Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Horror of Fang Rock (Arco #92)

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Fang Rock
Tempo: 1902

Com este início de 15ª Temporada temos um novo capítulo no relacionamento entre Tom Baker e Louise Jameson, que passou da resistência do ator para um tratamento mais dócil para com sua companheira de trabalho, mesmo que ele não gostasse muito da personagem Leela, por achá-la “violenta demais” para os padrões da série. E também pelo fato de o ator alimentar o sonho de levar o programa sozinho por um tempo, desejo manifestado à produção da série desde o arco The Deadly Assassin.

É fato que a ideia de “estar sozinho” por um período nunca aconteceu, pelo menos nos arcos de TV, mas é interessante vemos como as histórias, a partir de The Deadly Assassin e The Face of Evil foram marcadas por uma maior separação interna entre o Doutor e seus companions, criando, muitas vezes, dois núcleos distintos de eventos ou dando funções para que cada um agisse por um bom número de cenas, em separado. Isso já era observado mais frenquentemente na era do 3º Doutor, mas do meio para o final da 14ª Temporada delineou-se ainda mais.

Tendo como base a estrutura dramática dos romances de assassinato e investigação, Terrance Dicks criou uma história que apresenta um medo bastante real para os personagens, além de diálogos fortes e personalidades bem distintas em cena. Não fosse o medíocre quarto episódio do arco, teríamos aqui uma aventura dentre as melhores da série, porque todos os ingredientes de medo (há nuances de terror na esteira de Drácula, ainda mais ressaltado pela presença de um personagem chamado Harker) e características históricas e culturais de uma época que se fazem presentes, muito bem equilibradas pelo diretor Paddy Russell, que nos entrega um excelente trabalho de dramaturgia, aproveitando-se do elenco impecável que tinha em mãos.

A sensação de claustrofobia é aumentada a cada episódio, tendo a névoa, as falhas de energia no farol de Fang Rock e as mortes violentas como “motores do medo” por assim dizer. Diferente de outras aventuras onde o Doutor e algum companion chegam a um lugar e são recebidos como suspeitos, presos ou alvejados, aqui a situação é bem diferente. Existe alguma desconfiança inicial, é claro, mas ela logo se dissipa e a ameaça externa ganha força e importância. A revelação do vilão, ao final, e a forma como o Doutor se livra dele é interessante e ao mesmo tempo chocante, especialmente porque foge à proposta inicial do produtor Graham Williams, que fazia a sua estreia à frente da série e tinha como tarefa especialmente ordenada pela diretoria da BBC para que a série diminuísse o grau de violência e obscuridade que foram marcantes no período gótico de Philip Hinchcliffe.

O mais interessante ainda é o fato de que o alien vai eliminando um a um dos presentes no farol como parte de uma experiência macabra antes da dominação do planeta. A guerra contra os Sontarans é citada e a Via Láctea (e a Terra, principalmente) é vista como um importante ponto estratégico. Poucas vezes uma invasão se mostrou tão orgânica na Série Clássica, especialmente ao se tratar de um vilão com aparência e modus operandi estranhos. Como já citei anteriormente, o final da história e a exposição um tanto ridícula desse alien (o Rutan) estraga um pouco a boa linha dramática, mas nada muito grave. E recitando versos do poema Flannan Isle, de Wilfrid Wilson Gibson, o Doutor e Leela partem deixando o local livre de uma de suas lendas, a Besta de Fang Rock. Começava uma nova temporada, uma nova era de produção e mais um novo momento de criações e mudanças para Doctor Who.

Horror of Fang Rock (Arco #92) — 15ª Temporada – Season Premiere
Direção: Paddy Russell
Roteiro: Terrance Dicks
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Colin Douglas, Ralph Watson, Rio Fanning, John Abbott, Sean Caffrey, Alan Rowe, Annette Woollett

Audiência média: 8,40 milhões

4 episódios (exibidos entre 3 e 24 de setembro de 1977)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.