Crítica | Doctor Who: O Olho do Gigante, de Christopher Bulis

virgin-olho-do-gigante-plano-critico-doctor-who

estrelas 3

Equipe: 3º Doutor, Liz, Mike Yates, Benton, Brigadeiro Lethbridge-Stewart
Espaço: Ilha Polinésia de Salutua (ilha “lendária”) / Londres, Inglaterra
Tempo: 1934 / UNIT – Ano 3, mês de maio / flashback em 1884

Mistura dos filmes de monstro dos anos 1930 (principalmente King Kong) e dos esforços da UNIT, que possui um enorme destaque nessa história, O Olho do Gigante, de Christopher Bulis, leva o leitor para uma expedição ao mesmo tempo clichê e deliciosa; para uma ilha mitológica, transitando entre 1934 e o Ano 3 da Era Unit em Doctor Who. Com direito a um pequeno flashback para a queda da nave de Brokk, o vilão da história, na ilha Polinésia de Salutua, e uma linha alternativa de uma Terra distópica, a trama tem muitos pontos positivos, mas talvez se entregue demais ao exagero, nos capítulos finais, e acabe nos fazendo revirar os olhos um bom número de vezes nessas ocasiões.

Uma coisa precisa ficar clara sobre este livro: as explicações sobre Yates e Liz na série. Tanto neste livro quanto no seguinte, As Escalas da Injustiça, considerando a linha do tempo do 3º Doutor, há uma série de divergências que contextualizam um bom número de eventos da primeira fase do exílio do Doutor na Terra, principalmente sobre a chegada de Mike Yates à UNIT e a partida de Liz Shaw. Vejam que, no cânone coeso da série, o então Tenente Yates se destaca na UNIT a partir de Vengeance of the Stones; é promovido a Capitão a tempo de cuidar das consequências e “limpar a bagunça” do ataque ocorrido em Spearhead From Space e fica como personagem secundário (o “novo Capitão” mencionado em The Blue Tooth) até se tornar o segundo em comando, antes de Terror of the Autons.

Na outra ponta, em The Blue Tooth, vemos Liz começando a pensar em deixar o Doutor — e ela passa uma boa parte das aventuras seguintes considerando o seu futuro, em tramas do Universo Expandido. Apenas nos livros O Olho do Gigante e As Escalas da Injustiça vemos explicações fora do padrão estabelecido em todas as outras fontes. Uma das resoluções para isso é considerar que quando o Doutor cruza o Universo paralelo em Inferno, ele quebra algumas barreiras dimensionais e permite instabilidades quânticas jorrar para o nosso Universo, criando um amontoado de linhas do tempo sobrepostas. Note que os eventos possuem exatamente a mesma base, diferindo-se apenas nos cargos, nomes ou escolhas de alguns personagens mais cedo ou mais tarde para ocupar determinado posto, o que corrobora esta interpretação. As anomalias cessam depois da intervenção definitiva dos Time Lords no livro Prisioneiros do Sol, que marca a partida definitiva de Liz.

Em O Olho do Gigante, tanto Liz quanto Mike recebem um grande destaque, ao lado de Benton e o Brigadeiro, que tem uma das melhores frases de indignação do livro:

Eu deveria saber — o Brigadeiro disse laconicamente. O Doutor e a senhorita Shaw conseguiram perder-se em uma ilha que não existe.

A primeira parte da história funciona como uma espécie de “mais um dia no QG da UNIT“. O Doutor está tentando arranjar uma forma de burlar as imposições dos Time Lords e Liz o está acompanhando. Até que chega um artefato alienígena vindo da Austrália, depois de ter sido comido por um tubarão. O Doutor tenta rastrear o objeto e então uma ponte temporal é estabelecida até a Ilha de Salutua, em 1934, onde uma expedição havia ido gravar um filme de monstro e, por debaixo dos panos, tentar conseguir algumas outras coisas.

Existe uma lentidão desnecessária no início do livro, da mesma forma que existe um excesso absurdo no final. A segunda viagem, com Nancy Norton vivendo como uma deusa, é um elefante branco no enredo, realmente não precisava acontecer. A explicação do paradoxo para o início de todo o ciclo poderia ser dada nos capítulos anteriores e o leitor não teria se chateando com um desfecho, que só funciona realmente porque tem a presença da UNIT trabalhando.

Para quem gosta de histórias de monstros e, principalmente, para quem gosta da UNIT, este livro é uma perfeita indicação. A organização secreta tem aqui um grande papel no desenrolar do fatos e, mesmo que a história tenha suas falhas, ela termina sendo uma aventura legal de se ler, embora sem muita coisa importante, à exceção de vemos Mike conhecendo o interior da TARDIS pela primeira vez. Como disse, este é um livro para quem gosta da UNIT.

Doctor Who: O Olho do Gigante (The Eye of the Giant) — Reino Unido, 18 de abril de 1996
Autor: Christopher Bulis
Publicação original: Virgin Books
290 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.