Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Arc of Infinity (Arco #123)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Arc of Infinity (Arco #123)

por Luiz Santiago
118 views (a partir de agosto de 2020)

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estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Nyssa
Espaço: Amsterdã / Gallifrey
Tempo: Janeiro de 1983

Depois do estranho cliffhanger de Time-Flight, a sensação de “despedida ingrata” voltou à série, trazendo lembranças da partida de Dodo em The War Machines e, mais uma vez, a pergunta do por quê a produção permitiu esse tipo de coisa. Para uma personagem regular da série, uma saída dessas é também um desrespeito para com o público. Mas esta foi apenas mais uma das partidas de Tegan (ela colecionou mais algumas outras no Universo Expandido), que retornou neste Arc of Infinity com um visual novo e praticamente… uma nova pessoa. Eu que apontei várias vezes a qualidade dramatúrgica de Janet Fielding e a chatice imensa que era a Tegan comissária de bordo, vi aqui uma mulher diferente, alguém carregando a bagagem de já ter viajado com o Doutor e mudou, se tornou mais ativa, mais simpática e certamente veio contrastar com Nyssa, que a esta altura já deveria ter amadurecido e, por todos os deuses e todos os universos, trocado de figurino regular.

Com roteiro de Johnny Byrne, Arc of Infinity mostra dois cenários, um em Amsterdã e outro em Gallifrey. O vilão inicialmente parece ser o Mestre, mas acaba se revelando Ômega, o louco Time Lord expulso do planeta natal dos Senhores do Tempo e encerrado em um lugar do qual não deveria sair. Depois de ter sido derrotado por três versões do Doutor em The Three Doctors, o renegado aparece agora com outra armadura e um plano bem mais inteligente. Ele pretende controlar a Matriz de Gallifrey e para isso, tem ajuda interna e vai usar o Doutor para conseguir atingir seu objetivo.

Um fato interessante é que temos aqui a participação de Colin Baker, pouco mais de um ano antes dele mesmo se tornar o protagonista da série, como o 6º Doutor. Ele interpreta aqui o infame Comandante Maxil, um homem cego pelo código militar e que obedece a qualquer ordem sem questionar ou pensar nos impactos morais que ela tem. É, assim como um número bem grande dos Time Lords egoístas, o perfeito exemplo do tipo de “bom homem” que não se importa em exterminar alguém, comprovando a banalidade do mal, segundo Hannah Arendt.

Mas existe ainda o lado daqueles que apoiam o Doutor, como no caso de Damon. Ou um certo “amigo” que possui outras intenções em sua agenda. Nesse ponto, o roteiro cria uma ótima cadeia de revelações, acusações e suspeitas. Embora nem todas funcionem bem até o final e algumas acabem dando espaço para resoluções ruins, elas servem para nos manter engajados, investigando comportamentos, tentando entender quem, na verdade, está por trás da liberação dos dados biológicos do Doutor e o que isso permitiu o inimigo fazer. No outro lado do drama, as sequências em Amsterdã funcionam em sua maioria, desde o princípio de horror dos jovens mochileiros até a entrada de Tegan em cena.

Colocar a versão final de Ômega como o Doutor é o tipo de exagero que podemos esperar da era de John Nathan-Turner, que na maioria das vezes primava pelo capricho, não necessariamente pela validade dramática ou coerência narrativa de alguma mudança ou escolha de personagem — o que também vale para os títulos dos arcos que ele mudava para nomes dúbios, difusos, apontando para coisas que têm apenas o mínimo de impacto dentro de todo o cenário, como é o presente caso.

O espectador não deixa de rir da cara do Doutor ao final, tendo que “aturar” Tegan por mais uma rodada. Pelo menos agora ela parece outra pessoa e deverá tirar da TARDIS o marasmo meio orgulhoso de Nyssa. É o que veremos daqui para frente.

