Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: State of Decay (Arco #112)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: State of Decay (Arco #112)

por Luiz Santiago
114 views (a partir de agosto de 2020)

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estrelas 2,5

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K-9 Mark II e Adric
Espaço: “Planeta Vampiro” (E-Space)
Saga: E-Space Trilogy
Tempo: Século 32

Pois vejam só para onde o Sr. John Nathan-Turner levou a série depois que assumiu como produtor executivo e mudou uma porção de elementos visuais por puro capricho, se esquecendo, como eu já havia levantado na crítica de Meglos, de investir no que realmente importava: tramas inovadoras e interessantes. Sua boa fase viria depois. Neste começo, não dá para defendê-lo…

State of Decay continua a saga dos tripulantes da TARDIS pelo E-Space, que chegam ao “planeta vampiro” e encontram uma estranha situação de servidão e decadência social que em pouco tempo deveria levar aquela civilização ao colapso. O roteiro de Terrance Dicks elenca muitos ingredientes góticos e faz uma soberba crítica social nos dois primeiros episódios, que funcionam igualmente bem em termos de diversão e suspense, separando o Doutor e Romana de Adric, que sai para explorar sozinho o local após ter se escondido na TARDIS ao final de Full Circle.

Se tivesse parado no episódio 2, State of Decay seria um arco maravilhoso. Mas então se seguem os episódios 3 e 4 e tudo o que o espectador consegue fazer é revirar os olhos para as tenebrosas atuações dos “Três Que Governam” (Aukon, Camilla, Zargo), com a péssima inclusão do Rei Vampiro refugiado no subsolo da Torre (na verdade, três naves batedoras da Terra juntas) e com o Doutor agindo nesse cenário com um plano que tenta juntar as peças do que ele conhece, acredita e sabe existir como lendas bizarras que não precisavam aparecer nesse momento da série. Particularmente gosto muito da mitologia de vampiros e sim, eles são muito bem-vindos em Doctor Who, mas não em um contexto desses.

Uma coisa não se pode negar, Terrance Dicks de fato fez uma enorme e valiosa pesquisa para poder escrever a história. Estão mais que óbvias as referências ao Conde Drácula (K9 cita o personagem), aos filmes O Beijo do Vampiro (1963) e O Circo do Vampiro (1972) e comportamentos típicos desse universo das sombras como assassinatos cruéis (aqui, até as crianças são sugadas), castelos assustadores, hipnose, morcegos, poderes cinéticos, moradores locais assustados alertando visitantes, etc. Pelo menos esses elementos garantem um pedaço da diversão do espectador que gosta e conhece bem o gênero, pois vai reconhecer as referências e entender, em parte, a intenção do roteirista e da produção do arco. Isso, porém, não é o bastante para aceitar um tipo de “ressurgimento de uma antiga Besta” como elemento válido para a história que falava de proibição de conhecimento ou de tecnologia e sociedade decadentes. É como se tivéssemos duas histórias em uma. Não tinha como dar certo. E sim, metade desse insucesso se deve à megalomania de John Nathan-Turner, o mais onisciente showrunner de toda a Série Clássica.

Mas o que mais me impressionou aqui foi a concepção para a personagem Camilla. Inspirada do romance de mesmo nome escrito por Sheridan Le Fanu, em 1872 (um marco da literatura gótica), a personagem, de clara inclinação homossexual, praticamente devora Romana com os olhos e insiste em sugar seu sangue, chegar perto dela, tocá-la. Na mesma linha, vemos quase toda a cartilha das vampiras [homoerotizadas] do diretor francês Jean Rollin representadas aqui. Mesmo vendo com extremo desagrado a atuação da atriz Rachel Davies e dos outros atores, inclusive Tom Baker, a partir do episódio 3, não posso deixar de laurear esses elementos de construção temática do roteiro. Quem dera eles estivessem em uma história melhor!

