Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Horror of Fang Rock (Arco #92)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Horror of Fang Rock (Arco #92)

por Luiz Santiago
79 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Equipe: 4º Doutor, Leela
Espaço: Fang Rock
Tempo: 1902

Com este início de 15ª Temporada temos um novo capítulo no relacionamento entre Tom Baker e Louise Jameson, que passou da resistência do ator para um tratamento mais dócil para com sua companheira de trabalho, mesmo que ele não gostasse muito da personagem Leela, por achá-la “violenta demais” para os padrões da série. E também pelo fato de o ator alimentar o sonho de levar o programa sozinho por um tempo, desejo manifestado à produção da série desde o arco The Deadly Assassin.

É fato que a ideia de “estar sozinho” por um período nunca aconteceu, pelo menos nos arcos de TV, mas é interessante vemos como as histórias, a partir de The Deadly Assassin e The Face of Evil foram marcadas por uma maior separação interna entre o Doutor e seus companions, criando, muitas vezes, dois núcleos distintos de eventos ou dando funções para que cada um agisse por um bom número de cenas, em separado. Isso já era observado mais frenquentemente na era do 3º Doutor, mas do meio para o final da 14ª Temporada delineou-se ainda mais.

Tendo como base a estrutura dramática dos romances de assassinato e investigação, Terrance Dicks criou uma história que apresenta um medo bastante real para os personagens, além de diálogos fortes e personalidades bem distintas em cena. Não fosse o medíocre quarto episódio do arco, teríamos aqui uma aventura dentre as melhores da série, porque todos os ingredientes de medo (há nuances de terror na esteira de Drácula, ainda mais ressaltado pela presença de um personagem chamado Harker) e características históricas e culturais de uma época que se fazem presentes, muito bem equilibradas pelo diretor Paddy Russell, que nos entrega um excelente trabalho de dramaturgia, aproveitando-se do elenco impecável que tinha em mãos.

A sensação de claustrofobia é aumentada a cada episódio, tendo a névoa, as falhas de energia no farol de Fang Rock e as mortes violentas como “motores do medo” por assim dizer. Diferente de outras aventuras onde o Doutor e algum companion chegam a um lugar e são recebidos como suspeitos, presos ou alvejados, aqui a situação é bem diferente. Existe alguma desconfiança inicial, é claro, mas ela logo se dissipa e a ameaça externa ganha força e importância. A revelação do vilão, ao final, e a forma como o Doutor se livra dele é interessante e ao mesmo tempo chocante, especialmente porque foge à proposta inicial do produtor Graham Williams, que fazia a sua estreia à frente da série e tinha como tarefa especialmente ordenada pela diretoria da BBC para que a série diminuísse o grau de violência e obscuridade que foram marcantes no período gótico de Philip Hinchcliffe.

O mais interessante ainda é o fato de que o alien vai eliminando um a um dos presentes no farol como parte de uma experiência macabra antes da dominação do planeta. A guerra contra os Sontarans é citada e a Via Láctea (e a Terra, principalmente) é vista como um importante ponto estratégico. Poucas vezes uma invasão se mostrou tão orgânica na Série Clássica, especialmente ao se tratar de um vilão com aparência e modus operandi estranhos. Como já citei anteriormente, o final da história e a exposição um tanto ridícula desse alien (o Rutan) estraga um pouco a boa linha dramática, mas nada muito grave. E recitando versos do poema Flannan Isle, de Wilfrid Wilson Gibson, o Doutor e Leela partem deixando o local livre de uma de suas lendas, a Besta de Fang Rock. Começava uma nova temporada, uma nova era de produção e mais um novo momento de criações e mudanças para Doctor Who.

Horror of Fang Rock (Arco #92) — 15ª Temporada – Season Premiere
Direção: Paddy Russell
Roteiro: Terrance Dicks
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, Colin Douglas, Ralph Watson, Rio Fanning, John Abbott, Sean Caffrey, Alan Rowe, Annette Woollett

Audiência média: 8,40 milhões

4 episódios (exibidos entre 3 e 24 de setembro de 1977)

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13 comentários

Miloy Why Not 25 de setembro de 2017 - 10:58

Já terminei a 14ª temporada do 4º Doctah.
Por favor, ajudem-me a conseguir os arcos restantes do 4º e o primeiro do 5º.
No UniversoWho não está completo.
Ouço muito falar da Romana e eu pretendo muito conhece-la. Por Favor.

