Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Pyramids of Mars (Arco #82)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Pyramids of Mars (Arco #82)

por Luiz Santiago
88 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith
Espaço: Reino Unido / Terra Alternativa / Marte
Tempo: 1911 / 1980 da Terra Alternativa

Na volta de Zeta Minor para a Terra dos anos 1970/1980, o Doutor se pega pensando sobre o seu atual trabalho como consultor da UNIT, iniciado em Spearhead From Space, logo após o seu exílio, e não parece muito contente ao perceber que está “preso” ao Brigadeiro. Pelo menos é assim que o Time Lord se sente. Apesar de não ser a primeira indicação disso desde Robot, é a primeira vez que esta encarnação do Doutor questiona o seu papel mais apegado à Terra e o seu “trabalho”. Tal descontentamento seria o motor para que ele se desligasse da instituição em The Seeds of Doom (desligamento não oficial, claro), abrindo as portas para um momento mais… familiar, digamos, na 14ª Temporada da série.

Escrito por Stephen Harris (um pseudônimo duplo que esconde os dois “reais” roteiristas do arco, Lewis Greifer e Robert Holmes) Pyramids of Mars retrata não só o início de um martelar na condição alienígena do Doutor como também mostra, mais uma vez, o seu amor pela Terra, pela vida, e o seu medo de certos seres super-poderosos. Misturando mitologia egípcia, especialmente os deuses Set (ou Sutekh, o Destruidor) e sua briga com Hórus; os filmes A Múmia (1959) e Sangue no Sarcófago da Múmia (1971) e o clássico tema do aprisionamento de Loki, emprestado da mitologia nórdica, os autores criaram uma aventura gótica que realmente dá um pouco de medo e diverte, além de contar com excelente trabalho de direção de arte e uma trilha sonora simplesmente perfeita.

O fato de estarmos no prédio da UNIT muitos anos antes da instituição existir dá ao cenário um significado todo especial. Todavia, a fotografia mais escurecida, os tons escuros de madeira e a arquitetura antiquada do prédio fazem com que nos esqueçamos das linhas e decorações simples dos militares. Aqui, o destaque é o macabro som do órgão, os efeitos especiais visualmente atrativos (mas ainda toscos) e uma história que, à primeira vista, não é diferente de outras tentativas de dominação da Terra que já vimos na série, mas na verdade, é diferente sim. A forte veia familiar, a dupla interpretação para a subtrama da “linha da vida” e o genuíno contexto de terror envolvendo a maldição das múmias egípcias mais o fato anacrônico de vermos múmias no Reino Unido e a colocação de Marte na história adicionam ainda mais camadas de complexidade ao roteiro, tornando-o um entretenimento ainda melhor.

Os momentos mais questionáveis do arco estão no início e no diálogo narrativo entre Set, em sua prisão, e seus servos aqui na Terra. Essas idas e vindas da montagem podem parecer cansativas para alguns espectadores, mas basta ter em mente que isso faz parte da dinâmica desse tipo de enredo, que fica mais fácil entender e aceitar a proposta.

Os episódios 3 e 4 são os melhores do arco, tanto em composição de cenários (aqui, a direção de arte traz muitos exemplos da cidade dos Exxilons, em Death to the Daleks, muito bem lembrada por Sarah) quanto no jogo entre o Doutor e o deus-entidade-alien que queria ser solto. Eu confesso que, ao final da busca do servo de Set pelo Olho de Hórus, eu estava com as mãos suadas de tensão. A aventura — pelo seu lado de horror, sci-fi– e fantasia/suspense — é realmente bem construída e bem amarrada. O arco traz ainda citações saudosas de Vicki e Victoria e uma piadinha maldosa de Sarah quando ouve o famoso nome da companion e não tem certeza de qual Victoria o Doutor estava falando…

Pyramids of Mars é uma história fenomenal.

Em tempo: aqui nós temos o mais selvagem debate sobre a datação dos eventos da UNIT em Doctor Who. Para maiores informações sobre a datação dos eventos e os esquemas de organização, leia a segunda parte da crítica de Spearhead From Space.

Pyramids of Mars (Arco #82) — 13ª Temporada
Direção: Paddy Russell
Roteiro: Stephen Harris
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Bernard Archard, Michael Sheard, Gabriel Woolf, Peter Copley, Michael Bilton, George Tovey, Peter Mayock, Nick Burnell, Melvyn Bedford, Kevin Selway

Audiência média: 10,72 milhões

4 episódios (exibidos entre 25 de outubro e 15 de maio de 1975)

Você Também pode curtir

4 comentários

Nathan 4 de novembro de 2015 - 18:37

Esse é um dos melhores arcos que já vi. Se explorassem mais essa ideia hj em dia de desmitificar coisas que doctor who faz, como trazer mitologias e tals, ia ser épico hehe

Responder
Luiz Santiago 4 de novembro de 2015 - 21:11

Verdade. Infelizmente deixaram mais o lado histórico (e até a precisão histórica, no último caso dos vikings que aparecerem na 9ª temporada)… Também acho que seria muito épico essas manipulações da história hoje.

Responder
Augusto 19 de outubro de 2015 - 21:45

Gosto bastante do arco, essa época de Tom Baker + Sarah Jane era fantástica. Eu acho espetacular como todo (ou quase) arco com o Robert Holmes no meio é muito bom.

Responder
Luiz Santiago 20 de outubro de 2015 - 01:13

E ainda por cima é uma delícia de assistir! E Sarah Jane é mesmo fenomenal!

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais