ator define muito bem qual é a sua visão para o icônico Time Lord, que ao meu ver, parece misturar um pouco excentricidade hiperativa da versão de Tom Baker com a nobreza quase ingênua do Doutor de Peter Davison, criando assim uma versão unica.

O interessante @luizsantiago:disqus, é que apesar da mediocridade desse filme, dá pra perceber algum tipo de influência dele na Nova Série. O design da sala de controle da TARDIS usada nos primeiros anos da Nova Série parece beber muito da sala de controle vista no filme. A dinâmica inicial do Doutor com a Companion, com o mundo do Timelord invadindo a vida comum da companion (uma mulher contemporânea) como acontece aqui com o Oitavo Doutor e Grace, lembra muito o que ocorre com quase todas as companions da Nova série. O próprio fato de vermos o Doutor se envolvendo romanticamente com suas companions parece ser uma herança do filme.

A diferença é que a Série usaria todos esses elementos bem melhor. Hehehe.

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Luiz Santiago 23 de janeiro de 2017 - 02:57

Concordo com você: a série nova coloca muito mais esses elementos de forma positiva. Também penso que Rose, mesmo não sendo nada genial, é um episódio de apresentação muito mais eficiente do que o filme, que acaba irritando bastante o espectador, além de fazer aquela sugestão que não deve ser nomeada…

Eu também queria que a regeneração do 7º Doutor se desse por outro motivo… Depois de tantas aventuras, por que não um final épico para ele? Mas infelizmente as “forças” por trás do filme estavam pensando em algo muito mais pop e fácil… uma pena mesmo.

Também vejo várias influências no desenho de produção e na própria constituição do Doutor. Ainda bem que em uma roupagem melhor, não é mesmo? hhahhaha

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Luiz Santiago 23 de janeiro de 2017 - 02:57

Concordo com você: a série nova coloca muito mais esses elementos de forma positiva. Também penso que Rose, mesmo não sendo nada genial, é um episódio de apresentação muito mais eficiente do que o filme, que acaba irritando bastante o espectador, além de fazer aquela sugestão que não deve ser nomeada…

Eu também queria que a regeneração do 7º Doutor se desse por outro motivo… Depois de tantas aventuras, por que não um final épico para ele? Mas infelizmente as “forças” por trás do filme estavam pensando em algo muito mais pop e fácil… uma pena mesmo.

Também vejo várias influências no desenho de produção e na própria constituição do Doutor. Ainda bem que em uma roupagem melhor, não é mesmo? hhahhaha

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planocritico 21 de novembro de 2013 - 01:31

Lá no fundo, eu consegui ver o que eles queriam fazer com esse filme e acabei me divertindo. Mas, realmente, o Mestre ficou ridículo. Só de usar Eric Roberts no papel já me fez ficar com coceiras. Mas, quando ele veste a roupa cerimonial de Time Lord e, no topo da escada, dá aquele desmunhecada, quase morri de rir…

E, como você ressaltou, a regeneração do Doutor é incrível mesmo. É interessante algo tão bem bolado assim perdido no meio dessa coisa tosca… – Ritter.

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Viva Aimaginação 17 de novembro de 2013 - 15:20

parece que esse filme foi uma alucinaçao ou delirio que o doutor teve,muitas coisas não se encaixam como os daleks mandarem o doutor fazer algo commo levar os restos do mestre,os daleks estao totalmente fora de seu personagem,pelo que li por ai o cara responsavel pelo filme tinha ido uma vez nas gravaçoes de um episodio do primeiro doutor com o pai dele que era diretor ou fazia outra coisa na serie,parece que ele nao se aprofundou muito na busca de mais informaçoes sobre a serie,nao consigui prestar muita atençao na atuação do paul macgan por causa do todo do filme,mas pelo que vi nesse mini episodio que foi lançado ele tinha e tem muito potencial como doutor,quem sabe surja algo com ele na serie da televisao.

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Luiz Santiago 17 de novembro de 2013 - 18:39

Esse filme é uma desilusão. Como coloquei na crítica, ainda bem que não deu certo a iniciativa de reviver a série a partir dessa parceria com a FOX, porque com certeza coisa boa não ia sair daí.
Mas mesmo não gostando, evo admitir que o filme traz informações importantes para a série (apesar de malucas). Algumas coisas não fazem sentido, mas não no sentido canônico, não fazem sentido no âmbito de roteiro mesmo. De qualquer forma, nos trouxe um excelente 8º Doutor e a tão esperada regeneração do 7º. 😀

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