Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Enlightenment (Arco #127)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Enlightenment (Arco #127)

por Luiz Santiago
99 views (a partir de agosto de 2020)

enlightment-doctor-who-plano-critico

estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: TARDIS / Navio eduardiano dos Eternals, Sistema Solar
Tempo: Indeterminado

Quando chegamos ao final de Enlightenment, respiramos aliviados só em pensar que nunca mais veremos Turlough segurando um cristal dimensional nas mãos e, de forma patética, chamando o Black Guardian para ajudá-lo. Aliás, o companion tem aqui uma das maiores idas e vindas de composição dramática da série até o momento. No início, ele está jogando xadrez com Tegan, que não parece nada interessada, e apesar de sua postura desleixada com tudo em volta, se apresenta como alguém interessante. Depois, ele assume a carapuça egoísta, avarenta e covarde para, no fim, dar voz ao fato de que ele estava gostando de viajar com o Doutor. Quem bom. Menos um problema desnecessário para a série resolver.

Baseado na lenda do Holandês Voador, com referências visuais de “navios voadores” vindas de um terrível filme japonês chamado Mensagem do Espaço (1978) e óbvias citações ao conto Sunjammer ou The Wind from the Sun (1964), de Arthur C. Clarke, este arco é o único de toda a Série Clássica a ter duas mulheres nos postos técnicos principais: Barbara Clegg, como roteirista e Fiona Cumming (de Castrovalva e Snakedance) como diretora.

A mistura de tecnologia avançada e cenários ou objetos de séculos anteriores (a Era Eduardiana, ou seja, o período entre 1901 e 1910, no Reino Unido, é citada) dá um sabor Steampunk ao arco, que funciona muito bem sob esse aspecto. Quando o Doutor e seus companheiros chegam ao navio dos Eternals e vai descobrindo mais sobre aquele lugar, é quase impossível não esperar com ansiedade pelo próximo passo. Ao notarmos que o Black Guardian e o White Guardian também estão envolvidos na trama, toda a corrida acaba tendo um significado ainda maior e melhor.

Tegan está praticamente outra pessoa aqui. Seus questionamentos bobos foram enxugados ao máximo e ela demonstra mais preocupação e reações humanamente compreensíveis, como sentir enjoo ou querer ficar sozinha durante a viagem, do que qualquer outra bobagem mimada que já tenham escrito para ela antes. Penso que o fato de haver uma mulher escrevendo o roteiro fez toda a diferença, e isso também é perceptível quando observamos o tipo de vilã que a Capitã Wrack é.

Embora o trabalho de direção de arte seja muito bom, a direção se aproveita pouco dele, focando mais na perseguição e detalhes menores dentro do navio/nave dos Eternals ou mostrando o espaço com terríveis efeitos, do que colocando o Doutor, Tegan e Turlough melhor conectados com esses espaços. A situação muda quando eles vão para o navio/nave da Capitã Wrack, lugar onde o espaço é devidamente ligado à narrativa. Bem que o Doutor e principalmente Turlough poderiam usar uma roupa diferente nesse arco para se misturarem melhor e aderirem às boas mudanças de conceito!

A fotografia explora uma paleta de cores amadeiradas e funciona muito melhor nas cenas internas. Exceto pelo ponto final da corrida, o lugar onde o vencedor receberia a Iluminação, não gostei de nenhuma cena no espaço. Apenas a ideia do que estava acontecendo + um bom drama de caráter claustrofóbico funcionariam melhor. De todo modo, o que temos aqui não é um drama ruim, muito pelo contrário. O trabalho visual externo não é dos melhores, mas qualquer whovian que se preze consegue contextualizar isso rapidamente, mesmo admitindo a má qualidade de tais efeitos.

O final, com Turlough liberto e pedindo para ser levado até o seu planeta é uma boa surpresa. Sem mais cristais, sem mais cara de desespero e, enfim, detalhes sobre a terra natal desse curioso e progressivamente interessante companion dão as caras. Só que essa ida para o planeta de Turlough ainda demoraria um pouco para acontecer… não viria logo em seguida não.

