Crítica | Doctor Who: Resolution

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Novidades quase sempre nos causam medo, especialmente quando aparecem em meio a uma jornada não tão elogiada como foi a 11ª Temporada de Doctor Who. Quando a BBC lançou o anúncio de que não haveria um Especial de Natal em 2018, mas sim um Especial de Ano Novo em 2019, muita gente ficou sem saber exatamente como reagir ou o quê esperar. O posterior anúncio de que seria uma aventura com Dalek trouxe ainda mais enigmas e uma grande lufada de animação. Sim, a gente se farta deles. Mas temos que admitir que esses classicões fazem falta. Mesmo tendo gostado bastante de Resolution, eu ainda preferia que tivéssemos os saleiros de Skaro bem mais para frente na série, mais próximo à saída da Jodie. Mas não é uma reclamação, é apenas um compartilhamento de expectativas. Vamos à crítica.

Depois de mostrar 19 Réveillons consecutivos para sua gang (?), fam (?), team (?) a Doutora está prestes a fechar a vigésima viagem da noite de Ano Novo quando um chamado importante interrompe o ciclo. Chris Chibnall escreve aqui um roteiro que funciona em diversos níveis dramáticos, primeiro como reforço para a vida pessoal de Ryan e seu conflito com o pai (imaginava que algo ligado a recomeços deveria aparecer aqui, já que era Ano Novo…), segundo como reforço para o trabalho da Doutora em equipe e… antes do terceiro, quero comentar algo sobre a nossa querida 13ª.

Em suas encarnações anteriores, a Doutora esteve receptiva para novos tripulantes da TARDIS toda vez que esteve sozinha. Fora isso, havia uma certa resistência em admitir mais gente dentro da nave. Claro que existem eventos específicos que, de certa forma, forçaram a personagem a convidar “estranhos”, mas isso não era a regra, era a exceção. Nesta primeira linha de aventuras de Jodie Whittaker à frente da personagem, notamos uma constante vontade dela de ter muita gente por perto, permitindo que mais e mais pessoas façam viagens curtas na nave e tratando isso com grande naturalidade e bom humor. É um traço de personalidade interessante que se une à postura mais expansiva, mais gentil, mais compassiva e extremamente empática dessa encarnação. E agora vamos à terceira coluna do roteiro de Chibnall: o tratamento para o Dalek.

Sinceramente, foi uma das coisas mais interessantes que eu já vi elencando esses personagens pela primeira vez na linha do tempo de um Doutor. Claro que estamos falando de coisas que já vimos antes, como Daleks fora de sua armadura, a atualização para dominação do planeta, etc., mas para mim funcionou de maneira muito boa essa marcação de uma particularidade para o Dalek — batedor, grupo inicial a sair da Skaro –; também a forma como ele toma o primeiro corpo, mais a jornada da Doutora para deter o vilão e fazer com que não consiga chamar sua frota. Esse miolo do enredo me agradou bastante, assim como a montagem da maioria dos blocos, com interrupções em momentos que podiam dialogar mais organicamente com o bloco seguinte. Se a gente tirar aquele inútil e patético momento da família que perde o sinal dos eletrônicos e precisa “conversar” — eu revirei os olhos nessa cena… — temos uma construção que nos engaja e nos mantém curiosos para a forma como tudo irá se desenrolar.

O bom elenco (Tosin ColeBradley Walsh roubando as cenas com facilidade impressionante), a excelente trilha sonora e a linha de ação ligada ao Dalek que aos poucos vai se acostumando à nova armadura (construída por ele mesmo, assim como a Doutora construiu sua nova chave de fenda sônica) fazem de Resolution um episódio de Ano Novo que leva a sério a ideia de colocar o novo e o velho em choque, marcando um reinício. Isso aqui é válido para o modelo emergencial do Dalek revestido, de uma postura mais assertiva por parte da Doutora e de um fortalecimento da vida pessoal de Ryan, com Graham sempre acompanhando de perto. A relação desses dois é uma das coisas mais legais da série no momento, e e olhem… que eu jamais imaginei que diria isso. Mesmo com o final meio sem força e meio desencontrado na forma como os “novos viajantes” se despedem da equipe principal, essa resolução foi um bom ponto de encerramento na primeira parte da Era Chibnall (será que a UNIT já volta restabelecida na próxima temporada?), enquanto a Doutora leva seus amigos para… todos os lugares.

Doctor Who: Resolution (Reino Unido, 1º de janeiro de 2019)
Direção: Jamie Childs, Wayne Yip
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Tosin Cole, Mandip Gill, Bradley Walsh, Daniel Adegboyega, Michael Ballard, Nicholas Briggs, Graham Burton, Connor Calland, Darryl Clark, Sophie Duval, Laura Evelyn, Hugh Holman, James Lewis, Callum McDonald, Nikesh Patel, Charlotte Ritchie
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.