Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Celestial Toymaker (Arco #24)

estrelas 4

Equipe: 1º Doutor, Steven e Dodo
Espaço-tempo: A Celestial Sala de Brinquedos, tempo desconhecido.

Após os perrengues que o 1º Doutor, Steven e Dodo passaram na Arca junto aos humanos e aos monoids, uma certa “interferência” começou a afetar a materialidade corporal do Doutor dentro da TARDIS. Num primeiro momento, Dodo acredita que essa invisibilidade do Doutor tenha algo a ver com os refusianos, que eram seres invisíveis e talvez tivessem transmitido um pouco de suas propriedades para o gallifreyano. Mas não era bem esse o problema e, ao que tudo indicava, o próprio Doutor sabia muito bem disso.

O que de fato ocorria é que a TARDIS se materializara na Sala de Brinquedos do Celestial Toymaker, um dos vilões mais interessantes que a série apresentou até este momento. Diferente de ser uma criatura horrenda e que usa de forças poderosas e destruidoras de mundos, o Toymaker é um “simpático” ser transcendental, um Guardião do Tempo com crise de Peter Pan. Ele é um criador de mundos que aparentemente transforma pessoas em bonecos e cria um universo de diversão para que se distraia.

No decorrer do arco, não pude deixar de fazer comparações com um curta metragem espanhol chamado Alma (2009), onde uma loja de brinquedos atrai crianças e as conquista através de seus produtos; mas no final as transforma em bonecos. O Toymaker aqui faz exatamente o mesmo papel, atraindo pessoas, propondo-lhe jogos cheios de trapaça com o intuito de transformar esses indivíduos em brinquedos de sua coleção.

Além da dualidade dramática, o humor e o suspense presentes em todo o tempo, temos dois principais planos de ação. O primeiro deles, e menos interessante, é o do Doutor, que é colocado pelo Toymaker em uma sala para jogar algo com o nome de Jogo Trilógico. Num certo ponto da narrativa o Doutor fica invisível e tem sua voz retirada, de modo que pouco sobra do interesse em relação a sua atuação nos eventos aqui apresentados (e vale citar que essa foi uma das estratégias da produção para manter William Hartnell um pouco mais afastado das filmagens, posto que o ator já mostrava intenso sinal de cansaço físico, situação agravada pela sua doença).

Quem na verdade rouba a cena é Steven e Dodo. A começar dos figurinos, já tínhamos uma indicação de que as coisas seriam diferentes para eles e essa indicação se torna plena realidade quando os enigmas e os mais interessantes jogos propostos pelo Toymaker são jogados pela dupla, que, aliás, tem uma dinâmica de trabalho maravilhosa. Os atores estão visivelmente à vontade com os papéis e parecem realmente amigos. Dodo é um pouco mais “distante” (talvez por estar a pouco tempo na TARDIS) que Vicki, mas sua convivência com Steven é agradável e resulta em uma ótima sequência de jogos para todo o arco.

A direção de arte dos episódios é algo a ser destacado. Cada ambiente específico recebeu uma atenção especial dos designers, e é de lamentar profundamente que apenas o último capítulo, The Final Test, não seja uma reconstituição.

The Celestial Toymaker é uma história atraente para todos os públicos, uma aventura com jogos inteligentes e ameaças reais. Um dos arcos mais leves (apesar dos perigos apresentados) e imaginativos dessa 3ª Temporada Clássica de Doctor Who.

The Celestial Toymaker (Arco #24) – 3ª Temporada

Roteiro: Brian Hayles, Donald Tosh
Direção: Bill Sellars
Elenco principal: William Hartnell, Jackie Lane, Peter Purves, Michael Gough, Peter Stephens

Audiência média: 8,30 milhões

4 Episódios (exibidos entre 02 e 26 de abril de 1966):

1. – The Celestial Toyroom
2. – The Hall of Dolls
3. – The Dancing Floor
4. – The Final Test

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.