Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Terror of the Zygons (Arco #80)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Terror of the Zygons (Arco #80)

por Luiz Santiago
120 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith, Harry Sullivan + Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton e UNIT.
Era: UNIT — Ano 8
Espaço:
 Escócia
Tempo: Anos 1970 (janeiro)

Alguns pontos de produção mais importantes de Terror of the Zygons podem ser vistos já no episódio de abertura, como o tratamento diferente dado à UNIT, o progressivo e exigente trabalho estético, aqui, visto na louvável direção de arte e desenho de produção para a nave dos vilões e para os próprios Zygons e a melhor construção do roteiro na finalização dos episódios, especialmente nos cliffhangers.

Depois dos 5 arcos da 12ª Temporada, a série passou a abrigar propostas ainda mais sombrias e de importância canônica mais relevantes para Doctor Who. Esta 13ª Temporada, que deveria começar com Planet of Evil e não Terror of the Zygons, inicialmente concebido para finalizar o ano anterior, é um exemplo de como tornar orgânica uma mudança de rumos para uma série do porte de DW. Se isto já havia ficado claro a partir dos primeiros arcos da era do 4º Doutor, Robot e The Ark in Space, é nesta temporada que a mudança se dá em todos os aspectos e não mais como um passo-a-passo, como tivéramos até Revenge of the Cybermen. É fato que ainda existiriam muitas semelhanças com momentos anteriores da série, mas isso se deu no aspecto canônico, não  na produção ou proposta das histórias.

Com raízes nos filmes Vampiros de Almas (1956) e A Vida Íntima de Sherlock Holmes (1970), o roteiro de Robert Banks Stewart coloca o Doutor, Sarah e Harry na Escócia, atendendo a um chamado do Brigadeiro. Inicialmente duvidando da urgência do chamado, o Doutor não demora a ser convencido de que tem um verdadeiro problema em mãos e acaba encontrando um novo vilão, os Zygons, mais uma criatura chamada Skarasen, um ciborgue reptiliano usado pelos metamorfos para conseguir dominar uma região e adaptá-la à sua sobrevivência. O grupo que vemos aqui caiu na Escócia em algum ponto do século XII e o Skarasen entrou para a cultura local como o Monstro do Lago Ness.

Se dermos um desconto para o tratamento estereotipado dos escoceses nesse arco, todas as relações humanas, aliens e a atmosfera do arco funcionam muito bem. Ou quase. É preciso ter muita paciência e boa vontade para aceitar o desnecessário Skarasen, que não acrescenta quase nada à história e que na verdade faz o enredo se tornar estranho. É justamente quando a criatura aparece que o arco começa a tropeçar, tanto pela representação barata e bagunçada do monstro quanto pela barra forçada que permite a sua integração no enredo. Não fosse o Skarasen, Terror of the Zygons com certeza estaria entre os melhores arcos da era do 4º Doutor, porque os Zygons, por si só, formam um conceito de terror e dominação tenebrosos e muito, muito interessantes. Sem contar a incrível nave aparentemente orgânica, lembrando a que vimos em The Claws of Axos, cuja exploração ao longo dos episódios é primorosa.

Aqui, Harry Sullivan se despede da TARDIS e do Doutor, mesmo sem parecer. Ao menos a despedida não é ingrata, mas pelo fato de não estar programada no escopo da temporada, foi distante, casual demais. O personagem apareceria mais uma vez, em The Android Invasion, mas dentro de um outro contexto e não como companion do Doutor. A partir daqui, o Time Lord e Sarah Jane viajariam sozinhos, até The Hand Of Fear, na temporada seguinte, quando a companion também se despediria.

Terror of the Zygons (Arco #80) — 13ª Temporada — Season Premiere
Direção: Douglas Camfield
Roteiro: Robert Banks Stewart
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ian Marter, John Woodnutt, Nicholas Courtney, John Levene, Lillias Walker, Robert Russell, Angus Lennie, Tony Sibbald, Hugh Martin, Bruce Wightman

Audiência média: 7,47 milhões

4 episódios (exibidos entre 30 de agosto e 30 de setembro de 1975)

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4 comentários

Rafael Lima 12 de dezembro de 2016 - 22:41

Como de hábito, muito boa resenha, levantando pontos bem importantes do arco. Afinal, aqui Hinchcliffe começa a botar as manguinhas de fora de vez, botando na mesa o que realmente queria fazer com a série. Pegue a sequência que o Harry/Zygon persegue a Sarah Jane no celeiro. Uma cena com uma pegada forte de horror e com um desfecho relativamente e brutal.