Arc of Infinity (Arco #123) — 20ª Temporada
Direção: Ron Jones
Roteiro: Johnny Byrne
Elenco: Peter Davison, Sarah Sutton, Janet Fielding, Leonard Sachs, Elspet Gray, Michael Gough, Paul Jerricho, Max Harvey, Colin Baker, Ian Collier, Neil Daglish, John D. Collins, Alastair Cumming, Andrew Boxer
Audiência média: 7,15 milhões
4 episódios (exibidos entre 03 e 12 de janeiro de 1983)

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8 comentários

Rafael Lima 24 de dezembro de 2016 - 15:15

Gosto bastante de “Arc Of Infinity”, e acho que foi uma boa maneira de abrir a temporada comemorativa de vinte anos da série. Fiquei muito contente com as referências feitas a duas das minhas companheiras favoritas, Leela e Romana, ao longo do arco.

Claro, está longe de ser um arco perfeito. Tem algumas coincidências absurdas, como o fato de ser justamente o primo de uma ex companion que acaba caindo nas mãos do Omega, ou o fato de ser possível descobrir quem é o traidor em Gallufrey logo que ele aparece, mas nada que prejudique o resultado final do arco.

De fato, a Tegan voltou completamente renovada a série. Os exageros que prejudicaram a personagem foram corrigidos, e ela voltou como alguém que realmente gostamos de ver viajando com o Doutor. Passei a gostar muito da Australiana a partir daqui, já que começou a levar o “Brave Heart, Tegan” a sério, mas sem perder o ar de garota comum. Muitos Whovians podem querer a minha cabeça por isso, mas no fim da participação da Tegan na série, estava gostando mais dela do que da Sarah Jane. Pronto, falei. Hehehehe

Cara, gosto da participação da Nyssa nesse arco. Ela ainda é um pouco irritante, e nem pode sonhar em ter a evolução que a Tegan teve de uma temporada pra outra. Mas gosto da revolta dela pra cima dos Timelords e da tentativa de resgatar o Doutor.

A Big Finish fez uma espécie de “Season 19B” contando as aventuras do Doutor e Nyssa passada entre o período em que a dupla deixou Tegan em “Time Flight” até se reunirem de novo com ela aqui. Nunca escutei nada, mas dizem que a Comapnion é melhor desenvolvida lá.

Cara, eu gostei da sequência em que vemos Omega assumir o corpo do Quinto Doutor. Mantém uma certa tradição da Clássica em que o ator que interpreta o Doutor assume o papel de vilão (a esta altura quebrada somente por John Pertwee). E são essas cenas que me fazem ter pena do Omega. A simples alegria do vilão em redescobrir como é sorrir é comovente. Peter Davison mandou muito bem aqui.

PS 1: Enquanto Colin Baker faz a sua primeira aparição na série, Michael Gough faz o seu retorno depois de atazanar 1º Doutor como o Toymaker Celestial.

PS 2: Como este é o meu ultimo post antes do natal, gostaria de desejar a você @luizsantiago:disqus, e a todo o pessoal que faz o Plano Crítico um feliz natal.

Grande abraço!

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Luiz Santiago 24 de dezembro de 2016 - 18:11

Apesar das coincidências e tal, é muito bacana ver algumas coisas desse arco. Eu normalmente tenho arcos que se passa em Gallifrey em alta conta. Gosto da organização meio FDP desse planeta, de como os Time Lords podem ser injustos e corruptos e de como também existem pessoas nessa sociedade que são realmente boa. Essa construção é bem legal.

Tegan retorna de uma forma que me deixou bastante feliz. JAMAIS imaginaria que ela tivesse uma participação desse nível na série, mas olha, me impressionou. Só que fiquei MAIS impressionado com a sua declaração de que no final, gostou mais dela do que de Sarah Jane. Ah, agora to ansioso para ver como isso vai se seguir.

Sobre a Temporada 19b, sim, é verdade, são 15 aventuras, das quais tenho crítica para as 3 últimas, que é quando o trio entra no E-Space e que marca o filme dessa nova fase de Nyssa com o Doutor… Vou deixar aqui o link, caso queira passar por lá: https://www.planocritico.com/critica-trilogia-o-5o-doutor-retorna-ao-e-space-big-finish-mensal-195-a-197/

E quero também desejar a você um FELIZ NATAL!!! Excelente ceia para você e sua família!

