Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Death to the Daleks (Arco #72)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Death to the Daleks (Arco #72)

por Luiz Santiago
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estrelas 3

__ Now the Universe has only six hundred and ninety-nine Wonders.

Equipe: 3º Doutor, Sarah Jane Smith
Espaço: Planeta Exxilon
Tempo: 2600

Jon Pertwee não gostava muito dos Daleks. Isso é facilmente perceptível quando vemos os encontros do 3º Doutor com essas criaturas e atentamos para a forma quase indiferente, meio blasé, com que ele as encarava e lutava contra elas. Diferente de suas encarnações anteriores, que visivelmente temiam e se assustavam com a possibilidade de deparar-se com esses guerreiros de Skaro, o 3º Doutor os via apenas como uma “ameaça comum”, embora potente e traiçoeira, visão que, mesmo sem querer, acabou se ornando a base de Death to the Daleks, o antepenúltimo arco da 11ª Temporada de Doctor Who e também da Era do 3º Doutor.

Inicialmente a história não traria os Daleks, mas o produtor Barry Letts queria aproveitar o hype dessas criaturas e pediu para que o roteirista Terry Nation (ninguém melhor para escrever em caráter de urgência sobre Daleks, não é mesmo?) os adicionasse à trama. O resultado é um arco sem o enorme peso e planos malignos a longo prazo que os Daleks costumavam ter na Série Clássica. O próprio Planeta Exxilon, a serpente mecânica, a Grande Cidade dos Exxilons e os soldados da Marine Space Corps acabam tendo maior ou igual papel de importância na história, uma abordagem bem incomum, convenhamos.

Essa forma abordagem trouxe, ao mesmo tempo, um grande benefício e um grande malefício para o arco. O primeiro foi a preparação de um ambiente rico em coisas para explorar. Mas explorar de verdade, não apenas andar a esmo por regiões inóspitas esperando que alguma coisa acontecesse. Aqui, o Doutor e um do Exxilons vão à Grande Cidade e passam por provas, labirintos e empecilhos para chegarem até a sala de controle, onde podem mudar o destino da civilização local e consertar a perda de energia das naves e outros dispositivos, problema que afeitou a TARDIS quando o Doutor e Sarah passavam pelo vórtex local, preparando-se para um pequeno período de descanso no lendário e belo Planeta Florana.

O segundo elemento da abordagem, a parte ruim, é que mesmo apresentando um bom nível de riqueza no ambiente, as criaturas, a cidade, os Daleks, a serpente de metal, tudo nas mãos de Terry Nation precisa ganhar um aspecto grandioso, épico e esse exagero, atrelado aos “[d]efeitos B” da época, possui um papel de diminuição de qualidade geral porque simplesmente não consegue atender a tanta pretensão e sonhos de grandeza do roteirista.

Nessa segunda linha também temos tramas individuais ou de grupos que não se sustentam muito. É estranho vemos tanta atenção dada ao problema-raiz do Exxilons, o pequeno motim dos humanos da Marine Space Corps (que estão em Exxilon à procura de um raro metal chamado Parrinium) e a forma pouco inteligente como a relação dos Daleks com o restante dos personagens acontece. Pode até parecer contraditório esses dois lados da moeda que apresentei, mas é exatamente assim que me sinto em relação ao arco, por vezes olhando para uma sequência, uma cena ou um diálogo bom na tela e logo em seguida, para coisas que quase destroem tudo de interessante que foi visto antes.

O final de Death to the Daleks faz valer o título e cria uma pequena “jornada de herói”, levando-nos a uma pequena lição de moral. O problema da energia é resolvido e o espectador torce para ver os novos preparativos do Doutor e Sarah, com bola de praia e as boias, a caminho de Florana, mas isso infelizmente não acontece. Há apenas uma grande cidade viva sendo destruída e o Universo perdendo a sua 700ª Maravilha. Um final trágico, se pararmos para pensar que não é só os Daleks que morrem na aventura, mas também um Patrimônio Universal.