Sempre vi “Terror Of The Zygons” como uma espécie de bota fora da “Era UNIT”. Afinal, é o ultimo arco a contar com o Brigadeiro liderando a organização, já que a partir daqui ele só apareceria aposentado ou em “momentos de necessidade”. Harry (um dos companheiros mais chatos e sem função da série, na minha opinião) e forte elemento de ligação do Doutor com a UNIT deixa a Tardis, e o próprio Time Lord demonstra mais de uma vez que já não está mais disposto a ser um agente da UNIT.

Eu gosto deste arco, mas sinto que ele tinha potencial pra brincar mais com a questão “quem é humano, quem é Zygon”. E no fim, acho que os Zygons tem um péssimo plano de conquista. Sério que eles querem dominar o mundo com meia duzia de Zygons e um monstro marinho? Hehehe. Pelo menos a própria série parece reconhecer isso, com o Doutor apontando que os Zygons estão subestimando os humanos.

Outro ponto a ser observado é que com a nova série, esse arco ganha um novo contexto. Afinal, a Nova Serie diz que o planeta dos Zygons foi destruído na Time War. Significa que estamos vendo o 4º Doutor lidar com consequências da Guerra do Tempo antes que ela comece na linha do tempo dele? Hehehe

Responder
Luiz Santiago 13 de dezembro de 2016 - 01:13

Quando eles voltaram, no sensacional The Day of the Doctor, uma das primeiras coisas que passaram pela minha cabeça foi justamente esse significado maior que o arco ganha. E sim, é muito bom ver como essas eras acabam se mesclando e dando suporte uma à outra.

Eu sempre gostei MUITO da UNIT, então fiquei um pouco triste, mas ao mesmo tempo, saber que o Doutor estava agora mais em outros lugares do que na Terra, onde tinha ficado tanto tempo, é bom demais! hehe

Responder
Luiz Santiago 13 de dezembro de 2016 - 01:13

Quando eles voltaram, no sensacional The Day of the Doctor, uma das primeiras coisas que passaram pela minha cabeça foi justamente esse significado maior que o arco ganha. E sim, é muito bom ver como essas eras acabam se mesclando e dando suporte uma à outra.

Eu sempre gostei MUITO da UNIT, então fiquei um pouco triste, mas ao mesmo tempo, saber que o Doutor estava agora mais em outros lugares do que na Terra, onde tinha ficado tanto tempo, é bom demais! hehe

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Rafael Lima 12 de dezembro de 2016 - 22:41

Como de hábito, muito boa resenha, levantando pontos bem importantes do arco. Afinal, aqui Hinchcliffe começa a botar as manguinhas de fora de vez, botando na mesa o que realmente queria fazer com a série. Pegue a sequência que o Harry/Zygon persegue a Sarah Jane no celeiro. Uma cena com uma pegada forte de horror e com um desfecho relativamente e brutal.

Sempre vi “Terror Of The Zygons” como uma espécie de bota fora da “Era UNIT”. Afinal, é o ultimo arco a contar com o Brigadeiro liderando a organização, já que a partir daqui ele só apareceria aposentado ou em “momentos de necessidade”. Harry (um dos companheiros mais chatos e sem função da série, na minha opinião) e forte elemento de ligação do Doutor com a UNIT deixa a Tardis, e o próprio Time Lord demonstra mais de uma vez que já não está mais disposto a ser um agente da UNIT.

Eu gosto deste arco, mas sinto que ele tinha potencial pra brincar mais com a questão “quem é humano, quem é Zygon”. E no fim, acho que os Zygons tem um péssimo plano de conquista. Sério que eles querem dominar o mundo com meia duzia de Zygons e um monstro marinho? Hehehe. Pelo menos a própria série parece reconhecer isso, com o Doutor apontando que os Zygons estão subestimando os humanos.

Outro ponto a ser observado é que com a nova série, esse arco ganha um novo contexto. Afinal, a Nova Serie diz que o planeta dos Zygons foi destruído na Time War. Significa que estamos vendo o 4º Doutor lidar com consequências da Guerra do Tempo antes que ela comece na linha do tempo dele? Hehehe

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