Responder
Rafael Lima 25 de dezembro de 2016 - 11:35

Também gosto dos arcos de Gallifrey exatamente por estas questões que você colocou. Eles sempre tem essa vibe de mostrar essa sociedade corrupta FDP onde os poderosos ajustam a verdade a seus interesses, enquanto alguns poucos tentam fazer a coisa certa. Não é de se admirar que o Doutor em sua encarnação Guerra tenha pensado mesmo por um segundo em explodir tudo. Hehehe

Li a sua crítica. Não conhecia essa aventura de retorno ao E Space. Mas acho que ela não se encaixa na Temporada 19B que eu citei, pois pelo que li da sua resenha, já é quando a Tegan tinha retornado e o Turlough já havia se juntado a Equipe da Tardis. Inclusive a Nyssa dessa história já é uma Nyssa pós partida da Tardis, sendo mais velha e tudo, não?

Responder
Rafael Lima 25 de dezembro de 2016 - 11:35

Também gosto dos arcos de Gallifrey exatamente por estas questões que você colocou. Eles sempre tem essa vibe de mostrar essa sociedade corrupta FDP onde os poderosos ajustam a verdade a seus interesses, enquanto alguns poucos tentam fazer a coisa certa. Não é de se admirar que o Doutor em sua encarnação Guerra tenha pensado mesmo por um segundo em explodir tudo. Hehehe

Li a sua crítica. Não conhecia essa aventura de retorno ao E Space. Mas acho que ela não se encaixa na Temporada 19B que eu citei, pois pelo que li da sua resenha, já é quando a Tegan tinha retornado e o Turlough já havia se juntado a Equipe da Tardis. Inclusive a Nyssa dessa história já é uma Nyssa pós partida da Tardis, sendo mais velha e tudo, não?

Responder
Luiz Santiago 25 de dezembro de 2016 - 15:09

AAAAAaaahhh eu acabei indicando a coisa errada, troquei as bolas sorry. Essa “temporada expandida” que eu citei acontece entre Enlightenment e The King’s Demons. É uma pequena sequência dentro da 20ª Temporada.

A que você está falando é bem maior que essa que eu citei. Sim, sim, é um turbilhão de aventuras, tem livro, conto áudio, tem tudo, entre esses dois momentos. Eu tenho apenas crítica de alguns áudios dessa fase, mas tem MUITO mais do que isso:

1 – The Land of the Dead: https://www.planocritico.com/critica-doctor-who-big-finish-main-range-4-a-6/

2 – Winter for the Adept: https://www.planocritico.com/critica-doctor-who-big-finish-mensal-8-a-10/

3 – The Mutant Phase (esse é, na verdade, parte da saga “Império Dalek”): https://www.planocritico.com/critica-dalek-empire-big-finish-arco-em-4-partes/

Agora estou vendo que fazer a linha do tempo do 5º Doutor dará mais do que eu esperava.

Responder
Luiz Santiago 25 de dezembro de 2016 - 15:09

AAAAAaaahhh eu acabei indicando a coisa errada, troquei as bolas sorry. Essa “temporada expandida” que eu citei acontece entre Enlightenment e The King’s Demons. É uma pequena sequência dentro da 20ª Temporada.

A que você está falando é bem maior que essa que eu citei. Sim, sim, é um turbilhão de aventuras, tem livro, conto áudio, tem tudo, entre esses dois momentos. Eu tenho apenas crítica de alguns áudios dessa fase, mas tem MUITO mais do que isso:

1 – The Land of the Dead: https://www.planocritico.com/critica-doctor-who-big-finish-main-range-4-a-6/

2 – Winter for the Adept: https://www.planocritico.com/critica-doctor-who-big-finish-mensal-8-a-10/

3 – The Mutant Phase (esse é, na verdade, parte da saga “Império Dalek”): https://www.planocritico.com/critica-dalek-empire-big-finish-arco-em-4-partes/

Agora estou vendo que fazer a linha do tempo do 5º Doutor dará mais do que eu esperava.