Ainda não temos aqui um panorama verdeiro do que pode ser Adric como companion. Parte das cenas dele são… paradas demais e não creio que essa representação seja de todo culpa do ator. Um bom diretor teria orientado uma abordagem levemente mais ativa, especialmente no final, quando o vemos praticamente recitar suas falas, tal qual um jogral mal ensaiado.

A tenebrosa ideia (e execução!) da nave que sobe e se finca no coração do Rei Vampiro é um desafio ao bom senso. Depois de ter visto TODOS os arcos produzidos pela série desde a sua estreia até o momento, eu posso afirmar que dentre as cinco coisas mais estúpidas e mal realizadas há, com certeza, esse plano do Doutor. E o mais bizarro é que ele, os governantes, Romana e Adric estavam na mesma câmara onde se escondia o bicho e não são sequer ameaçados pelo tremor, por nada. Não há praticamente nem rochas espatifadas! É nessa hora que eu sinto que fui injusto com The Web Planet (só que não. Dei esse exemplo apenas para pegar outra coisa péssima da série e fazer um comparativo…).

Com ótimo início (apenas episódios 1 e 2), boas referências vindas do cinema e da literatura góticas e um enorme potencial desperdiçado, State of Decay é de uma mediocridade lamentável. E isso é ainda mais assustador porque estamos falando do meio da temporada, a última do 4º Doutor, que certamente merecia um melhor ano final. Que saudades do produtor Graham Williams! Partimos agora para o desfecho da estadia do Time Lord e seus companions no E-Space. Vejamos o que Warriors’ Gate nos reserva.

State of Decay (Arco #112) — 18ª Temporada
Direção: Peter Moffatt
Roteiro: Terrance Dicks
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Matthew Waterhouse, Emrys James, Rachel Davies, William Lindsay, Clinton Greyn, Rhoda Lewis, Thane Bettany, Iain Rattray, Arthur Hewlett, Stacy Davies, Dean Allen, Stuart Fell, Stuart Blake
Audiência média: 5,22 milhões
4 episódios (exibidos entre 22 de novembro e 13 de dezembro de 1980)

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17 comentários

Bruno 8 de abril de 2021 - 06:51

O vilão Rei Vampiro é uma merda mesmo, mas eu adorei esse arco! Eu amo vampiros, amo uma bobagem trash, não tinha como não gostar dessa história aqui.

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Luiz Santiago 8 de abril de 2021 - 18:25

Nesse caso, juntou a fome com a vontade de comer, né, meu querido! HAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

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G. Hoffmann 22 de agosto de 2016 - 15:18

Outra coisa que achei interessante: eu ouvi a aventura especial do oitavo Doctor, “Zagreus”, antes de assistir a este arco. Nela os grandes vampiros são citados, e a guerra do Rassilon contra eles é apresentada no contexto da fundação da sociedade dos Time Lords. Sei que muitos fãs torcem o nariz, tanto pra “State of Decay” quanto pra “Zagreus”, mas eu particularmente curti demais entender melhor essa referência, e contextualizar melhor a magnitude da ameaça enfrentada nesse arco. Afinal de contas, se o décimo pode matar SATANÁS quebrando uns vasinhos, o quarto matar um inimigo que predata a fundação dos Time Lords com um foguete através do coração é até que bem crível, vá! ;P

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G. Hoffmann 22 de agosto de 2016 - 15:18

Outra coisa que achei interessante: eu ouvi a aventura especial do oitavo Doctor, “Zagreus”, antes de assistir a este arco. Nela os grandes vampiros são citados, e a guerra do Rassilon contra eles é apresentada no contexto da fundação da sociedade dos Time Lords. Sei que muitos fãs torcem o nariz, tanto pra “State of Decay” quanto pra “Zagreus”, mas eu particularmente curti demais entender melhor essa referência, e contextualizar melhor a magnitude da ameaça enfrentada nesse arco. Afinal de contas, se o décimo pode matar SATANÁS quebrando uns vasinhos, o quarto matar um inimigo que predata a fundação dos Time Lords com um foguete através do coração é até que bem crível, vá! ;P

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Luiz Santiago 24 de agosto de 2016 - 16:03

Eu morri de rir aqui com “quebrando uns vasinhos”. HAUHAUHAUAHUAHUAHU
Eu aina não ouvi Zagreus. Está na minha lista. Mas sei da fama dessa história. Fico feliz em saber que ela aborda de maneira mais ampla o contexto para esses monstros.