Death to the Daleks (Arco #72) — 11ª Temporada
Direção: Michael E Briant
Roteiro: Terry Nation
Elenco: Jon Pertwee, Elisabeth Sladen, Duncan Lamont, Julian Fox, Joy Harrison, Arnold Yarrow

Audiência média: 9,40 milhões

4 episódios (exibidos entre 23 de fevereiro e 16 de março de 1974)

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7 comentários

Rafael Lima 9 de janeiro de 2017 - 14:37

Curiosamente, acho “Death to The Daleks”, a melhor história Dalek da era do 3º Doutor. Talvez por não carregar o peso de ser uma sequência de histórias clássicas da era preto e branco, como foi o caso de “Day Of The Daleks” (que funcionava como sequência/prequel de “Dalek Invasion On Earth”) e “Planet Of The Daleks” (que funcionava como sequência de “The Daleks”), e assim funcionar melhor com esse ar mais blasé com que o Terceiro Doutor do Pertwee encarava os Daleks

Mas acho que o que achei mais divertido e interessante neste arco é vermos as criaturas se tornarem indefesas em primeira instância, e pela primeira vez ter que forjar uma aliança com o Doutor. Uma abordagem bastante inusitada para essas criaturas na época. Além disso, achei bastante criativo o jeito que os pimenteiros favoritos de nós Whovians conseguem e armar de novo. E confesso que levei um segundo ou dois pra acreditar que os Daleks guardam miniaturas da TARDIS pra treinar tiro ao alvo. Hehehe.

Gosto também da direção de arte do arco quando eles não estão na típica pedreira. Hehehe. A cidade do Planeta Exxilon é bem feita para os padrões de Doctor Who na época, e todo o esquema de armadilhas e enigmas que protegem a cidade é bem explorado.

No geral, concordo com a resenha. É um arco divertido, mas bem esquecível. Ainda acho a melhor história Dalek na era do 3º Doutor, mas tendo em vista os outros dois arcos que disputam essa história, não quer dizer muita coisa.

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Luiz Santiago 9 de janeiro de 2017 - 18:04

De fato, esse capítulo na relação do Doutor com os saleiros de Skaro é interessante, mostra um ponto que vista que não tínhamos tido até então. E eu adoro a foma como o 3º Doutor trata os Daleks. Hahahahahaha

Pô, essa era tem histórias soberbas. A 7ª Temporada é a minha favorita dessa era. Simplesmente amo o conjunto! E Inferno… ah… Inferno é uma história inesquecível. Já vi 3 vezes! hahahahhahahaha

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Rafael Lima 9 de janeiro de 2017 - 20:22

Com certeza. A era do 3º Doutor tem arcos fantásticos. É um dos meus períodos favoritos da série. Simplesmente adoro a dinâmica da “Família UNIT” durante este período de DW. E “Inferno” é simplesmente um clássico.

Eu estava me referindo especificamente aos “Arcos Daleks” deste período. Não foi a melhor das épocas para os Daleks ao meu ver. O Nation escrevia uns arcos de caráter um pouco megalomaníaco, mas nem o John Pertwee e nem o Barry Letts pareciam levar os saleiros muito a sério, ai as histórias Daleks do Terceiro Doutor sempre tinham um tom meio confuso, ao meu ver.

(Detalhe, não estou contando aqui “Frontier In Space” onde os Daleks fazem uma curta participação, pois não considero esse um típico “Arco Dalek”)

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Luiz Santiago 9 de janeiro de 2017 - 21:22

Entendi seu ponto. E você tem razão. O mais curioso é que o 3º Doutor, que nunca levou os Daleks a sério, nunca enfrentou — ao menos no seu período corrente — os Cybermen. Na TV, só vemos ele em contato com esses caras lá em The Five Doctors. Talvez fosse preciso colocar de lado os dois grandes vilões da série até o momento para trazer um outro grande vilão. hehehe

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Luiz Santiago 9 de janeiro de 2017 - 21:22

Entendi seu ponto. E você tem razão. O mais curioso é que o 3º Doutor, que nunca levou os Daleks a sério, nunca enfrentou — ao menos no seu período corrente — os Cybermen. Na TV, só vemos ele em contato com esses caras lá em The Five Doctors. Talvez fosse preciso colocar de lado os dois grandes vilões da série até o momento para trazer um outro grande vilão. hehehe

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Augusto 3 de agosto de 2015 - 23:10

O arco que eu menos gosto do Pertwee, achei péssimo mesmo, está entre os piores arcos de toda série.

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Luiz Santiago 4 de agosto de 2015 - 09:46

Eu achei meio fraquinho, mas acabei gostando dele como um todo. Não vai estar na minha lista de favoritos, claro, mas não achei um dos piores não…

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