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Luiz Santiago 24 de dezembro de 2016 - 18:11

Apesar das coincidências e tal, é muito bacana ver algumas coisas desse arco. Eu normalmente tenho arcos que se passa em Gallifrey em alta conta. Gosto da organização meio FDP desse planeta, de como os Time Lords podem ser injustos e corruptos e de como também existem pessoas nessa sociedade que são realmente boa. Essa construção é bem legal.

Tegan retorna de uma forma que me deixou bastante feliz. JAMAIS imaginaria que ela tivesse uma participação desse nível na série, mas olha, me impressionou. Só que fiquei MAIS impressionado com a sua declaração de que no final, gostou mais dela do que de Sarah Jane. Ah, agora to ansioso para ver como isso vai se seguir.

Sobre a Temporada 19b, sim, é verdade, são 15 aventuras, das quais tenho crítica para as 3 últimas, que é quando o trio entra no E-Space e que marca o filme dessa nova fase de Nyssa com o Doutor… Vou deixar aqui o link, caso queira passar por lá: https://www.planocritico.com/critica-trilogia-o-5o-doutor-retorna-ao-e-space-big-finish-mensal-195-a-197/

E quero também desejar a você um FELIZ NATAL!!! Excelente ceia para você e sua família!

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Rafael Lima 24 de dezembro de 2016 - 15:15

Gosto bastante de “Arc Of Infinity”, e acho que foi uma boa maneira de abrir a temporada comemorativa de vinte anos da série. Fiquei muito contente com as referências feitas a duas das minhas companheiras favoritas, Leela e Romana, ao longo do arco.

Claro, está longe de ser um arco perfeito. Tem algumas coincidências absurdas, como o fato de ser justamente o primo de uma ex companion que acaba caindo nas mãos do Omega, ou o fato de ser possível descobrir quem é o traidor em Gallufrey logo que ele aparece, mas nada que prejudique o resultado final do arco.

De fato, a Tegan voltou completamente renovada a série. Os exageros que prejudicaram a personagem foram corrigidos, e ela voltou como alguém que realmente gostamos de ver viajando com o Doutor. Passei a gostar muito da Australiana a partir daqui, já que começou a levar o “Brave Heart, Tegan” a sério, mas sem perder o ar de garota comum. Muitos Whovians podem querer a minha cabeça por isso, mas no fim da participação da Tegan na série, estava gostando mais dela do que da Sarah Jane. Pronto, falei. Hehehehe

Cara, gosto da participação da Nyssa nesse arco. Ela ainda é um pouco irritante, e nem pode sonhar em ter a evolução que a Tegan teve de uma temporada pra outra. Mas gosto da revolta dela pra cima dos Timelords e da tentativa de resgatar o Doutor.

A Big Finish fez uma espécie de “Season 19B” contando as aventuras do Doutor e Nyssa passada entre o período em que a dupla deixou Tegan em “Time Flight” até se reunirem de novo com ela aqui. Nunca escutei nada, mas dizem que a Comapnion é melhor desenvolvida lá.

Cara, eu gostei da sequência em que vemos Omega assumir o corpo do Quinto Doutor. Mantém uma certa tradição da Clássica em que o ator que interpreta o Doutor assume o papel de vilão (a esta altura quebrada somente por John Pertwee). E são essas cenas que me fazem ter pena do Omega. A simples alegria do vilão em redescobrir como é sorrir é comovente. Peter Davison mandou muito bem aqui.

PS 1: Enquanto Colin Baker faz a sua primeira aparição na série, Michael Gough faz o seu retorno depois de atazanar 1º Doutor como o Toymaker Celestial.

PS 2: Como este é o meu ultimo post antes do natal, gostaria de desejar a você @luizsantiago:disqus, e a todo o pessoal que faz o Plano Crítico um feliz natal.

Grande abraço!

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