Responder
Luiz Santiago 24 de agosto de 2016 - 16:03

Eu morri de rir aqui com “quebrando uns vasinhos”. HAUHAUHAUAHUAHUAHU
Eu aina não ouvi Zagreus. Está na minha lista. Mas sei da fama dessa história. Fico feliz em saber que ela aborda de maneira mais ampla o contexto para esses monstros.

Responder
G. Hoffmann 22 de agosto de 2016 - 15:14

Cara, concordo com a maioria dos pontos desse review, se não com todos, menos um: mesmo levando em conta tudo que foi apresentado, eu simplesmente adorei este arco.
Estou acompanhando os arcos na ordem cronológica, e não me divertia e entusiasmava com uma história tanto assim desde City of Death!
Claro que isso é levando em conta que é um arco no qual os produtores “chutam o balde” da credibilidade, e no qual a galhofa é posta no centro (basta observar os vampiros da imagem que ilustra o review, hahahaha).

Eu gosto muito quando a série consegue não se levar a sério, e apresentar algo totalmente inusitado em cima de um lugar comum. Claro que neste arco estamos milhas aquém da genialidade do Delgado em “The Daemons”, mas eu comparo a diversão que tive nos dois arcos no sentido em que o fato de o Doctor estar enfrentando o possível ressurgimento de um mal ancestral serve de ocasião para galhofadas épicas, como o citado trio de vampiros e a nave sendo usada para perfurar o coração do vampiro gigantesco. É muito trash, executado de forma mequetrefe, mas acaba sendo algo que eu não gostaria de ver em nenhum outro lugar exceto em Doctor Who, eu acho. Hahahaha não sei se faz sentido?

Eu estava sentido falta desse lado assumidamente “trash” da série. Pelo menos foi algo que pareceu mais bem fechado, talvez pelo contraste com um plot bem construído pelo lendário Terrance Dicks, mas acredito que esse é o “trash” que vale a pena, ao contrário da galhofa “involuntária” de “The Creature From the Pit” ou “The Horns of Nimon”, por exemplo.

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G. Hoffmann 22 de agosto de 2016 - 15:14

Cara, concordo com a maioria dos pontos desse review, se não com todos, menos um: mesmo levando em conta tudo que foi apresentado, eu simplesmente adorei este arco.
Estou acompanhando os arcos na ordem cronológica, e não me divertia e entusiasmava com uma história tanto assim desde City of Death!
Claro que isso é levando em conta que é um arco no qual os produtores “chutam o balde” da credibilidade, e no qual a galhofa é posta no centro (basta observar os vampiros da imagem que ilustra o review, hahahaha).

Eu gosto muito quando a série consegue não se levar a sério, e apresentar algo totalmente inusitado em cima de um lugar comum. Claro que neste arco estamos milhas aquém da genialidade do Delgado em “The Daemons”, mas eu comparo a diversão que tive nos dois arcos no sentido em que o fato de o Doctor estar enfrentando o possível ressurgimento de um mal ancestral serve de ocasião para galhofadas épicas, como o citado trio de vampiros e a nave sendo usada para perfurar o coração do vampiro gigantesco. É muito trash, executado de forma mequetrefe, mas acaba sendo algo que eu não gostaria de ver em nenhum outro lugar exceto em Doctor Who, eu acho. Hahahaha não sei se faz sentido?

Eu estava sentido falta desse lado assumidamente “trash” da série. Pelo menos foi algo que pareceu mais bem fechado, talvez pelo contraste com um plot bem construído pelo lendário Terrance Dicks, mas acredito que esse é o “trash” que vale a pena, ao contrário da galhofa “involuntária” de “The Creature From the Pit” ou “The Horns of Nimon”, por exemplo.