Enlightenment (Arco #127) — 20ª Temporada
Direção: Fiona Cumming
Roteiro: Barbara Clegg
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Keith Barron, Valentine Dyall, Cyril Luckham, Christopher Brown, Clive Kneller, James McClure, Tony Caunter,Lynda Baron, Leee John
Audiência média: 6,83 milhões
4 episódios (exibidos entre 1º e 9 de março de 1983)

Você Também pode curtir

6 comentários

Rafael Lima 6 de janeiro de 2017 - 09:43

Concordo plenamente com a resenha. Dá um alívio quando o arco chega ao fim, pois aqueles gritos patéticos do Turlough para o Guardião Negro não dá pra querer. Sinto que quando planejou a “Black Guardian Trilogy”, o Nathan Turner teve uma ideia muito boa que era colocar o Doutor e o Guardião disputando a alma do Companheiro, por assim dizer.

Não sei se concorda @luizsantiago:disqus , mas no final o Doutor não parece nem um pouco surpreso com a traição do Turlough, o que reforça a minha teoria que o Timelord sempre soube (ou ao menos desconfiava) que Turlough estava na Tardis com intenções ocultas (e gosto do fato do arco nunca confirmar ou negar tal teoria). Infelizmente, a execução dessa ideia do Turner é bem ruim, e os trechos dedicados ao mote principal dessa trilogia acabam sendo justamente os piores.

Cara, não sei se concordo com a questão do figurino do Doutor. Na minha opinião, nunca vi essa encarnação do Timelord tão a vontade e integrado ao ambiente quanto nas cenas passadas a bordo do “Navio” eduardiano. Claro, a coisa muda um pouco de figura quando eles vão para o navio do Capitã Wrack, mas acho o contraste interessante aqui.

Essa é uma boa história para a Tegan mesmo. De fato, vemos aqui a companion relaxar e se soltar um pouco, deixando um pouco de lado a sua personalidade mais estressada (mesmo que sofrendo de enjoo. Hehehe).Além disso, toda a subtrama envolvendo a paixão do Eternal por ela expõe um lado bem empático da australiana que foi legal de ver.

E de fato, esse é um arco que tem uma ambição visual bem grande para os padrões da série. Mas como você bem disse, o orçamento não chega a validar essa ambição.

Responder
Luiz Santiago 6 de janeiro de 2017 - 14:26

Aquela paixão do Eternal me surpreendeu de um jeito que eu não sei medir direito. Foi uma forma “estranha” ou “diferente” de ver esse tipo de postura para uma criatura tão “gloriosa” quanto um Eternal. E Tegan está mesmo bem. Pena que isso não duraria muito tempo…

Sim, eu concordo sobre a relação do Doutor com a “traição” do ruivo aqui. Ele leva isso na maior naturalidade, o que indica que já esperava, desconfiava ou sabia de algo do tipo. E para fazer a verdade Turlough nunca foi um cara “gente boooooooa”, não é? Acabei de ver Warriors of the Deep e a mesquinhez e egoísmo dele ali são perturbadores…

Responder
Luiz Santiago 6 de janeiro de 2017 - 14:26

Aquela paixão do Eternal me surpreendeu de um jeito que eu não sei medir direito. Foi uma forma “estranha” ou “diferente” de ver esse tipo de postura para uma criatura tão “gloriosa” quanto um Eternal. E Tegan está mesmo bem. Pena que isso não duraria muito tempo…

Sim, eu concordo sobre a relação do Doutor com a “traição” do ruivo aqui. Ele leva isso na maior naturalidade, o que indica que já esperava, desconfiava ou sabia de algo do tipo. E para fazer a verdade Turlough nunca foi um cara “gente boooooooa”, não é? Acabei de ver Warriors of the Deep e a mesquinhez e egoísmo dele ali são perturbadores…

Responder
Rafael Lima 6 de janeiro de 2017 - 21:09

Pois é. Sempre tive a impressão que queriam fazer do Turlough uma espécie de “bad boy companion”, mas nunca colou pra mim. Esse aspecto mais egoista dele só acabava o tornando desagradável na maioria das vezes

Responder
Luiz Santiago 6 de janeiro de 2017 - 22:34

Totalmente desagradável! Porque aquele figurino de estudante playboy nunca colou com a postura bad boy que ele supostamente deveria ter. Sem contar que ele é alien, combinaria muito mais um outro tipo de trama, né… Não sei se ainda é cedo, mas por enquanto, penso que ele foi uma aposta que meio que saiu dos eixos, em termos de perspectiva.

Responder
Rafael Lima 6 de janeiro de 2017 - 21:09

Pois é. Sempre tive a impressão que queriam fazer do Turlough uma espécie de “bad boy companion”, mas nunca colou pra mim. Esse aspecto mais egoista dele só acabava o tornando desagradável na maioria das vezes

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais