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Crítica | Doctor Who: Revolution of the Daleks

por Luiz Santiago
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Depois do encerramento da 12ª Temporada, muita coisa se discutiu, muita coisa se odiou e muita coisa se teorizou sobre os rumos que a série tomaria dali em diante. Como The Timeless Children terminou com a Doutora sendo encarcerada, tínhamos ainda um gancho imenso com os arranjos daquela temporada para lidar, algo superficialmente abordado por Chris Chibnall nesse episódio, mas sem dar muita atenção para isso. Imagino que será uma linha que ganhará corpo na próxima temporada da série.

Neste Especial de Ano Novo temos novamente os Daleks em cena e o roteiro utiliza uma ação da Doutora contra esses vilões para dar início a um novo rumo tecnológico na Terra, no que diz respeito à segurança. A aposta não é novidade para nós (Victory of the Daleks, alguém?) mas acende o farol de “isso não acaba bem“, algo que, quando falamos de Daleks, está sempre certo — a não ser que você seja o 7º Doutor em O Efeito de Propagação. Eu sou do time de whovians que acredita que os Daleks só devem aparecer em momentos onde a história é realmente grandiosa e, principalmente, quando eles são utilizados da maneira mais crua e violenta possível para padrões de Doctor Who. A segunda parte disso a gente tem aqui, já que as criaturas matam uma porrada de gente. Mas a história não faz jus aos vilões.

O que chama mais atenção aqui é algo fora do plano dos Daleks, o que já é um problema no uso dos vilões em si. A presença de Jack e o já anunciado momento de separação de Ryan e Graham da Doutora (anúncio prévio que matou todo tipo de surpresa) é que formam a essência do episódio, e é nessa linha que temos as melhores coisas de Revolution of the Daleks. Leituras sociais sobre o uso dessas criaturas como “instrumentos de segurança nacional” ou o retorno daquele protótipo chatíssimo de Trump, que conhecemos desde Arachnids in the UK podem fazer o episódio crescer muito para algumas pessoas, mas não é o meu caso.

A ligação de Robertson com os Daleks me pareceu infantil e, quando parecia que ele traria algo de interessante para o episódio (contanto o plano da Doutora para os vilões) o roteiro mudou de direção. Assim, sobra de realmente sólido e aproveitável a finalização do arco de Ryan e Graham. O mais novo parece bem mais maduro aqui e eu gosto muito da atuação de Tosin Cole nesse episódio. O mesmo acontece com Mandip Gill, que entrega a melhor Yaz de toda a série até o momento. Gosto das ações dela, da relação com a Doutora e da participação geral no episódio, reforçando sua importância na série e, com isso, justificando a permanência na TARDIS.

Não vou dizer que desgostei da presença de Jack, mas é aquela coisa com muita gente na TARDIS, não é? Um personagem da importância do Capitão deveria ter um tratamento melhor, mais espaço, mais diálogos. Ele está fazendo uma porção de coisas, tem falas bacanas mas, ainda assim, o achei subaproveitado. Quanto à Doutora, percebo uma interessante crescente de Jodie Whittaker no papel e a vejo bem mais confortável aqui. O problema é que o texto não ajuda tanto à personagem, aí é mais complicado crescer de verdade.

Esse Especial de Ano Novo em Doctor Who toca em um assunto que preocupa muitíssimo a sociedade atual (a questão da segurança pública) e engrossa essa preocupação com uma solução estatal cheia de problemas políticos/jurídicos e a partir de um protótipo absurdamente perigoso. É um Especial ágil e bom, mesmo com diálogos e tratamentos infantis para alguns personagens. Se, por um lado, a preocupação em relação à série nas mãos de Chibnall ainda permanece, por outro, temos uma pontada de esperança de que a “nova busca” da Doutora e de que menos gente na TARDIS possam gerar tramas melhores. Em pleno dia de Ano Novo é melhor terminar com uma nota de esperança, não?

Doctor Who: Revolution of the Daleks (Reino Unido, 1º de janeiro de 2021)
Direção: Lee Haven Jones
Roteiro: Chris Chibnall
Elenco: Jodie Whittaker, Bradley Walsh, Mandip Gill, Tosin Cole, John Barrowman, Nicholas Briggs, Sophie Duval, Chris Noth, Gray O’Brien, Guillaume Rivaud, Scott Rose-Marsh, Nathan Stewart-Jarrett, Harriet Walter
Duração: 71 min.

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