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Luiz Santiago 24 de agosto de 2016 - 15:57

Eu confesso que também senti carinho pelo lado “B” das produções da série. Nas era do 1º e 2º Doutores, me diverti imensamente com algumas coisas, ao passo que me incomodava com outras, tudo dentro desse uso de absurdos para matar um certo vilão ou mesmo do próprio vilão como ameaça para o Doutor e seus companheiros.

Mas o bom, para mim, não é a aparição desses elementos, sabe? A forma como eles são executados, o período em que aparecem e o sentido que tem para o arco são mais importantes para mim. Eu não importaria se a série fosse inteirinha no estilo Ed Wood, desde que a trasheira tivesse razão de existir. E é daí que vem o meu incômodo com o plano final e com a parte final desse arco. O contraste com o ótimo início deixa o sentido muito frágil, quase inexistente… Por isso não conseguiu me animar nada com esse ponto, como você se animou. 🙂

Responder
Luiz Santiago 24 de agosto de 2016 - 15:57

Eu confesso que também senti carinho pelo lado “B” das produções da série. Nas era do 1º e 2º Doutores, me diverti imensamente com algumas coisas, ao passo que me incomodava com outras, tudo dentro desse uso de absurdos para matar um certo vilão ou mesmo do próprio vilão como ameaça para o Doutor e seus companheiros.

Mas o bom, para mim, não é a aparição desses elementos, sabe? A forma como eles são executados, o período em que aparecem e o sentido que tem para o arco são mais importantes para mim. Eu não importaria se a série fosse inteirinha no estilo Ed Wood, desde que a trasheira tivesse razão de existir. E é daí que vem o meu incômodo com o plano final e com a parte final desse arco. O contraste com o ótimo início deixa o sentido muito frágil, quase inexistente… Por isso não conseguiu me animar nada com esse ponto, como você se animou. 🙂

Responder
Lucas Gabriel 23 de julho de 2016 - 00:30

O CARA ESCULACHA MESMO, HEUHEUEHUEHUEHUEHUE
realmente não foi a melhor temporada do JNT, mas logopolis vinga a temporada na minha opinião, foi um fim merecido pro 4

Responder
Luiz Santiago 23 de julho de 2016 - 02:15

HAHAHAHAHAH, @disqus_5BHN6f6Avx:disqus, eu me irrito profundamente com o JNT pela postura “ditatorial” dele nesse começo, focando muito em cosias visuais, umas bobagenzinhas e orientando os roteiristas para escrever umas coisas que vou te contar, viu…

Mas cara, eu adoro os 2 primeiros episódios desse arco, como você viu. O que mata são os dois finais, que são péssimos.

Responder
Luiz Santiago 23 de julho de 2016 - 02:15

HAHAHAHAHAH, @disqus_5BHN6f6Avx:disqus, eu me irrito profundamente com o JNT pela postura “ditatorial” dele nesse começo, focando muito em cosias visuais, umas bobagenzinhas e orientando os roteiristas para escrever umas coisas que vou te contar, viu…

Mas cara, eu adoro os 2 primeiros episódios desse arco, como você viu. O que mata são os dois finais, que são péssimos.

Responder
Lucas Gabriel 23 de julho de 2016 - 00:30

O CARA ESCULACHA MESMO, HEUHEUEHUEHUEHUEHUE
realmente não foi a melhor temporada do JNT, mas logopolis vinga a temporada na minha opinião, foi um fim merecido pro 4

Responder
Guilherme Coral 22 de julho de 2016 - 15:45

Cara, não consigo parar de rir dessa imagem hahahahaha

Responder
Luiz Santiago 22 de julho de 2016 - 20:42

Pois é, meu velho. PIOR é assistir a esse povo atuando! Pela mãe do guarda!

Responder
Luiz Santiago 22 de julho de 2016 - 20:42

Pois é, meu velho. PIOR é assistir a esse povo atuando! Pela mãe do guarda!

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