Responder
Luiz Santiago 25 de setembro de 2017 - 16:19

Os torrents você até encontra mais fácil na internet, mas não tem legenda não.

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Miloy Why Not 27 de setembro de 2017 - 06:23

O que devo fazer quanto às legendas???

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Luiz Santiago 27 de setembro de 2017 - 06:33

Não tem o que fazer, na verdade. Se você fala bem inglês, pode ver o episódio sem legendas mesmo. Se lê bem em inglês, pode pegar as legendas no Open Subtitles. Lá tem as versões no idioma original. Caso contrário, é esperar os legendadores Pt-Br terminarem um projeto de arco pra você poder pegar a versão em português. A Clássica é bem inacessível por esse motivo.

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Miloy Why Not 27 de setembro de 2017 - 08:42

De qualquer modo, muito obrigado.
Outra coisa, nao consigo fazer download no torrent. talvez seja o Utorrent ou o Site. Voce tem um site e downloader para me indicar?

Luiz Santiago 27 de setembro de 2017 - 16:17

Eu não me lembro mais. Eu peguei uma indicação, há muito tempo, de um grupo do Facebook. Um fórum com um trrnt com todas as 26 temporadas, daí eu fui escolhendo para ir arco por arco. Mas foi no começo do meu Especial DW aqui no Plano Crítico, em 2013! Faz um tempão já. Sorry não poder ajudar.

Miloy Why Not 28 de setembro de 2017 - 07:53

Continuarei na luta, porém muito obrigado.

Rafael Lima 28 de setembro de 2017 - 23:56

Cara, no Daily Motion tinha todos os episódios com ótima qualidade (sem legenda). Não sei se ainda tem, mas vale dar uma checada.

Miloy Why Not 29 de setembro de 2017 - 07:36

Muito obrigado, mano. Vou lá ver.

Rafael Lima 15 de dezembro de 2016 - 23:39

Na minha opinião, “Horror Of Fang Rock” é a melhor história da era Philip Hinchcliffe, que como você bem disse, não faz parte da era Philip Hinchcliffe. Irônico vide a missão dada ao Graham Williams. Hehehe

Acho toda a construção de tensão dessa história genial. Me lembrou um pouco “O Enigma do Outro Mundo” do Carpenter.

É uma história muito boa tanto pro 4º Doutor quanto pra Companion. É raro ver o 4º Doutor assustado, mas aqui os vilões se tornam tão ameaçadores por que sentimos o medo do Timelord, pelo menos até ele perceber com o que está lidando.Baita trabalho do Big Tom.

Ao mesmo tempo, ele não perde o bom humor. Adoro ele dando a notícia ao pessoal do farol “Senhores, o farol está sob ataque e ao amanhecer é provável que todos nós estejamos mortos. Alguém interessado?” Hehehe. Aqueles cartões que a Clara fez pro Doutor do Capaldi não fariam mal ao 4º Doutor.

Mas a Leela é ainda mais sangue frio. Gosto de como o arco destava as qualidades únicas da Companion. Diferente da grande maioria dos companions, ela não se choca nem um pouco com a morte, pois de onde ela vem as pessoas morrem o tempo todo. De fato, o papéis chegam a se inverter com a garota dizendo pro Doutor não ter medo pois ela vai protege-lo. A cara do Doutor nesta cena é impagável.

Além disso, gosto dos pequenos toques que a história dá sobre a cultura e criação da caçadora, como o fato de ela voltar pra pegar o seu amado punhal, ou o fato de ela sem pestanejar pedir pro Doutor mata-la depois de achar que ficou cega.

Ao mesmo tempo, é bom ver como a convivência com o Doutor modificou a jovem guerreira. Afinal, percorremos um bom caminho da garota supersticiosa que acreditava no “Evil One” em “Face Of Evil” até a garota que “prefere ter fé na ciência” vista nesta história.

Enfim, acho “Horror Of Fang Rock” uma das melhores histórias dessa equipe da Tardis.

PS 1: Imagine como seria uma parceria entre a Leela e o 12º Doutor. A Tardis não suportaria tanta praticidade. Hehehehe

PS 2: Essa é meio a “história de regeneração” da Leela, né? Afinal, os olhos dela mudam de cor. Hehehe. Louise Jameson continuou linda igual com a cor natural dos olhos, mas acho que os olhos castanhos tinham mais a ver com a personagem.

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Rafael Lima 15 de dezembro de 2016 - 23:39

Na minha opinião, “Horror Of Fang Rock” é a melhor história da era Philip Hinchcliffe, que como você bem disse, não faz parte da era Philip Hinchcliffe. Irônico vide a missão dada ao Graham Williams. Hehehe

Acho toda a construção de tensão dessa história genial. Me lembrou um pouco “O Enigma do Outro Mundo” do Carpenter.

É uma história muito boa tanto pro 4º Doutor quanto pra Companion. É raro ver o 4º Doutor assustado, mas aqui os vilões se tornam tão ameaçadores por que sentimos o medo do Timelord, pelo menos até ele perceber com o que está lidando.Baita trabalho do Big Tom.

Ao mesmo tempo, ele não perde o bom humor. Adoro ele dando a notícia ao pessoal do farol “Senhores, o farol está sob ataque e ao amanhecer é provável que todos nós estejamos mortos. Alguém interessado?” Hehehe. Aqueles cartões que a Clara fez pro Doutor do Capaldi não fariam mal ao 4º Doutor.

Mas a Leela é ainda mais sangue frio. Gosto de como o arco destava as qualidades únicas da Companion. Diferente da grande maioria dos companions, ela não se choca nem um pouco com a morte, pois de onde ela vem as pessoas morrem o tempo todo. De fato, o papéis chegam a se inverter com a garota dizendo pro Doutor não ter medo pois ela vai protege-lo. A cara do Doutor nesta cena é impagável.

Além disso, gosto dos pequenos toques que a história dá sobre a cultura e criação da caçadora, como o fato de ela voltar pra pegar o seu amado punhal, ou o fato de ela sem pestanejar pedir pro Doutor mata-la depois de achar que ficou cega.

Ao mesmo tempo, é bom ver como a convivência com o Doutor modificou a jovem guerreira. Afinal, percorremos um bom caminho da garota supersticiosa que acreditava no “Evil One” em “Face Of Evil” até a garota que “prefere ter fé na ciência” vista nesta história.

Enfim, acho “Horror Of Fang Rock” uma das melhores histórias dessa equipe da Tardis.

PS 1: Imagine como seria uma parceria entre a Leela e o 12º Doutor. A Tardis não suportaria tanta praticidade. Hehehehe

PS 2: Essa é meio a “história de regeneração” da Leela, né? Afinal, os olhos dela mudam de cor. Hehehe. Louise Jameson continuou linda igual com a cor natural dos olhos, mas acho que os olhos castanhos tinham mais a ver com a personagem.

Responder
Luiz Santiago 16 de dezembro de 2016 - 01:56

Eu tenho um grande apreço por esta era da série e gosto da forma como as coisas são resolvidas. Tenho a impressão de que os planos do Tom Baker e a certa birra que tinha com a Louise Jameson — de quem se tornou grande amigo depois — foi se dissipando à medida que ele viu o quão interessante essa personagem é. Ela é uma das minhas favoritas ao lado do Doutor, juntamente com Sarah e Romana II.

Muito boa a lembrança de O Enigma do Outro Mundo!

Leela e o 12º Doutor. Oh, isso seria épico demais! Se ela sobreviveu à Time War, não sei como ficou o planeta em relação aos moradores antigos, seria muito bom que voltasse… Ela, Romana e Rani, que estão entre as minhas pedidas de retorno para a Nova Série…

Responder
Luiz Santiago 16 de dezembro de 2016 - 01:56

Eu tenho um grande apreço por esta era da série e gosto da forma como as coisas são resolvidas. Tenho a impressão de que os planos do Tom Baker e a certa birra que tinha com a Louise Jameson — de quem se tornou grande amigo depois — foi se dissipando à medida que ele viu o quão interessante essa personagem é. Ela é uma das minhas favoritas ao lado do Doutor, juntamente com Sarah e Romana II.

Muito boa a lembrança de O Enigma do Outro Mundo!

Leela e o 12º Doutor. Oh, isso seria épico demais! Se ela sobreviveu à Time War, não sei como ficou o planeta em relação aos moradores antigos, seria muito bom que voltasse… Ela, Romana e Rani, que estão entre as minhas pedidas de retorno para a Nova Série…

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